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Cultura
Tolice
instantânea
A
idéia acabou de surgir, e
não deu outra: os brasileiros
já aderiram às "flash mobs"
AP
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| A
primeira "aglomeração instantânea"
em São Paulo: sapatadas no asfalto |
A internet
tem uma capacidade infinita para dar origem a bobagens, e o brasileiro
ainda não se livrou daquele instinto irrefreável de
copiar tudo o que pareça "atitude" (na acepção
Madonna da palavra). Assim, não podia dar outra: depois de
virar moda nos Estados Unidos e na Europa, a organização
de "flash mobs", ou aglomerações instantâneas,
já começa no Brasil. A coisa funciona assim: um grupo
se reúne num espaço público, realiza conjuntamente
alguma ação rápida como bater palmas ou executar
um passinho de dança e, em questão de minutos, se
dispersa. As flash mobs são organizadas por meio de uma corrente
de e-mails o que garante o seu pedigree pós-moderninho.
A estréia brasileira ocorreu em São Paulo, na quarta-feira
passada. Cerca de 100 pessoas se reuniram numa esquina da Paulista
e, ao primeiro sinal verde depois das 12h40, começaram a
atravessar a avenida. Pararam subitamente, arrancaram um sapato,
bateram com ele no chão e depois seguiram em frente. No meio
do troço, alguns participantes exibiram cartazes com dizeres
favoráveis à troca de músicas pela internet
("Contra burguês, baixe MP3"). Para os puristas, contudo,
isso foi uma desvirtuação de propósitos: a
legítima aglomeração instantânea, dizem
eles, não tem pretensões políticas de natureza
alguma, sendo antes de mais nada celebrações do nonsense.
Reuters
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| Flash
mob em Nova York: a burrice tem um passado glorioso e um futuro
promissor |
A
idéia das aglomerações instantâneas começou
a se difundir a partir de Nova York nos últimos dois ou três
meses. Para quem acha que é uma novidade extraordinária
(e ela já conta até com teóricos), é
preciso lembrar que se trata de uma diluição de um
fenômeno dos anos 60 e 70: os happenings. Num happening, as
pessoas reuniam-se, no mais das vezes sem nenhuma preparação,
para fazer uma performance com sentido político-cultural
(ou contracultural, vá lá). O fato de uma aglomeração
instantânea ser tão mais autêntica quanto mais
desprovida de significado mostra que não só o Brasil,
mas o mundo, segue o caminho previsto pelo ex-ministro Roberto Campos.
A saber: o da burrice. Que tem um passado glorioso e um futuro promissor.
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