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Memória
O último encontro
Morre
aos 80 anos Fernando Sabino,
cronista
e romancista que formou
gerações de leitores

Jerônimo Teixeira
Carlos Chicarino/AE
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| Sabino: romance que
definiu uma geração e memórias sentimentais
da ministra Zélia |
A morte
de Fernando Sabino ocorreu um dia antes de o escritor mineiro completar
81 anos. Vítima de um câncer no fígado, Sabino
morreu em casa, no dia 11, cercado de filhos e netos. Não
pôde levar adiante o projeto de escrever uma "autobiografia
não autorizada" na qual reapareceria o seu alter ego Eduardo
Marciano, personagem de O Encontro Marcado, de 1956. Sabino
deixou instruções rigorosas para que nenhum inédito
seu seja publicado postumamente. Com mais de cinqüenta livros
publicados, ele realmente não precisa que cavouquem seus
papéis em busca de novidades.
"Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu
homem, morreu menino."
Epitáfio composto por
Fernando Sabino |
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Para compor
O Encontro Marcado, Sabino inspirou-se em seu círculo
de amigos mineiros, que incluía os também escritores
Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende.
O romance consagrou-se como uma espécie de retrato daquela
geração e disputa com O Grande Mentecapto a
posição de obra-prima do autor. Diante desses títulos
e da consagração de Sabino como um dos grandes nomes
da crônica brasileira e um dos nomes mais queridos
da literatura nacional, cujos livros sempre freqüentavam a
lista dos mais vendidos , Zélia, uma Paixão
é um deslize negligenciável. Universalmente deplorado,
o livro em que Sabino narra as desventuras sentimentais de Zélia
Cardoso de Mello, a ministra que confiscou a poupança no
governo Collor, trouxe desgosto ao escritor, que depois de seu lançamento,
em 1991, passou a evitar a imprensa.
Os Movimentos
Simulados, o último livro lançado pelo autor,
é na verdade um romance escrito na juventude. Sabino disse
que ele fazia parte de sua "obra póstuma antecipada". O autor
também compôs o próprio epitáfio: "Aqui
jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino".
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