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Naufrágio
Nova
destruição
Excesso de turistas pode acabar com o que
sobrou do Titanic, no fundo do Atlântico
O
Titanic permaneceu intocado por sete décadas, até
ser localizado, a 3.800 metros de profundidade, no Atlântico
Norte, em 1985. Mas foi depois do sucesso do filme que conta sua
saga, um campeão de bilheteria lançado em 1997, que
os destroços se transformaram em atração turística
submarina. Desde 1998, uma centena de turistas acomodados a bordo
de minissubmarinos visitou o transatlântico e deixou por lá
sinais de sua passagem. Em meio a porcelanas, garrafas de champanhe
e restos da mobília suntuosa do navio espalhados pelo fundo
do mar encontram-se agora garrafas de cerveja e de refrigerante
atiradas dos navios ancorados na superfície, uma dúzia
de placas fúnebres em homenagem às vítimas,
flores artificiais, restos de redes de carga, pedaços de
corrente, cordas e até partes de um submarino-robô
que se espatifou contra o navio.
Há
dois meses, a Administração Nacional para Oceanos
e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) mandou uma equipe avaliar
o estado dos destroços do transatlântico. Na volta,
foi elaborado um relatório alarmante: o impacto da visita
contínua de turistas e exploradores de naufrágios
está acelerando o processo natural de decomposição
da embarcação. Além dos turistas, descem regularmente
aos destroços, localizados em águas internacionais,
expedições de filmagem e de recuperação
de objetos, que muitas vezes abrem novos rombos no casco. Estima-se
que desde a descoberta do Titanic no fundo do mar tenham
sido retiradas 6.000 peças do local. Mantido o ritmo de degradação,
é possível que os últimos vestígios
do navio sumam em trinta anos. Os passeios ao Titanic são
realizados uma vez ao ano por uma empresa inglesa chamada Deep Ocean
Expeditions, durante o verão no Hemisfério Norte.
Custam 36.000 dólares por pessoa.
Os passageiros, em média vinte por viagem, partem da costa
canadense, no navio oceanográfico russo Akademik Keldysh.
A embarcação carrega dois minissubmarinos a bordo:
Mir 1 e Mir 2. São aparelhos de apenas 7 metros
de comprimento por 3 de largura. O passeio leva onze horas, das
quais três são dedicadas a esquadrinhar os destroços
de ponta a ponta. A escuridão é total àquela
profundidade e o fundo só é visível com a ajuda
dos potentes holofotes dos submarinos. O navio partiu-se em dois
ao afundar, depois de se chocar com um iceberg em sua viagem inaugural.
Os destroços espalharam-se por uma área com aproximadamente
1 quilômetro de comprimento. "O cenário é impressionante.
Eu sempre li tudo sobre o Titanic, mas fiquei chocado quando
vi as reais proporções do navio", diz o americano
Bob Williams, um empresário de 60 anos que visitou o Titanic
no ano passado. "É uma experiência inesquecível,
e não consigo imaginar nada que se compare a isso."
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