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Televisão
O melhor do pior O Pânico
azucrina celebridades, usa e abusa do trash, e faz barulho nas tardes de domingo 
Ricardo Valladares
Fotos divulgação
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marmanjos do Pânico e a viçosa Sabrina, entre eles e no destaque:
paródias e caipirinhas | De tempos
em tempos, um humorístico mambembe causa barulho na televisão brasileira.
São programas que, mesmo sem ser campeões de audiência, acabam
na boca do povo. Foi assim com o Perdidos na Noite, que revelou ao país
o apresentador Fausto Silva, nos anos 80. Foi assim também com o Casseta
& Planeta dos primeiros tempos e, mais recentemente, com Os Piores
Clipes do Mundo, da MTV, que proporcionou minutos de fama ao VJ Marcos Mion.
O fenômeno da hora é o Pânico na TV, protagonizado por
uma trupe de nove marmanjos, dois mulherões e alguns anões. O grupo
preenche uma hora e meia na programação das tardes de domingo da
Rede TV! com puro trash. A grande novidade do Pânico é transformar
o mundo das celebridades na matéria-prima básica de suas piadas.
Eles fazem paródias de outros programas como o Táxi do
Gluglu ou o Show da Tchutcha e têm como ponto alto um
quadro em que um imitador de Silvio Santos e o personagem Repórter Vesgo
"entrevistam" gente famosa em festas e eventos afins. Eles azucrinam as celebridades
maiores e zombam sem dó daquelas que aspiram a um lugar ao sol ou começam
a voltar à sombra (e, convenhamos, a maioria das celebridades brasileiras
bem que merece a galhofa). Certa vez, o Repórter
Vesgo levou um soco do ator Victor Fasano, ao tascar à queima-roupa: "E
aí, Victor, faz anos que você não aparece". Noutra ocasião,
deixou Preta Gil, filha do ministro da Cultura, Gilberto Gil, falando sozinha.
"Tchau, chegou alguém mais famoso para entrevistar", disse a ela. Antes
do primeiro turno das eleições municipais, a convite de um jornal,
a dupla fez perguntas aos candidatos à prefeitura de São Paulo.
Sem pestanejar, Vesgo lançou o seguinte míssil sobre o ex-prefeito
Paulo Maluf: "E aí, você me empresta a senha de sua conta na Suíça
para eu comprar um terno novo?" A atmosfera bizarra de Pânico se
completa com a presença de figurantes como uma ajudante de palco chamada
Mulher Samambaia, de uma sósia da empresária Marlene Mattos e de
Sabrina, aquela ex-participante do Big Brother Brasil conhecida pelas coxas
portentosas e pelo sotaque arrastado. Sabrina realiza reportagens sobre a extração
de sêmen de porcos ou sobre o efeito de várias caipirinhas nos reflexos
de um motorista (ela mesma encheu a cara para depois dirigir). A viçosa
apresentadora vive, aliás, um romance nos bastidores do programa. Ela namora
Carlos Alberto da Silva, que interpreta o personagem Mendigo. Esmola boa é
isso aí. Pânico começou
como programa humorístico numa rádio de São Paulo, cinco
anos atrás. Alguns dos atuais integrantes entraram no show graças
à informalidade reinante: o Repórter Vesgo era um ouvinte assíduo
e o Mendigo trabalhava como office-boy na emissora. Ainda hoje, é a rádio
que banca o salário dos apresentadores. A Rede TV! só cuida da produção,
e o orçamento é curtíssimo. "Temos 1 200 reais para gastar
por semana", diz um dos integrantes. Num programa exibido no mês passado,
a trupe apagou a luz e fingiu dormir durante quase sete minutos ao vivo
, por supostamente não ter o que colocar no ar. Apesar dos recursos
minguados, a atração não faz feio nos índices de audiência:
tem alcançado a média de 5 pontos no ibope, marca respeitável
para a emissora e o horário em que é exibida. "Estamos aprendendo
a fazer televisão", diz Emilio Surita, líder da trupe. Eles têm,
no entanto, certos desafios pela frente. Um deles é vencer a resistência
do mercado publicitário. "Programas humorísticos sempre têm
uma dificuldade inicial para atrair anunciantes", diz Ivan Marques, diretor da
agência de publicidade F/Nazca. Mas o maior risco é mesmo o de que
o humor da turma se esgote ou, com o tempo, perca o jeito irreverente e atrevido.
Depois do Perdidos da Noite, por exemplo, Fausto Silva viu sua carreira
decolar, mas suas tiradas perderam a graça. O mesmo aconteceu com Mion,
que passou a se repetir. A turma do Casseta & Planeta tornou-se uma
exceção à regra, ao manter-se fiel a seu humor numa grande
emissora. Depois de viver a própria fama, os rapazes do Pânico
precisarão se cuidar para não ser as vítimas de um Repórter
Vesgo no futuro.
| Tudo se copia
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| Gugu e Monique: genérico de Márcia
Goldschmidt | Quadros assistencialistas: é só pedir que o
Gugu dá | Em setembro do ano passado,
o apresentador Gugu Liberato, do SBT, se envolveu em um escândalo ao exibir
no Domingo Legal uma entrevista com falsos bandidos que ameaçavam
de morte outros apresentadores. O episódio arranhou seu prestígio
e lhe rendeu uma perda de audiência de 6 pontos. Além disso, fez
com que programas como o Pânico, da Rede TV!, e o Jogo da Vida,
da Bandeirantes, voltassem os seus canhões contra ele, na intenção
de tirar uma casquinha de sua audiência periclitante. Nas últimas
semanas, Gugu resolveu dar o troco copiando seus adversários. O
quadro Os Penetras, por exemplo, é xerox das estripulias que o Repórter
Vesgo e o falso Silvio Santos aprontam no Pânico (esses dois, por
sinal, não gostaram nada da concorrência. "Os caras são muito
bobos", diz o Repórter Vesgo a respeito dos Penetras). Outra cópia
é o Bate Coração, no qual Monique Evans procura resolver
problemas de casais briguentos e imita o Jogo da Vida, de Márcia
Goldschmidt. Para retomar sua imagem combalida de moço loiro e bonzinho,
Gugu também tem investido num quadro "assistencialista". Num fim de semana
ele ajuda pessoas a reformar a casa, noutro ele arruma trabalho para um desempregado.
E assim por diante. É a reciclagem de uma atração que o pagodeiro
Netinho comandou no próprio Domingo Legal quatro anos atrás
e que depois se transformou em programa da Rede Record. Sem exibir um pingo de
imaginação, Gugu já recuperou 2 pontos nessa sua "nova fase".
Nada se cria. | | |