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Boas exceções não salvam
Caetano de dizer pouco

Sérgio Martins

 
Divulgação TV Cultura/Jair Bertolucci
Caetano Veloso: Noites do Norte, seu novo CD, é uma obra menor

Caetano Veloso, como todo mundo sabe, fala um bocado, sobre todos os assuntos. Na semana passada, o lançamento de seu novo disco, Noites do Norte, serviu de ensejo para que ele divulgasse opiniões variadas em seu site da internet. O músico baiano desfiou críticas aos patrícios que não param no sinal vermelho e acusou todo brasileiro de desejar ser um funcionário público. O que costuma redimir Caetano de suas próprias polêmicas é o fato de ele exibir uma tremenda energia criativa, que pode traduzir-se em belas composições. Infelizmente, não é isso o que acontece na maior parte de Noites do Norte. Obra menor em seu catálogo, o disco fica longe, por exemplo, de Circuladô (1991), último trabalho em que Caetano mostrou plena forma como compositor.

Noites do Norte conta com produção apurada e a presença de bons músicos. Não basta. O disco é hesitante, melancólico e às vezes auto-referente. As cinco primeiras faixas falam sobre o tema da escravidão e da identidade nacional. Na peça mais ousada, Caetano transforma em canção e;ssimo trecho do livro Minha Formação, do abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910). Não se trata, porém, da melhor faixa. São candidatas a esse posto a elegante Zera a Reza e a eficiente releitura de Zumbi, composta por Jorge Ben Jor em 1974. Já a segunda parte do disco é dedicada ao "intimismo". Aqui, o que impera é a modorra, como em Michelangelo Antonioni, dedicada ao cineasta italiano homônimo. Mas a faixa mais representativa desse disco e do atual momento da carreira de Caetano talvez seja Rock'n'Raul. Duvidosa homenagem ao roqueiro Raul Seixas, a letra é um festival de versos tolos. Mostra que a verborragia não é mais exclusiva do polemista. Agora, infelizmente, também brota do compositor.

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