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Ibope saudável

Polêmica judicial, doença de personagem
e boa trama esquentam Laços de Família

Ricardo Valladares

 
Divulgação
Roberto Valverde

As atrizes Vera Fischer e Carolina Dieckmann, que cortou as madeixas para interpretar uma vítima de câncer: para salvar a vida da filha, a personagem de Vera tentará engravidar de Pedro (José Mayer, acima)

É um fenômeno. Dois meses antes de acabar, Laços de Família está atraindo audiências que outras novelas das 8 só costumam conquistar no seu capítulo final. Na semana passada, ela atingiu no Ibope um pico de 61 pontos. Sua média é um pouco mais baixa, mas ainda assim excelente: 48 pontos. A escalada teve início com duas dores de cabeça para a direção da Globo. Primeiro, a Igreja Católica proibiu a emissora de gravar cenas em seus templos. Depois, a Justiça do Rio de Janeiro barrou o trabalho de atores menores de 18 anos (uma decisão polêmica, derrubada na semana retrasada). Em vez de prejudicar a novela, contudo, esses dois contratempos aguçaram a curiosidade do público e acabaram por favorecê-la. As causas externas certamente não são o único motivo, nem o principal, da arrancada. Com sua trama apimentada e cheia de temas fortes, o autor Manoel Carlos soube manter antenados os cerca de 4 milhões de espectadores novos que conquistou nas últimas semanas. A melhor prova está no tratamento que vem dando ao drama de Camila (Carolina Dieckmann), que descobriu há duas semanas que tem leucemia.


Richard Sennott/AP
A família Nash: menino gerado para doar medula à irmã


Não é fácil falar de enfermidades graves no folhetim do horário nobre. "O perigo de rejeição é grande", afirma o consultor da Rede Globo Mauro Alencar. "Todo autor de novela conhece o exemplo clássico de Os Gigantes, de 1979, que de tanto falar em doença acabou afugentando o público." Nos próximos capítulos, a doença vai continuar dominando a trama. Quase todos os personagens de Laços de Família se submeterão a exames para saber se podem fazer uma doação de medula óssea para salvar Camila. Os médicos descobrirão que Íris (Deborah Secco) é a única doadora disponível. Mas as duas jovens se odeiam e Íris se negará a colaborar. Esse impasse dará ensejo à mais esperada das reviravoltas. Para salvar a filha, Helena (Vera Fischer) tentará engravidar de Pedro (José Mayer). Os dois foram namorados na juventude e ele, sem saber, é o pai de Camila. Um novo bebê, dos mesmos pais, teria maiores chances de ser um doador compatível para a jovem.

"Essa idéia me foi sugerida por uma história real. Desde então penso em fazer uma novela com esse tema", conta Manoel Carlos. O assunto é mesmo intrigante. O caso mais recente de bebê produzido para doar medula envolveu os irmãos americanos Molly e Adam Nash. Ela é uma menina de 6 anos, vítima de uma doença rara que lhe tiraria a vida em no máximo um ano caso não recebesse um transplante de medula óssea. Como não existia doador compatível, os médicos produziram por fertilização em laboratório uma série de embriões com características sanguíneas semelhantes às dela. Um deles foi selecionado e implantado no útero da mãe. No dia 29 de agosto deste ano, nasceu o menino batizado de Adam, ou Adão. As possibilidades dramáticas de casos assim são tentadoras. "Helena vai levantar questões importantes", diz Manoel Carlos. "É eticamente aceitável colocar no mundo um ser com a finalidade exclusiva de salvar alguém? Será que é justo?" E alguém duvida que vai prender a audiência?

 

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