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Quatro nomes
e um vencedor

Jatinho, acusações e publicidade.
Pela primeira vez, a Câmara vive
uma disputa feroz pela presidência

Maurício Lima, de Brasília

Tina Coelho

Corredores da Câmara: mais de 500 cartazes dos candidatos


Desde os tempos do Brasil imperial até hoje, nunca houve uma disputa tão acirrada, tão tipicamente eleitoral pela presidência da Câmara dos Deputados. O escolhido nunca foi eleito, mas ungido em acordo político, sem ter de fazer campanha, caçar votos, elaborar um programa. Agora, em mais um sinal eloqüente da cizânia na base de apoio ao governo, há dois candidatos fortes, outros dois azarões e está prestes a surgir um quinto concorrente, Nelson Marquezelli, que, deliciado com a faina eleitoral, promete lançar-se nos próximos dias. Com essa disputa inédita, a Câmara passou a exibir por esses dias o cenário comum às cidades em ebulição eleitoral: pelos corredores da Casa espalham-se faixas, cartazes e pelo menos 500 cavaletes com propaganda dos candidatos, além, naturalmente, de acusações, traições sorrateiras ou escancaradas e a inevitável maratona do corpo-a-corpo em busca do voto.


Dida Sampaio/AE

Os favoritos Aécio Neves e Inocêncio Oliveira: rotina alterada para disputar o voto dos deputados


Subitamente, os demais deputados que irão votar no dia 15 de fevereiro passaram a ser tratados e bajulados pelos candidatos de uma forma parecida com a qual eles costumam tratar a população em período eleitoral. "Eles procuram todos os deputados. Mesmo os que estão em sua primeira legislatura são adulados. Depois, somem", reclama Paulo Paim, do PT gaúcho. Na semana passada, o deputado Aécio Neves, tucano de Minas e candidato à presidência, chegou a deslocar-se até um prédio anexo ao da Câmara – conhecido como Anexo IV – onde ficam 471 gabinetes de deputados que não são líderes nem presidem alguma comissão. Aécio Neves percorreu três dos dez andares do prédio, batendo de gabinete em gabinete, como o candidato que resolve visitar um bairro da periferia durante a eleição. Por força da campanha, todos os dias ele comparece, em média, a dois cafés da manhã, três almoços e dois jantares. Para não engordar com tanta refeição num único dia, criou uma estratégia: senta-se à mesa, desata a falar e não pára mais.

Na disputa, já entraram em cena até pesquisadores de institutos de opinião. O último levantamento aponta o deputado Aécio Neves com 40% dos votos. Em seguida vem Inocêncio Oliveira, do PFL de Pernambuco, com 24%. Severino Cavalcanti, do PPB de Pernambuco, tem 11% e o outro candidato, Valdemar Costa Neto, do PL paulista, tem 5%. Para reverter a desvantagem, Inocêncio Oliveira, que já foi presidente da Câmara, está puxando no cabo da gata, como se diz em Pernambuco quando alguém arregaça as mangas. Dorme menos de cinco horas por noite e está ficando em Brasília de segunda a sexta – antes, chegava na terça e quinta já estava de saída. Fala por dia com trinta deputados e nos fins de semana visita os possíveis eleitores em seus Estados. Tem até um jatinho, alugado pelo PFL, para esses deslocamentos. Na semana passada esteve em Minas Gerais e fez questão de comparecer a um jantar oferecido pelo ilustríssimo deputado Zezé Perrela.

Slogan e sangue – A decoração de campanha começou devagar pelos corredores da Câmara. Coube a Inocêncio Oliveira instalar os primeiros banners, no que foi logo imitado por Aécio Neves, que apareceu com banners maiores que os do rival – que, por sua vez, reagiu aumentando o tamanho dos seus. A coisa pegou fogo quando surgiram os primeiros cartazes de Severino Cavalcanti, um eterno candidato à presidência da Câmara cujo discurso sempre foi o de valorizar os deputados do baixo clero. Saiu-se com um slogan um tanto sanguíneo: "Independência ou morte", sugerindo sua disposição de trocar a vida pela autonomia da Câmara. Isso é que é eleição! (A piada que corre: os eleitores de Severino Cavalcanti torcem pela "independência", mas no outro caso quem torce mesmo é Severino Ramos, o suplente da vez.)

A campanha até tem sido de um bom nível, mas não faltam as acusações, espalhadas em sussurros. Os aliados de Inocêncio sugerem que Aécio Neves é ajudado pela liberação de verbas federais a seus eleitores. Juram que os baianos que deixaram o PFL e aderiram ao tucano estão sendo agraciados com mimos do Ministério dos Transportes. Até a semana passada, porém, não havia um único registro de liberação de verba do ministério para os novos baianos tucanos. Entre os correligionários de Aécio Neves, comenta-se que os pefelistas cooptaram um tucano do Rio de Janeiro oferecendo a indicação de um afilhado para o INSS. O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, é do PFL. Já apareceram insinuações, também, de que um deputado do PMDB mineiro trocou seu partido pelo PSDB de Aécio Neves ao ser seduzido por 400.000 argumentos – o que, para os conhecedores da retórica parlamentar, parece argumento demais. Em fevereiro, se nenhum candidato obtiver a maioria dos votos – 257 –, haverá segundo turno. "É isso que eu quero, um segundo turno", diz o recém-chegado Nelson Marquezelli. Como se vê, a coisa ainda vai longe.

 

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