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Ambiente Darwin
não reconheceria O
ecossistema de Galápagos
está sendo prejudicado pelo
hábito chinês de comer barbatanas
de tubarão
A China é o maior consumidor mundial de ingredientes provenientes de espécies
selvagens. O consumo de ossos de tigre, pó de chifre de rinoceronte e bexiga
de urso ajudou a dizimar as populações desses animais nas matas
do Sudeste Asiático. Agora, os hábitos alimentares dos chineses
estão ameaçando um dos maiores paraísos naturais do mundo,
o Arquipélago de Galápagos, no Equador. Os pescadores desse conjunto
de ilhas do Oceano Pacífico onde Charles Darwin coletou as evidências
para desenvolver a teoria da evolução, no século XIX
vendem ao mercado chinês barbatanas de tubarão por 60 dólares
o quilo. A sopa feita com o produto é considerada um poderoso afrodisíaco
e é servida em casamentos tradicionais na China. Uma porção
individual da especialidade chega a custar 100 dólares em restaurantes
da Ásia. O crescimento econômico da China nos últimos anos
fez a demanda de barbatana aumentar em 5% ao ano. Em Galápagos, um dos
poucos lugares do mundo que concentram grandes cardumes de doze espécies
do predador marinho, a pesca ilegal de tubarão cresceu exponencialmente.
Em 1996, foram apreendidas 2.600 barbatanas. No ano passado, esse número
subiu para 5.000. E só em janeiro deste ano foram confiscadas 2.200 peças.
Os instrutores locais que levam turistas para mergulhar entre tubarões-baleia
e tubarões-martelo já perceberam uma redução no tamanho
dos cardumes desses animais.
Calcula-se que sejam mortos por ano 100 milhões de tubarões no mundo,
a maior parte para atender aos mercados chinês e japonês de barbatanas.
Pelo porto de Hong Kong passam 20.000 toneladas anuais do produto. Na semana passada,
a ONU incluiu o grande tubarão-branco na lista de espécies que podem
entrar em extinção caso seu comércio não seja controlado.
Não há evidências científicas de que nadadeiras de
tubarão influenciem o problema de potência sexual. Essa é
uma crença difundida pela medicina tradicional da China, que atribui a
comidas exóticas a cura de doenças tão variadas quanto câncer,
asma e artrite. Mais de 1.500 espécies de animais são consideradas
farmácias ambulantes. E são inúmeras as especialidades que
supostamente têm efeito afrodisíaco. Os chineses pagam caro pelo
que acreditam ser viagras naturais, como chifre de búfalo selvagem, sangue
fresco de cobra, patas de tartaruga marinha, pênis de tigre, olhos de primata
e carne de gato selvagem. A demanda por afrodisíacos faz com que 20 milhões
de cavalos-marinhos secos sejam consumidos anualmente na China. Galápagos
é a nova vítima da esquisitice gastronômica. Além dos
tubarões, os asiáticos compram, por ano, 4 milhões de pepinos-do-mar
retirados do arquipélago. Sim, eles também são ótimos
contra a impotência, diz a crença chinesa. |