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Uma viagem às raízes da árvore genealógica

Nelio Rodrigues

Pena (de barba) e equipe: pesquisa inédita

A equipe de dez pesquisadores coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena está realizando seus estudos há três anos. A primeira etapa consistiu em listar grupos de variações genéticas peculiares de europeus, africanos e ameríndios e compará-los com as seqüências genéticas típicas de uma amostra de 247 brasileiros brancos, homens e mulheres não aparentados, de quatro regiões do Brasil: Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. O objetivo era descobrir qual a ancestralidade paterna (a procedência do homem primitivo que, há milhares de anos, deu origem à linhagem genética de cada pessoa por parte de pai) e a ancestralidade materna (idem, do lado da mãe) predominantes entre os brasileiros. De cada pessoa pesquisada, os cientistas da UFMG isolaram fatores genéticos passados de pai e mãe para filho e filha durante séculos, praticamente sem mudanças. Um desses fatores é o cromossomo Y, velho conhecido das aulas de biologia, que o pai transmite para a prole masculina. Como mulher não tem Y, sua ancestralidade paterna ainda não pode ser identificada – um irmão ou um primo pelo lado do pai podem suprir isso. Outro é o chamado DNA mitocondrial, um pequeno fragmento do código genético. O DNA mitocondrial não traça a linhagem paterna, mas, no caso da materna, pode ser rastreado em marcha à ré, até o começo dos tempos, em ambos os sexos.

Por começo dos tempos entenda-se um exemplar masculino de aproximadamente 80.000 anos e outro feminino mais antigo, com cerca de 150.000, descobertos na África: o Adão e a Eva dos seres humanos atuais. Nos últimos vinte anos, pesquisadores em diversas partes do mundo se dedicaram a comparar o mapa genético de populações, distinguindo certos traços entre eles. Foi assim que surgiram os "marcadores" da ancestralidade genética. Comparando os DNAs a sua disposição com esses marcadores, a equipe de Sérgio Pena encaixa cada pessoa em seu grupo de origem.

Os marcadores do cromossomo Y mapeados até agora abrangem povos e regiões da África negra abaixo do Saara, da África do Norte e áreas em volta do Mediterrâneo, Europa e de indígenas das Américas. As conclusões dos pesquisadores de Minas Gerais sobre as origens dos brasileiros baseiam-se nas informações proporcionadas por esses marcadores e cruzadas com o que já se sabe sobre a história das migrações. Elas são razoavelmente precisas em relação a locais e referências genéticas, e menos exatas em relação a tempo, sobretudo pelo ritmo lento (no mínimo 3.000 anos) com que uma "marca" distintiva se fixa na seqüência de genes de um agrupamento humano. Feitos todos os cálculos e comparações, o "Retrato molecular do Brasil" mostrou que, no grupo pesquisado, a esmagadora maioria – 97% – provém de um tronco paterno europeu. Já o tronco materno variou: 39% europeu, 33% ameríndio, 28% africano.

 

 

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