
Do decálogo do bom corruptor
I
Nunca ninguém perdeu
dinheiro investindo na desonestidade.
II
Só louco rasga dinheiro? Bobagem. Nem louco rasga
dinheiro. Experimente jogar uma nota de cinqüenta (ou mesmo
de um!) num pátio de insanos. Vai ter briga pra pegar.
III
Como posso ser compreendido por milhões de medíocres
que continuam a acreditar em caderneta de poupança?
IV
Na nota do freguês nunca esquecer de somar também
o dia e o ano. Se o freguês reclamar a gente dá outra
nota e põe a diferença como desconto para clientes
especiais. Os bancos fazem isso o tempo todo.
V
O ser humano só aprendeu a contar depois que o dinheiro
apareceu na face da Terra. O homem aprendeu a contar pra poder
contar dinheiro.
VI
Lucro ilícito é precaução mínima
que você tem que tomar pra não ter prejuízo.
VII
O lucro, disse o banqueiro, é minha pátria.
Justificando ter se naturalizado paraguaio.
VIII
Quanto é muito? Quanto é demais? Eu, por exemplo,
que moro no Rio à beira-mar, tenho carro (1998, é
verdade) e como nos melhores restaurantes, me considero um homem
pobre.
IX
Pra quem gosta de puxar, qualquer saco serve. Acaba
sempre puxando o saco certo. O de dinheiro.
X
Quando o paciente emocionado, diante do médico que
lhe salvou a vida, declarou que "não tinha como lhe pagar",
o médico sábio esclareceu: "Meu filho, desde que
os fenícios criaram o sistema fiduciário essa questão
está plenamente resolvida".