Edição 1876 . 20 de outubro de 2004

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Moda
Armadilhas de verão

Bata, saia rodada, shortinho: as roupas
do momento exigem cuidados especiais

 
AFP

MISTURA DE ESTAMPAS

A FAVOR: visual moderno, com personalidade; se bem-feita, um atestado de estilo


CONTRA: mal combinada, vira um desastre

DICAS: as cores e os padrões têm de "conversar" entre si; listas e pois são um par infalível; uma das estampas deve ser dominante

SEMPRE: usar acessórios sem detalhes – ou nenhum

NUNCA: optar por uma estampa desproporcional ao seu tamanho


Foto: modelo Prada, Milão

Por que mulheres normalmente no domínio de suas faculdades mentais usariam roupas que deixam as gordas mais volumosas, as magras mais esqueléticas, as baixas mais comprimidas? Porque está na moda, oras. Algumas dessas roupas podem ser vistas tanto nas vitrines das lojas brasileiras quanto – em nova prova da persistência dos estilistas – nos últimos desfiles internacionais, para desalento das mulheres que acumulam mais idade, mais peso e menos altura do que recomenda seu uso. São elas, por ordem de dificuldade: a batinha vaporosa, a mistura de estampas, o short "de sair" e, desafio dos desafios de brasileiras cadeirudas, a saia rodada. "São, todos, estilos muito jovens. Mulheres acima de 35 anos devem tomar muito cuidado para não ficar infantis demais, meio bobinhas com essas roupas", alerta Débora Gelman, consultora de moda e estilo em São Paulo.

A bata decotada, justa no busto e franzida para baixo, que desde o verão passado freqüenta guarda-roupas informais e de festa também, está estourando nessa temporada. Para as grávidas, é uma bênção dos deuses da moda – a apresentadora Angélica comprou quinze até agora. Para as jovens e esguias, também traz um toque de graciosidade, combinando à perfeição com jeans ou minissaia de cós baixo, deixando entrever uma frestinha de barriga, enxutíssima, é claro. Dois problemas acompanham a bata, porém. Um é justamente o excesso – para onde quer que se vire há uma moça vestindo uma, o que cria a impressão de que está todo mundo de uniforme. Outro é seu uso com o propósito de disfarçar gorduras mais alentadas, o que geralmente produz o resultado oposto: destaca o que pretende esconder. Sim, até batas se encaixam na fatídica exigência: ficam bem em quem está no peso certo. "As mais fáceis de usar são as de tecido molinho, que cai com fluidez", aconselha a consultora de imagem Ilana Berenholc.

 
AP

BATA

A FAVOR: disfarça gordurinhas ligeiras no torso e abdômen; é graciosa e leve, ideal para o verão

CUIDADO: não pode ser larga demais

CONTRA: destaca qualquer excesso de gordura, engrossa a silhueta e pode ser confundida com gravidez inexistente

SEMPRE: com calça bem justinha

NUNCA: com saião ou calça larga – cria um excesso de volumes

Foto: modelo Ungaro, Paris

Bem mais complicado é compor de forma harmoniosa a mistura de estampas aparentemente descombinadas, outra tendência que os estilistas sempre jogam na passarela, com grande efeito, mas que agora está chegando de fato à moda da vida real. Nesse caso, vale um recurso que as mulheres não adquirem, nascem com ele: o olho clínico. "Misturar cores e estampas exige personalidade e coragem", diz Emanuela Carvalho, professora de produção de moda do Senac em São Paulo. "O segredo é produzir um certo caos, mas um caos harmônico." Na dúvida (e dúvidas, com certeza, não faltarão), opte por comprar peças em que a mistura já vem pronta. O shortinho, por assim dizer, social (diferente do que se usa para ir à praia ou a um churrasco em família) já requer discernimento próprio em todas as circunstâncias. A recomendação é que seja usado em festas, à noite, com salto alto, casaquinho acinturado e, principalmente, o acessório indispensável: pernas jovens e perfeitas. Portanto, se tiver mais de 25 anos, pense bem. Igual conselho vale para aquelas que cogitarem usar saia rodada, mas não tiverem a silhueta longilínea de Adriane Galisteu ou a figura de bonequinha de Débora Falabella, que está ajudando a propagar o modismo em razão dos graciosos figurinos escolhidos por Beth Filipeck para a personagem Maria Eduarda, de Senhora do Destino. "A saia rodada tem força horizontal e, portanto, achata a silhueta", diz Emanuela Carvalho. Se não puder mesmo resistir, experimente um franzido bem leve, complementado por uma blusa justinha. Daí, olhe-se no espelho. À menor lembrança de uma capa de bujão de gás, troque tudo imediatamente. E espere, com calma, passar a onda que a estilista italiana Miuccia Prada desencadeou e o mundo copiou. Não será a primeira vez: era exatamente essa roupa que as avós das garotas hoje às voltas com suas primeiras saias rodadas usavam nos anos 50.

 
Reuters

SAIA RODADA

A FAVOR: nada. Apenas as de tecido leve e volume quase imperceptível podem ser tentadas pelas mulheres normais – as com quadris. O comprimento correto é logo abaixo do joelho

CUIDADO: só mulheres altas devem se arriscar. As baixinhas ficam parecendo abajur

SEMPRE: com top justinho. De dia, sandália rasteira; à noite, sandália com salto ou sapato idem, de bico arredondado

NUNCA: exagerar no tom "anos 50"

Foto: modelo Dries Van Noten, Paris

 

AP

SHORT SOCIAL

A FAVOR: é jovem, moderno e combina com o verão. Mais apropriado onde há vista para o mar. Baixinhas, aproveitem – alonga o visual

CONTRA: requer, sob pena de prisão, pernas naturalmente firmes, bem torneadas e sem marcas. Fatal para maiores de 25

SEMPRE: com sapato alto e camisa ou casaquinho acinturado, se a ocasião é de festa

NUNCA: curto demais, justo demais, baixo demais. No local de trabalho, só se você for VJ

Foto: modelo Christian Lacroix, Paris

 
 
 
 
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