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Bebida Potável
e nacional Espumante fabricado na Serra
Gaúcha conquista prêmios no exterior  Carina
Nucci
O excesso de chuvas e a acidez do solo
distanciam a qualidade da produção de vinhos tintos na serra do
Rio Grande do Sul da excelência das clássicas regiões vinícolas
do mundo. Essas características impedem que a uva amadureça e fique
doce o suficiente. Curiosamente, essas mesmas condições de clima
e solo são ideais para a produção de espumantes. E justamente
por isso o produto feito no Brasil, segundo o olfato e o paladar dos jurados de
concursos internacionais, não tem muito a dever à mesma bebida feita
em regiões mais tradicionais.
Na soma das medalhas distribuídas nas últimas edições
de Effervescents du Monde, Chardonnay du Monde e Muscats du Monde, o espumante
brasileiro ficou atrás somente do produto francês. Trata-se de um
segundo lugar cheio de honras porque a primeira colocação só
poderia ser mesmo da França, o berço do champanhe. Apenas as bebidas
produzidas em Champagne, região a leste de Paris, podem ser chamadas de
champanhe. As outras, inclusive na própria França, são proibidas
de usar essa denominação. Os italianos, argentinos e portugueses
chamam a bebida de espumante e os espanhóis, de cava.
Na serra do Rio Grande do Sul, o volume médio de chuva é de 1.800
milímetros anuais, até oito vezes mais do que nas clássicas
regiões vinícolas do mundo. "Um bom espumante depende de frescor
e aroma. Qualidades obtidas quando a uva não amadurece muito e, por isso,
não fica muito doce. É exatamente o que acontece no Sul", explica
o enólogo Antonio Czarnobay, vice-presidente da União Internacional
dos Enólogos. Nos últimos
dez anos, a produção brasileira de espumante aumentou 150% e, em
2004, deve chegar à marca dos 6 milhões de litros. Foi justamente
nesse período que a área plantada de uvas como chardonnay e pinot
noir, dois tipos usados na preparação da bebida, aumentou na Serra
Gaúcha. Com matéria-prima de qualidade, os produtores passaram a
participar de competições no exterior. Em 2003, os espumantes brasileiros
ganharam 23 medalhas nos sete principais concursos internacionais realizados na
França, Inglaterra, Itália e nos Estados Unidos. Neste ano, a participação
brasileira nas mesmas competições rendeu às vinícolas
nacionais 35 medalhas. Diz Daniel Geisse, um dos proprietários da Cave
de Amadeu: "Quando o assunto é vinho tinto, existem diversas regiões
do mundo onde o produto é excelente. Mas, quando falamos em espumantes,
são raros os lugares onde se obtém um produto de alta qualidade".
Foto
Photodisc
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