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Venezuela
Chávez quer censura
A exemplo do que pretendeu o PT,
Chávez propõe leis para controlar
a imprensa venezuelana
AP
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| O presidente Hugo Chávez: ameaça
a emissoras de rádio e de TV que criticarem o governo
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O Brasil e a Venezuela são países com realidades políticas
diferentes, apesar do namoro diplomático entre o governo
do PT e o presidente Hugo Chávez. Aqui, há um governo
eleito sem truques e uma democracia sem adjetivos. Lá, Chávez
mexeu na Constituição para ampliar o próprio
mandato e a democracia não é a clássica, mas
uma variante local chamada de "bolivariana". Um ponto em comum entre
os dois governos tornou-se agora evidente: a vontade autoritária
de controlar a imprensa e a produção cultural de seus
respectivos países. O presidente venezuelano enviou neste
mês um projeto de lei para colocar sob controle do Estado
a programação das estações de televisão
e rádio. Batizada de "lei da mordaça" pela oposição,
que tomou de empréstimo o nome de uma legislação
brasileira, a medida prevê a criação de um órgão
estatal para julgar o que vai ao ar e punir as emissoras pelo que
divulgarem.
Em tese, como está escrito na exposição
de motivos, Chávez pretende "preservar a população
infantil, incentivar a produção audiovisual nacional
e melhorar a qualidade do rádio e da televisão". Na
prática, o objetivo de Chávez é o de amordaçar
uma das poucas instituições que escapam ao seu controle.
"Como a maioria dos venezuelanos se informa pelo rádio e
pela TV, a medida nada mais é do que censura", disse a VEJA
Marcelino Bisbal, professor de comunicação da Universidade
Católica Andrés Bello, de Caracas. Os critérios
propostos de classificação dos noticiários,
por exemplo, são tão subjetivos que o governo venezuelano
teria o direito de, a seu bel-prazer, dizer o que poderia ou não
ir ao ar.
O projeto chavista lembra (a oposição
venezuelana diz que até copia) duas propostas recentes do
Palácio do Planalto cujo objetivo era o de restringir a liberdade
de expressão. São elas a autarquia para fiscalizar
e punir jornalistas e a agência nacional de cinema, com poderes
para determinar o conteúdo da televisão brasileira.
Ambos os governos querem entregar a um órgão burocrático
o direito de julgar o que é bom para o público e,
dessa forma, controlar o fluxo de informações. Mas,
felizmente para os brasileiros, prevaleceram as diferenças
existentes entre os dois países. No Brasil, a reação
negativa fez o governo recuar nas propostas de cercear a liberdade
de expressão. Na Venezuela, Chávez conta com confortável
maioria na Assembléia Nacional. É uma bancada que
aprova sem pestanejar tudo aquilo que o presidente propõe.
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