|
|
|
![]() |
|
|||||||||||||
O armário ficou pequeno para as grifes mais badaladas do planeta e elas estão invadindo o resto da casa. O papa da moda Giorgio Armani está exibindo sua primeira coleção de móveis na megaloja de Milão, a maior dos 2.000 pontos-de-venda da grife espalhados pelo mundo. Donatella Versace, que comanda o império criado por seu irmão Gianni, tem tudo pronto para mostrar seu mobiliário no próximo mês. As duas marcas italianas estão estreando num ramo, a dos móveis e objetos de decoração, já freqüentado por outros costureiros famosos, como o americano Ralph Lauren. Em comum, roupas e móveis assinados pelos reis da agulha têm os preços salgadíssimos. Não chega a ser problema para a clientela, gente endinheirada disposta a gastar o que for preciso para exibir etiqueta famosa. Quem desembolsa 10.000 dólares por um vestido bordado de festa produzido por Armani não vai se incomodar em assinar um cheque de 9.000 dólares por uma cama da mesma grife. Armani, que fatura 3,3 bilhões de dólares por ano com seus produtos, dedicou aos móveis 1.000 dos 8.000 metros quadrados de sua loja milanesa exatamente o pedaço hoje mais visitado, ainda que ninguém deva acalentar a esperança de encontrar algo em oferta. Sofás e poltronas custam acima de 2.000 dólares por peça e as cadeiras começam em 1.500 dólares. O turista que só entrou para dar uma olhada não precisa sair de mãos vazias, pois pode levar um sabonete. Custa a bagatela de 5 dólares, quase 10 reais, cada um. O que os estilistas estão oferecendo no ramo moveleiro é a mística conquistada pela marca na categoria mais convencional de produtos, das roupas aos cosméticos. Existe também a promessa de qualidade e o desenho exclusivo. Em princípio, roupas de primeira linha são feitas para vestir bem e durar mais porque os tecidos utilizados são em geral de melhor qualidade e o acabamento é primoroso. O mesmo raciocínio serviria para os móveis mas há quem torça o nariz para a incursão da indústria da moda na seara dos decoradores. O arquiteto paulista João Armentano acha que os móveis de grife pecam pela proporção e na matéria-prima empregada. "Cada macaco tem de estar no seu galho", diz. "Estilistas de um lado, designers de outro." De qualquer forma, impressiona como muitos estilistas conseguem transpor com fidelidade seu estilo de roupa para peças de mobília. A obsessão pelo detalhe dos produtos Armani pode ser percebida nas superfícies areadas, lixadas e arranhadas. Os móveis Versace são uma boa tradução do estilo exagerado das roupas, com uma profusão de cores e detalhes rococós. Os móveis e objetos de Donatella (que herdou de Gianni, assassinado em 1997, um império com faturamento anual de 1 bilhão de dólares e 301 lojas espalhadas pelo mundo) seguem o estilo do mobiliário do recém-inaugurado Hotel Palazzo Versace, na cidade de Brisbane, na Austrália, com 205 quartos inteirinhos "vestidos" de Versace. O empreendimento segue o modelo dos chamados hotéis de design, que ganharam prestígio com os projetos mirabolantes do francês Philippe Starck. Dos guardanapos ao sabonete do lavabo, tudo no Palazzo Versace foi pensado para que o hóspede "respire" o estilo rebuscado da marca.
Duas marcas badaladas Ralph Lauren e Fendi expõem seus móveis em lojas próprias em São Paulo. Já a Armani e a Versace só vão vender por catálogo. Ou seja, o cliente vai à loja e escolhe o móvel por fotografia. A encomenda é então despachada dentro de um container, por via aérea. "Os móveis Armani são entregues em cerca de um mês", afirma Michelle Nasser, representante da marca no Brasil. Os pedidos da Coleção Armani começarão a ser aceitos em fevereiro de 2001. E as encomendas de Versace, dois meses depois. A loja Fendi Casa foi inaugurada em São Paulo em 1997 e, no momento, está fechada para obras. Em abril, o showroom de 460 metros quadrados da marca que nasceu em 1925 fazendo casacos de pele e hoje é famosa por suas bolsas e acessórios de linhas tradicionais vai abrigar móveis de linhas sisudas, em sua maioria revestidos de couro, camurça e pele, especialidade da casa. Um sofá de couro assinado pela italiana Anna Fendi pode custar 25.000 reais. Um divã revestido de camurça natural sai um pouco mais barato, 9.200 reais. É bagatela se comparado à bolsa baguete Fendi, a coqueluche de qualquer madame que se preze, vendida por cerca de 5.000 reais a peça. A Fendi é, por sinal, a única dessas marcas que oferece seus produtos na moeda nacional. As outras preferem o dólar.
A união entre agulha e mobiliário não é nova. O francês Pierre Cardin tem móveis assinados desde a década de 70 e o alemão Karl Lagerfeld e Anna Fendi lançaram a primeira linha de móveis da Fendi em 1985. Há pouco tempo, a americana Donna Karan contratou a peso de ouro a editora da Elle Decor inglesa, considerada a bíblia da decoração, para coordenar sua linha Casa. A linha de mobiliário das grandes marcas é uma maneira de diversificar a rentabilidade da indústria da moda. Com a marca já estabilizada no mercado, o risco de rejeição de um novo produto é pequeno. "Primeiro, os estilistas lançam a coleção de roupas. Depois os cosméticos, o carro-chefe da grife, e, por último, os móveis e produtos para casa", explica a arquiteta paulista Camila Vieira Santos. Ela e a mãe, a decoradora Ana Maria Vieira Santos, são as representantes da Ralph Lauren no Brasil desde 1999. O estilista americano começou a fazer móveis em 1983, sempre fiel ao estilo que ele próprio inventou. São peças com muito couro e mogno reluzente, inspiradas numa visão romanceada do modo de vida da aristocracia da Nova Inglaterra, como o clã Kennedy. Um sofá de três lugares de couro da Ralph Lauren, produzido pela empresa americana Henredon, custa 12.800 dólares em São Paulo. Outro sofá, do mesmíssimo material e produzido pelo mesmíssimo fabricante, vale 12.000 dólares. A diferença de 800 dólares é o preço da grife. Todas essas marcas estão apostando no mercado brasileiro por causa da constatação de que os ricos gostam de comprar mobília e peças decorativas no exterior e dão preferência aos nomes famosos. "Brasileiro adora grife", afirma Camila. O badalado arquiteto e decorador paulista Sig Bergamin gostou tanto de sua cadeira diretor revestida de couro da Fendi (de 1.200 dólares) que levou a idéia para decorar os salões do bar e restaurante Lounge, em São Paulo. "O móvel de grife acompanha as tendências da moda e a qualidade é inquestionável. É o nome da marca que está em jogo", elogia Bergamin.
|
|||||||||||||||||
| Copyright
2000 Editora Abril S.A. |
VEJA
on-line | Veja
São Paulo | Veja
Rio | Veja
Recife | Guias
Regionais Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco |