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Estilo
Feitas para brilhar
Concursos
são vitrine de jóias
espetaculares que nunca vão
chegar às lojas

Bel Moherdaui
Fotos Robert Schwenck
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| "Volpi",
a saia vencedora, e o resplendor "Angel" (à dir.):
ouro, coco e seda nas bandeirinhas; ouro com penas de galo
no enfeite de escola de samba |
Pode não
parecer, mas a minissaia na foto à esquerda é uma
jóia. Batizada de "Volpi" (por motivos óbvios para
quem já viu os quadros de bandeirinhas de São João
do pintor), ela é feita com 420 gramas de ouro, casca de
coco e seda. Criação da mineira Fernanda Barcellos,
a peça foi a vencedora de um concurso promovido pela mineradora
sul-africana AngloGold Ashanti no Brasil, encerrado na semana passada.
Fernanda, como a maioria dos competidores dos concursos do gênero,
trabalha com jóias há anos e adora a rara oportunidade
de jogar para o alto a fôrma do dia-a-dia da oficina. Às
vezes, a criatividade reprimida redunda em exageros formais, mas
também pode produzir momentos de beleza pura, sem preocupação
com a viabilidade comercial. "Peça de concurso é o
inusitado, o que sai do comum. Você tem de viajar mesmo",
diz a designer Cláudia Lamassa, criadora do resplendor (como
é chamado o enorme adorno de penas que encima os ombros das
beldades das escolas de samba) "Angel", inspirado no barroco brasileiro,
com penas de ouro presas a penas de galo que chacoalham ao menor
movimento. "Pode acontecer de alguém querer comprar um igual.
Mas o mais provável é que ele seja transformado em
algo mais comercial, talvez uma gola de ouro, um colar com menos
penas, um brinco", explica Cláudia.
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| "Samambaia": as folhas
de ouro em três cores montadas no adorno de cabeça
devem chegar às joalherias na forma mais comercial de
brincos |
Brincos
são justamente a transmutação mais imediata
do desenho que resultou na "Samambaia", um magnífico arranjo
de cabeça feito de ouro branco, amarelo e vermelho que os
designers paulistas Guilherme Marin e Carlos Godoy inscreveram no
mesmo concurso. É uma peça conceitual, que foge da
joalheria tradicional", diz Marin. Entusiasmados com a oportunidade
de brilhar e tornar conhecidos nomes que até recentemente
não passavam da porta das pequenas ourivesarias espalhadas
pelo interior do Brasil , muitos designers se tornaram assíduos
de concursos mundo afora. Com freqüência, ficam entre
os finalistas de competições patrocinadas pela indústria
do ouro e das pedras preciosas. "Nosso design é abusado.
Não temos uma tradição a seguir, então
podemos ousar mais", analisa a designer Marga Premen, de Belo Horizonte,
vencedora em 2000 do concurso da mineradora de diamantes De Beers.
A multiplicação de concursos, além de estimular
a criatividade dos joalheiros, tem o propósito de atiçar
o desejo de consumo de jóias na população,
em baixa desde que eletrônicos, canetas, bolsas e sapatos
invadiram o universo dos objetos caríssimos que tanta gente
sonha ter. "Ninguém mais acorda pensando em comprar um anel
de ouro. Já um celular...", suspira Fernanda, a criadora
da saia Volpi. O resultado dessa mudança nos padrões
de consumo é que, se na década de 90 cerca de 80%
de todo o ouro produzido no mundo virava jóia, hoje esse
número gira em torno de 60%. "Promovendo concursos e premiando
designs arrojados, queremos garantir que a demanda por ouro para
jóias se mantenha", diz Roberto Carvalho Silva, diretor-presidente
da AngloGold para a América do Sul. Se não funcionar
no faturamento, pelo menos ajuda a sonhar.
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