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Automóveis
O popular dos europeus
Carrinho
lançado na Romênia faz
sucesso e será vendido também aos
consumidores dos vizinhos mais ricos

Neide Oliveira
Com uma
frota de apenas 12 milhões de veículos (com idade
média de onze anos) e renda per capita de 1 700 dólares
por ano, a Romênia só poderia chamar a atenção
do mercado mundial de automóveis com um projeto muito barato.
Foi o que fez a subsidiária local da Renault com o lançamento
do Dacia Logan, ao preço de 5.000 euros, cerca de 18.000
reais. Na Europa Ocidental, um carro básico não custa
menos que o dobro desse valor. A repercussão foi tal que
a Renault já prometeu vender o Logan também na França
e em países vizinhos. Três semanas atrás, durante
o Salão do Automóvel de Paris, o vice-presidente da
montadora, Pierre-Alain de Smedt, anunciou a produção
do veículo no Brasil e na Argentina, dentro de três
anos.
Com a compra
da montadora romena Dacia, cinco anos atrás, a Renault planejava
ganhar uma fatia do mercado dos países emergentes. A empresa
criou o Logan com base em projeções que indicam potencial
de crescimento do poder de consumo fora dos Estados Unidos, do Japão
e da Europa Ocidental, um mercado que hoje compra 20% dos 57 milhões
de carros vendidos anualmente no mundo. Para que fosse competitivo,
o novo modelo foi planejado com o menor custo de produção
possível.
Mesmo com
os impostos, o Logan custará nas lojas francesas 25% menos
que o Clio, hoje o carro mais barato da Renault. Apesar da economia,
o carrinho atende às rigorosas especificações
de segurança requeridas em países desenvolvidos. Em
dois anos, 380 000 unidades anuais começam a ser fabricadas
na Rússia, no Irã e no Marrocos, países de
mão-de-obra barata. A porção sul-americana
da produção ainda não está definida,
mas se prevê uma linha completa com versões
sedã, hatch, picape, furgão e perua. Brasil e Argentina
atenderão a toda a América Latina, especialmente o
México. O modelo romeno é sedã, tem cinco marchas
e motor 1.4. A versão brasileira ainda está na prancheta.
O Logan
retoma uma tradição da indústria automobilística
francesa, conhecida pelo talento para produzir carros esquisitos
mas populares. Nos últimos anos, as empresas francesas mudaram
de perfil e passaram a preferir modelos de design avançado,
caros, mas competitivos no exterior. O interesse despertado pelo
Logan mostra que o rico mercado europeu ainda tem lugar para veículos
que podem não encher os olhos de ninguém, mas também
não esvaziam o bolso do consumidor.
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