Edição 1876 . 20 de outubro de 2004

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Lya Luft
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Diogo Mainardi
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André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Divertimento
Os atletas do teclado

Parece sonho de adolescente: os cinco
integrantes do Made in Brazil ganham
a vida disputando jogos de computador


Roberta Salomone


Claudio Rossi
Made in Brazil: treinador e dieta saudável na rotina de Pred (de vermelho), Kiko (na frente), Cogu, Dread e Pava


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Questão de tática

EXCLUSIVO ON-LINE
Sites mais acessados pelos jogadores cibernéticos

Eles não são artistas de novela nem músicos famosos, mas dão autógrafos, têm várias namoradas espalhadas pelo Brasil e já rodaram o mundo em eventos que reúnem milhares de jovens. Rafael Velloso, o "Pred", 18 anos, Carlos Henrique Segal, o "Kiko", 18, Rafael Pavanelli, o "Pava", 18, Bruno Spellamzon, o "Dread", 18, e Raphael Camargo, o "Cogu", 19, formam o Made in Brazil, time que é campeão nacional em jogos de computador e está entre os cinco melhores do mundo no Counter-Strike, o popularíssimo game de sangrentas batalhas entre terroristas e policiais. Da mesma forma que os demais 6 milhões de meninos (principalmente) e meninas freqüentadores das lan houses, as casas equipadas para jogos em rede, a turma do Made in Brazil chega a passar dez horas na frente do computador, competindo sem parar. Ao contrário da maioria, porém, o quinteto fez de seu hobby um negócio lucrativo: vive dos prêmios que arrecada e tem até dois patrocinadores, um dos quais é Paulo Velloso, pai de Rafael e dono de uma empresa de software. "Achamos que esse pode ser um segmento extremamente rentável", diz Velloso. Se depender de competições, pode mesmo – na semana passada, concorrendo com 32 equipes que compõem a nata global da categoria, o Made in Brazil ficou em quinto lugar no World Cyber Games de São Francisco.

Com formação um pouco diferente, o grupo começou a se destacar no fim de 2002, quando se classificou para a final de um importante campeonato de games em Dallas, nos Estados Unidos. Lá conquistou o 13° lugar e voltou ao Brasil com 1.250 dólares no bolso. Desde então, os rapazes já participaram de competições na França, na Coréia, no Peru e na Suécia. No Brasil, são requisitados para fazer apresentações meteóricas em lan houses, que costumam reunir centenas de pessoas. Na internet há um ano, o site do grupo tem mais de 17.000 usuários cadastrados, ávidos por dicas. A especialidade deles é o game Counter-Strike, lançado há cinco anos e que se baseia no antiqüíssimo duelo entre bandidos e mocinhos (veja quadro com dicas especiais para gamemaníacos). O cenário é escolhido pelos jogadores – há uma estação de trem, um castelo, uma ruína asteca, até uma favela carioca e um cenário paulistano, com a Catedral da Sé ao fundo. Cada integrante (são cinco de cada lado) inicia o jogo com uma faca, uma pistola e 800 dólares e vai ganhando dinheiro à medida que mata adversários. Com o dinheiro, compra armas, para matar mais gente e ganhar mais dinheiro. Entre tiros e momentos de muita tensão, os meninos do Made in Brazil permanecem, lado a lado, com o rosto colado ao monitor do computador por horas, trocando mensagens freneticamente durante a partida. A performance costuma reunir uma platéia composta inclusive de meninas não exatamente interessadas no jogo. "São as marias-mouse. Elas fazem qualquer coisa para ficar com a gente", gaba-se o paulista Cogu.

A preparação para o Cyber Games de São Francisco durou dois meses e incluiu um treinador importado da Suécia – Johan Ryman, 24 anos, ex-campeão de Counter-Strike. Durão, ele exigiu que todos freqüentassem academia de ginástica e dormissem oito horas por dia. Mais grave ainda para quem está acostumado a virar horas na frente do computador, proibiu refrigerantes e fast-food em geral. "O estilo de vida deles era o pior possível. Quis transformá-los em atletas", disse Ryman. Com tantas exigências, os estudos, evidentemente, ficam em segundo plano: só dois dos "atletas" terminaram o ensino médio. "Isso não era exatamente o que tinha sonhado para o meu filho", admite a administradora Maria Luísa Spellamzon, mãe de Dread. Inabalável, Ryman justifica a escolha dos rapazes: "Não há por que ter pressa. A escola não vai sair de lá". Os games, em compensação, têm hordas de aspirantes loucos para chegar ao topo.

 
 
 
 
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