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Cinema
O
muso de Guel
Lisbela
só funciona por
causa de Selton Mello

Isabela
Boscov
Divulgação
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| Selton,
como o vigarista Leléu: seduzindo a mocinha e o público
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É
difícil pensar em outro ator jovem, de qualquer latitude,
que tenha tanto talento quanto Selton Mello. Mello tem um timing
cômico impecável, sensibilidade e discrição
para os momentos dramáticos, simpatia irresistível
e, caso raro na sua geração, grande domínio
do uso de sua voz. Ele segura qualquer onda como se pôde
conferir em O Auto da Compadecida, em que dividia por igual
os méritos com Matheus Nachtergaele, e em Caramuru
A Invenção do Brasil. É o caso de pensar
o que seria de Lisbela e o Prisioneiro (Brasil, 2003),
o terceiro filme que o ator faz com o diretor Guel Arraes, sem ele.
Ou, indo mais além, o que seria do cinema de Arraes em geral
sem um intérprete tão apto a traduzir e enriquecer
o seu estilo. No filme que estréia nesta sexta-feira no país,
Lisbela (Débora Falabella) é uma jovem sonhadora que
todos os dias vai ao cinema em companhia do noivo metido e ignorante
ver velhos seriados de romance e aventura. Lisbela conhece todas
as regras desse gênero de ficção o que
gosta é de ver como serão aplicadas em cada novo episódio.
À medida que ela vai explicando essas convenções
para o noivo, vê-se que elas servem de guia também
para entender os caminhos que vai tomar a sua paixão por
Leléu (Mello), um vigarista bom-caráter que vive de
expedientes pelas cidadezinhas do Nordeste. Por causa de Lisbela,
o conquistador serial Leléu pela primeira vez vai deixar
de amar todas as mulheres a um só tempo para amar uma mulher
só, o tempo todo. Mas seu passado está em seu encalço,
na forma do matador Frederico Evandro (Marco Nanini), que quer vingar
a traição de sua mulher (Virginia Cavendish).
Cada
novo lance dessa história adaptada da peça
homônima de Osman Lins é anunciado por uma cena
dos velhos seriados (filmados por Arraes) a que Lisbela assiste.
A proposta é entreter e ao mesmo tempo homenagear o cinema
e as emoções, baratas ou não, que ele é
capaz de provocar. Mas o resultado fica pelo meio do caminho. Nem
os falsos seriados são tão interessantes assim, nem
ajudam como deveriam a prefaciar as situações que
os personagens vão viver. Não raro, aliás,
atrapalham. Como os outros dois filmes do diretor, Lisbela
já teve uma adaptação televisiva (e foi também
uma montagem teatral de sucesso). Também como neles, o que
dá a liga aqui são o humor de Arraes e o seu bom olho
e ouvido para os coloridos regionalistas. Mas não há
dúvida de que o saldo parece mais forçado, e menos
divertido, do que no ótimo Compadecida.
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