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Perfil
O caubói número 1
O brasileiro Adriano Moraes é bicampeão
de montaria de touros e ídolo nos rodeios
dos Estados Unidos

Gabriela Carelli
Adilson Silva/Foto Perigo
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| Moraes em Jaguariúna, uma das etapas
da liga mundial: o segredo é "dançar"
com o bicho |
Quando ele sobe no lombo de um touro, a platéia
fica eletrizada e explode em entusiasmo. Se o rodeio é no
Brasil, ela grita: "Seguuura peão!". Nos últimos anos,
porém, com cada vez mais freqüência, a saudação
que se ouve é "Mou-rais! The Phenomenon!". É assim,
chamando-o de "fenômeno", que os americanos se dirigem a Adriano
Moraes, o vaqueiro que saiu de Matão, no interior do Estado
de São Paulo, para se tornar um dos caubóis mais bem-sucedidos
dos Estados Unidos e do mundo. Aos 34 anos, ele já foi duas
vezes campeão da Professional Bull Riders (liga mundial de
rodeios que concentra os 800 melhores montadores de touro). Além
disso, detém o título de segundo caubói que
mais acumulou prêmios em dinheiro em sua modalidade
2 milhões de dólares e trinta carros. Para completar,
figura no livro Guinness dos recordes como um dos três
vaqueiros que conseguiram dominar dez touros numa mesma competição.
No fim deste mês, Moraes talvez amplie consideravelmente sua
glória. Até agora líder do campeonato mundial
de montaria de touros de 2004, ele pode conseguir o título
inédito de tricampeão do mundo se vencer o torneio
de Las Vegas.
Divulgação
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| O ídolo fora da arena: as mulheres
o chamam de "bonitão de Hollywood" |
A montaria em touros é a mais perigosa das modalidades de
um rodeio. O objetivo é permanecer oito segundos em cima
de um animal que pesa mais de 1 tonelada, pula, sacode, rodopia,
esperneia e tenta chifrar o intruso sem piedade. Poucos conseguem
domar a fera. "Moraes tem uma técnica excepcional. Em vez
de usar só a força, ele dança junto com o bicho",
diz o americano Don Gay, ex-campeão mundial dessa especialidade.
Por causa desse sucesso, nos rodeios, que costumam reunir em média
30.000 pessoas, o público costuma
fazer filas para conseguir um autógrafo do peão e
acorre a comprar as roupas e acessórios que levam sua marca
e são postos à venda junto à porta de saída
ele ganha 15% sobre cada peça. Quase sempre de camisa
preta, calça jeans, chapéu e botas de couro de elefante,
que custam até 10.000 dólares
o par, ele também costuma fazer sucesso com o público
feminino. Entre as mulheres, por causa de sua pinta de galã,
o moreno de traços finos e olhos esgazeados tem outro apelido:
"Bonitão de Hollywood". Há quem viaje até Las
Vegas só para ver a estátua de Adriano exposta no
cassino Caesars Palace um monumento de 4 metros de altura
esculpido em bronze.
Moraes conquistou o mundo dos caubóis
com talento e boa dose de perseverança. Ainda criança,
trocou Matão por Quintana, também em São Paulo,
onde seu pai foi trabalhar como administrador de fazenda. Lá,
fazia de tudo: tirava leite de vaca, dirigia trator e colhia tomate.
"Montava de farra, em bezerros", conta. Aos 16 anos, assistiu ao
primeiro rodeio e decidiu arriscar. Participou de três deles
sem grande sucesso. No quarto, conquistou o segundo lugar. "Oito
segundos sobre o touro e faturei nove salários mínimos,
nove vezes mais do que em um mês na fazenda", ele lembra.
"Adorei a festa, as princesas ficaram atrás de mim... não
tive dúvidas: decidi ser peão."
Sua primeira viagem à terra dos caubóis
foi em 1992, por iniciativa própria. "Consegui patrocínio
de um frigorífero para pagar as passagens. Queria ver de
perto os peões americanos. Falavam que eles tinham até
jatinho", conta. Em vez de glamour, ele encontrou uma outra realidade.
"No Brasil, rodeio é festa, é bagunça. Nos
Estados Unidos, é profissão. Fiquei três meses
e trabalhei como nunca", recorda. Dois anos depois, Moraes recebeu
um convite de um empresário americano. Não só
conseguiu fama e dinheiro como abriu as portas para outros brasileiros
que hoje fazem sucesso nos rodeios americanos. Entre eles está
Ednei Caminhas, que já ganhou um campeonato mundial da liga
Professional Bull Riders em 2002 e está entre os vinte primeiros
colocados no torneio deste ano. Além de Caminhas, outros
quatro brasileiros conseguiram entrar para a liga dos montadores
profissionais.
Casado com Flávia e pai de quatro filhos,
Moraes tem fama de ser cauteloso com o dinheiro que ganha. Depois
do sucesso, comprou uma fazenda de 130 acres em Cachoeira Paulista,
onde investe em gado. Mora numa casa em Keller, no Texas, onde tem
um "quintalzinho de meio alqueire" com três cavalos. "Não
há nada melhor que escovar meus bichos para passar o tempo
ou sair para laçar na casa dos amigos nos dias de folga",
diz. Ele também divide o tempo entre treinos, visitas à
igreja (ele doa de 15% a 30% do que ganha a uma confissão
católica) e tarefas domésticas. "Até lavo louça,
mas não pago empregada doméstica de jeito nenhum.
Elas aqui nos Estados Unidos saem muito caro", afirma o peão.
Talvez ele mude de idéia se vencer em Las Vegas o campeonato
de 2004, o que significará mais 1 milhão de dólares
em sua conta bancária.
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O reino de Adriano Moraes
O caubói brasileiro já
ganhou 2 milhões de dólares e
30 carros como prêmio em rodeios nos Estados
Unidos
Tem 16 produtos licenciados
com seu nome (jaquetas, camisetas, bonecos etc.) e ganha
15% sobre a venda de cada um deles
Divulgação
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De 15% a 30% de tudo o que ganha é
doado à igreja carismática Canção
Nova
Usa botas de couro de elefante
da marca Lucchese, que custam até 10 000 dólares
o par
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