Romantismo
bom
Disco
de Roberto Carlos em homenagem
à mulher falecida é o seu melhor em dez anos
Sérgio
Martins
Eraldo Platz
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| Roberto:
baladas para recordar a paixão de sua vida |
No
Brasil, o lançamento de um novo disco de Roberto Carlos a
cada final de ano transformou-se numa espécie de tradição
natalina. Entre 1997 e 1999, contudo, a tradição foi
quebrada. Abalado pela doença da mulher, Maria Rita, o cantor
se afastou dos estúdios e só lançou coletâneas.
Maria Rita morreu de câncer há um ano, em 19 de dezembro.
Para homenageá-la, Roberto não só voltou ao
batente como também gravou seu melhor CD em muito tempo.
Amor sem Limite é uma coleção de baladas
dedicadas à amada, mas sem a pieguice que corroeu as últimas
obras do cantor. Tem paixão e arte na medida certa.
As
gravações de discos de Roberto Carlos costumam ser
complicadas. Ele é conhecido pelo estilo centralizador. Acompanha
todas as fases da produção de um disco, da criação
das bases até a mixagem final. Não admite intervenções
que possam modificar o estilo romântico que o consagrou. Para
ele, é fundamental que a voz impere sobre os instrumentos.
"Ele pode até gravar com a Sinfônica de Londres que
seus discos sempre soarão da mesma maneira", explica um executivo
de gravadora que prefere manter-se no anonimato. Guto Graça
Mello, o produtor de Amor sem Limite, não gozou de
privilégios. Foi obrigado, por exemplo, a diminuir a presença
das guitarras nas canções, pois o som não agradava
a Roberto. O perfeccionismo e as mudanças constantes fizeram
com que o disco, inicialmente programado para chegar às lojas
em 25 de novembro, tivesse o lançamento adiado sucessivamente.
Valeu
a pena. Amor sem Limite é um trabalho apaixonado e
sincero a ponto de conter revelações sobre a intimidade
do casal Roberto-Rita. Isso ocorre, por exemplo, na faixa O Grande
Amor da Minha Vida, em que o cantor relembra o primeiro encontro
com a mulher, ainda adolescente: Te beijei na boca e percebi/
Que era seu primeiro beijo/ Respeitei você, sua inocência/
E ignorei o meu desejo. Para compor esse painel musical de sua
vida de casado, Roberto recuperou também três boas
músicas de discos anteriores: Eu Te Amo Tanto, Quando
Digo que Te Amo e Mulher Pequena. Outros destaques são
a faixa-título, uma bela canção no estilo country,
e Momentos Tão Bonitos. Por certo existem deslizes.
Eles aparecem na faixa Tudo, uma dispensável canção
de Martinha (o "queijinho de Minas" dos tempos da jovem guarda),
e nos irritantes solos do saxofonista Milton Guedes. Os arranjos
de Eduardo Lages também têm algumas doses a mais de
açúcar. Mas esses são defeitos menores em um
disco quase todo bom. Poucos intérpretes têm a categoria
de Roberto Carlos. Ele sabe dar um toque de classe ao estilo popular
romântico.
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Jóias
da coroa
Cynira Arruda
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| O
cantor na época de Em Ritmo de Aventura
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É
Proibido Fumar, Detalhes e Amigo: obras clássicas |
Para
acompanhar o lançamento de Amor sem Limite,
um enorme pacote de obras de Roberto Carlos está chegando
às lojas. A Sony reeditou os 42 discos que ele fez
na companhia, entre 1963 e 1999. Destacam-se É Proibido
Fumar (1964), Detalhes (1971) e Amigo (1977).
Também estarão à venda, a partir desta
semana, três filmes do cantor em DVD. São as
pérolas Em Ritmo de Aventura, O Diamante Cor-de-Rosa
e Roberto Carlos a 300 km por Hora.
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