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Divertimento
Os atletas do teclado
Parece sonho de adolescente: os cinco
integrantes do Made in Brazil ganham
a vida disputando jogos de computador

Roberta Salomone
Claudio Rossi
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| Made in Brazil: treinador e dieta saudável
na rotina de Pred (de vermelho), Kiko (na frente),
Cogu, Dread e Pava |
Eles não são artistas de novela
nem músicos famosos, mas dão autógrafos, têm
várias namoradas espalhadas pelo Brasil e já rodaram
o mundo em eventos que reúnem milhares de jovens. Rafael
Velloso, o "Pred", 18 anos, Carlos Henrique Segal, o "Kiko", 18,
Rafael Pavanelli, o "Pava", 18, Bruno Spellamzon, o "Dread", 18,
e Raphael Camargo, o "Cogu", 19, formam o Made in Brazil, time que
é campeão nacional em jogos de computador e está
entre os cinco melhores do mundo no Counter-Strike, o popularíssimo
game de sangrentas batalhas entre terroristas e policiais. Da mesma
forma que os demais 6 milhões de meninos (principalmente)
e meninas freqüentadores das lan houses, as casas equipadas
para jogos em rede, a turma do Made in Brazil chega a passar dez
horas na frente do computador, competindo sem parar. Ao contrário
da maioria, porém, o quinteto fez de seu hobby um negócio
lucrativo: vive dos prêmios que arrecada e tem até
dois patrocinadores, um dos quais é Paulo Velloso, pai de
Rafael e dono de uma empresa de software. "Achamos que esse pode
ser um segmento extremamente rentável", diz Velloso. Se depender
de competições, pode mesmo na semana passada,
concorrendo com 32 equipes que compõem a nata global da categoria,
o Made in Brazil ficou em quinto lugar no World Cyber Games de São
Francisco.
Com formação um pouco diferente,
o grupo começou a se destacar no fim de 2002, quando se classificou
para a final de um importante campeonato de games em Dallas, nos
Estados Unidos. Lá conquistou o 13° lugar e voltou ao
Brasil com 1.250 dólares no bolso.
Desde então, os rapazes já participaram de competições
na França, na Coréia, no Peru e na Suécia.
No Brasil, são requisitados para fazer apresentações
meteóricas em lan houses, que costumam reunir centenas de
pessoas. Na internet há um ano, o site do grupo tem mais
de 17.000 usuários cadastrados,
ávidos por dicas. A especialidade deles é o game Counter-Strike,
lançado há cinco anos e que se baseia no antiqüíssimo
duelo entre bandidos e mocinhos (veja
quadro com dicas especiais para gamemaníacos).
O cenário é escolhido pelos jogadores há
uma estação de trem, um castelo, uma ruína
asteca, até uma favela carioca e um cenário paulistano,
com a Catedral da Sé ao fundo. Cada integrante (são
cinco de cada lado) inicia o jogo com uma faca, uma pistola e 800
dólares e vai ganhando dinheiro à medida que mata
adversários. Com o dinheiro, compra armas, para matar mais
gente e ganhar mais dinheiro. Entre tiros e momentos de muita tensão,
os meninos do Made in Brazil permanecem, lado a lado, com o rosto
colado ao monitor do computador por horas, trocando mensagens freneticamente
durante a partida. A performance costuma reunir uma platéia
composta inclusive de meninas não exatamente interessadas
no jogo. "São as marias-mouse. Elas fazem qualquer coisa
para ficar com a gente", gaba-se o paulista Cogu.
A preparação para o Cyber Games
de São Francisco durou dois meses e incluiu um treinador
importado da Suécia Johan Ryman, 24 anos, ex-campeão
de Counter-Strike. Durão, ele exigiu que todos freqüentassem
academia de ginástica e dormissem oito horas por dia. Mais
grave ainda para quem está acostumado a virar horas na frente
do computador, proibiu refrigerantes e fast-food em geral. "O estilo
de vida deles era o pior possível. Quis transformá-los
em atletas", disse Ryman. Com tantas exigências, os estudos,
evidentemente, ficam em segundo plano: só dois dos "atletas"
terminaram o ensino médio. "Isso não era exatamente
o que tinha sonhado para o meu filho", admite a administradora Maria
Luísa Spellamzon, mãe de Dread. Inabalável,
Ryman justifica a escolha dos rapazes: "Não há por
que ter pressa. A escola não vai sair de lá". Os games,
em compensação, têm hordas de aspirantes loucos
para chegar ao topo.
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