Edição 1876 . 20 de outubro de 2004

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Do decálogo do bom corruptor


I
Nunca ninguém perdeu dinheiro investindo na desonestidade.


II

Só louco rasga dinheiro? Bobagem. Nem louco rasga dinheiro. Experimente jogar uma nota de cinqüenta (ou mesmo de um!) num pátio de insanos. Vai ter briga pra pegar.


III
Como posso ser compreendido por milhões de medíocres que continuam a acreditar em caderneta de poupança?


IV
Na nota do freguês nunca esquecer de somar também o dia e o ano. Se o freguês reclamar a gente dá outra nota e põe a diferença como desconto para clientes especiais. Os bancos fazem isso o tempo todo.


V
O ser humano só aprendeu a contar depois que o dinheiro apareceu na face da Terra. O homem aprendeu a contar pra poder contar dinheiro.


VI
Lucro ilícito é precaução mínima que você tem que tomar pra não ter prejuízo.


VII
O lucro, disse o banqueiro, é minha pátria. Justificando ter se naturalizado paraguaio.


VIII
Quanto é muito? Quanto é demais? Eu, por exemplo, que moro no Rio à beira-mar, tenho carro (1998, é verdade) e como nos melhores restaurantes, me considero um homem pobre.


IX

Pra quem gosta de puxar, qualquer saco serve. Acaba sempre puxando o saco certo. O de dinheiro.


X
Quando o paciente emocionado, diante do médico que lhe salvou a vida, declarou que "não tinha como lhe pagar", o médico sábio esclareceu: "Meu filho, desde que os fenícios criaram o sistema fiduciário essa questão está plenamente resolvida".

 

 
 
 
 
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