Montagem de Alex sobre fotos
Rogério Voltan/Jenny Acheson

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Estudo
derruba mito de que, depois da
separação, todos querem cair na
farra.
Ao contrário. A maioria busca relações
estáveis e duradouras

Cristina
Poles
Eles
estavam juntos havia um bom tempo. Mas não deu certo. Recém-separados,
cada um foi para um lado. Para "tirar o atraso" dos tempos de compromisso,
caíram na gandaia. Tanto ele quanto ela, em busca das emoções
perdidas. Com o fim de um relacionamento estável, o que todos
querem é a liberdade dos encontros de uma noite só,
dos amores fugazes. É sempre assim? Não com a freqüência
que se imagina nem com a assiduidade que se vê nas telas de
cinema. Quem já viveu um relacionamento estável (e
feliz, óbvio) quer sempre mais. Palavra de quem entende do
assunto, o sociólogo John DeLamater, professor da Universidade
de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, estudioso da sexualidade
humana há quase trinta anos. "Se alguém já
sentiu o gostinho de uma relação sólida, vai
sempre querer envolvimentos duradouros", disse DeLamater a VEJA.
"É por isso que mal saem de um casamento eles já engatam
em outro relacionamento estável."
Durante um ano, o sociólogo e sua equipe acompanharam o comportamento
sexual de 3.215 homens e mulheres com idade entre 18 e 59 anos.
Ao término do estudo, a surpresa: aqueles que haviam terminado
um relacionamento de, no mínimo, um ano não saíram
feito loucos atrás de aventuras amorosas. O trabalho de DeLamater,
ainda a ser publicado no Journal of Sex Research, revista
da Sociedade para o Estudo Científico da Sexualidade, mostra
que, em média, esses homens e mulheres mantiveram apenas
um relacionamento no ano seguinte ao da separação.
É o mesmo número de parceiros anotado entre os solteiros.
Uma das explicações para o fenômeno encontradas
pelos especialistas está no fato de que, ao término
de uma relação (não importa se o rompimento
foi dos mais pacíficos), tanto o homem quanto a mulher saem
machucados. Como se costuma dizer: não há fim sem
dor e nessa fase raras são as pessoas com disposição
para embarcar na montanha-russa emocional provocada pelos encontros
fortuitos. A maioria está atrás de um namoro que supere
o anterior em qualidade. "E não se alcança a qualidade
com uma grande quantidade de casos superficiais", diz o psicoterapeuta
Luiz Cuschnir, professor da Universidade de São Paulo.
O outro motivo apontado pelos estudiosos pode parecer menos nobre
que o anterior, mas tem um peso enorme quando alguém que
acabou de se separar opta novamente por um parceiro fixo. É
a garantia de sexo na hora em que a pessoa bem desejar. A pesquisa
de DeLamater confirma a tese. Durante o ano do estudo, os recém-separados
mas novamente comprometidos fizeram, em média, 25% mais sexo
que os descompromissados.
Comparados aos casados e separados, os solteiros são os que
menos experimentam as delícias de uma noite de amor. Dois
em cada dez homens e três em cada dez mulheres chegam a amargar
um ano inteiro sem uma única relação sexual.
E os que estão ativos não podem gabar-se de ter uma
vasta lista de parceiros à disposição. A média
não ultrapassa um por ano. "Cair na farra significa ter de
ir à luta, e saber que nem sempre se é bem-sucedido",
alerta Cuschnir. As frustrações geradas pela paquera
infrutífera ou a ansiedade com o telefone que não
toca no dia seguinte são uma fonte e tanto de stress. Está
cientificamente provado que os comprometidos (mais uma vez, os felizes)
são mais saudáveis. Sofrem menos de depressão
e infarto. Viva o compromisso!
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