Edição 1875 . 13 de outubro de 2004

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Automóveis
O popular dos europeus

Carrinho lançado na Romênia faz
sucesso e será vendido também aos
consumidores dos vizinhos mais ricos


Neide Oliveira

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Com uma frota de apenas 12 milhões de veículos (com idade média de onze anos) e renda per capita de 1 700 dólares por ano, a Romênia só poderia chamar a atenção do mercado mundial de automóveis com um projeto muito barato. Foi o que fez a subsidiária local da Renault com o lançamento do Dacia Logan, ao preço de 5.000 euros, cerca de 18.000 reais. Na Europa Ocidental, um carro básico não custa menos que o dobro desse valor. A repercussão foi tal que a Renault já prometeu vender o Logan também na França e em países vizinhos. Três semanas atrás, durante o Salão do Automóvel de Paris, o vice-presidente da montadora, Pierre-Alain de Smedt, anunciou a produção do veículo no Brasil e na Argentina, dentro de três anos.

Com a compra da montadora romena Dacia, cinco anos atrás, a Renault planejava ganhar uma fatia do mercado dos países emergentes. A empresa criou o Logan com base em projeções que indicam potencial de crescimento do poder de consumo fora dos Estados Unidos, do Japão e da Europa Ocidental, um mercado que hoje compra 20% dos 57 milhões de carros vendidos anualmente no mundo. Para que fosse competitivo, o novo modelo foi planejado com o menor custo de produção possível.

Mesmo com os impostos, o Logan custará nas lojas francesas 25% menos que o Clio, hoje o carro mais barato da Renault. Apesar da economia, o carrinho atende às rigorosas especificações de segurança requeridas em países desenvolvidos. Em dois anos, 380 000 unidades anuais começam a ser fabricadas na Rússia, no Irã e no Marrocos, países de mão-de-obra barata. A porção sul-americana da produção ainda não está definida, mas se prevê uma linha completa – com versões sedã, hatch, picape, furgão e perua. Brasil e Argentina atenderão a toda a América Latina, especialmente o México. O modelo romeno é sedã, tem cinco marchas e motor 1.4. A versão brasileira ainda está na prancheta.

O Logan retoma uma tradição da indústria automobilística francesa, conhecida pelo talento para produzir carros esquisitos mas populares. Nos últimos anos, as empresas francesas mudaram de perfil e passaram a preferir modelos de design avançado, caros, mas competitivos no exterior. O interesse despertado pelo Logan mostra que o rico mercado europeu ainda tem lugar para veículos que podem não encher os olhos de ninguém, mas também não esvaziam o bolso do consumidor.

 

 

Divulgação
 
 
 
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