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Cinema
O bom perdedor
Em Wimbledon, Paul Bettany
mostra o melhor do esporte
inglês de rir à própria custa

Isabela Boscov
Divulgação
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| Bettany, como o azarão Peter Colt:
romance com inteligência |
Garota americana autoconfiante até demais
vai para Londres, onde conhece um inglês irresistível,
mas meio sem rumo na vida. Depois de muitas tiradas espirituosas,
ela o coloca nos trilhos, e ele suaviza as arestas dela. Todo mundo
conhece a receita. Com pequenas variações, ela é
o prato de resistência da Working Title, a produtora que vende
para o mundo uma Inglaterra eternamente embalada no suingue dos
anos 60, e onde todos os homens têm o charme e a originalidade
de Hugh Grant aliás, todos os homens são Hugh
Grant, como exemplificado em Quatro Casamentos e Um Funeral,
Um Lugar Chamado Notting Hill, O Diário de Bridget Jones
e Um Grande Garoto, os títulos mais conhecidos da
produtora. Mas, apesar de Grant ter recusado o papel principal de
Wimbledon O Jogo do Amor (Wimbledon,
Inglaterra/França, 2004), isso em nada prejudicou a proficiência
da Working Title. Ao contrário, ajudou a injetar sangue e
idéias novas na fórmula. No filme que estréia
nesta sexta-feira no país, Paul Bettany faz as honras como
Peter Colt, que já foi o 11º no ranking mundial do tênis,
mas agora, na 119ª posição e já passado
dos 30 anos, vai participar do torneio pela última vez como
wild card um jogador selecionado para preencher a
escalação do evento. A única ambição
de Peter é evitar a humilhação excessiva e,
depois, resignar-se a dar aulas de tênis num clube. Isso até
ele conhecer a deliciosamente temperamental Lizzie Bradbury (Kirsten
Dunst), favorita à etapa feminina de Wimbledon. Com a colaboração
de Lizzie, Peter descobre que um pouco de desconcentração
na noite anterior ao jogo tem efeitos altamente benéficos
sobre seu desempenho na quadra. E, repentinamente, a possibilidade
de ganhar entra em questão.
Richard Loncraine, que dirigiu um excelente
Ricardo III, com Ian McKellen, filma o jogo de forma empolgante
(graças à computação gráfica,
os atores tiveram apenas de parecer tenistas profissionais, sem
se preocupar com as bolas, que foram acrescentadas digitalmente)
e é ainda mais hábil na ação que se
desenrola fora das quadras. Todo o seu esforço, plenamente
recompensado, é o de fazer da melhor forma possível
só e apenas uma comédia romântica. Mas o verdadeiro
ás aqui é Bettany, um ator que, nem que quisesse,
conseguiria errar. Bettany tem brilhado em papéis tão
diversos quanto o médico de bordo de Mestre dos Mares,
o amigo imaginário de Uma Mente Brilhante (ambos em
parceria com Russell Crowe) e o filósofo moral de Dogville.
Em Wimbledon, à maneira dos Grant (Cary e Hugh), ele
dá sua contribuição a duas grandes tradições
britânicas: a de perder (ou, se for o caso, ganhar) com elegância
e a de fazer humor à própria custa. E, de quebra,
institui um novo parâmetro. Se Kevin Costner e similares sempre
terminam com cara de paisagem nos momentos em que é preciso
expressar a tensão de uma jogada decisiva, é neles
que Bettany atinge sua performance mais dinâmica e inteligente.
Por sua causa, torcer pelo protagonista de Wimbledon não
só é uma obrigação da platéia.
É algo que se faz com prazer.
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