Edição 1816 . 20 de agosto de 2003

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Naufrágio
Nova destruição

Excesso de turistas pode acabar com o que
sobrou do Titanic, no fundo do Atlântico


DOS ARQUIVOS DE VEJA
A volta do Titanic (11/03/1985)
Visitante submarino (30/7/1986)
DA INTERNET
RMS. Titanic Inc.
Titanic Historical Society
Titanic — Enciclopédia Britânica

O Titanic permaneceu intocado por sete décadas, até ser localizado, a 3.800 metros de profundidade, no Atlântico Norte, em 1985. Mas foi depois do sucesso do filme que conta sua saga, um campeão de bilheteria lançado em 1997, que os destroços se transformaram em atração turística submarina. Desde 1998, uma centena de turistas acomodados a bordo de minissubmarinos visitou o transatlântico e deixou por lá sinais de sua passagem. Em meio a porcelanas, garrafas de champanhe e restos da mobília suntuosa do navio espalhados pelo fundo do mar encontram-se agora garrafas de cerveja e de refrigerante atiradas dos navios ancorados na superfície, uma dúzia de placas fúnebres em homenagem às vítimas, flores artificiais, restos de redes de carga, pedaços de corrente, cordas e até partes de um submarino-robô que se espatifou contra o navio.

Há dois meses, a Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) mandou uma equipe avaliar o estado dos destroços do transatlântico. Na volta, foi elaborado um relatório alarmante: o impacto da visita contínua de turistas e exploradores de naufrágios está acelerando o processo natural de decomposição da embarcação. Além dos turistas, descem regularmente aos destroços, localizados em águas internacionais, expedições de filmagem e de recuperação de objetos, que muitas vezes abrem novos rombos no casco. Estima-se que desde a descoberta do Titanic no fundo do mar tenham sido retiradas 6.000 peças do local. Mantido o ritmo de degradação, é possível que os últimos vestígios do navio sumam em trinta anos. Os passeios ao Titanic são realizados uma vez ao ano por uma empresa inglesa chamada Deep Ocean Expeditions, durante o verão no Hemisfério Norte. Custam 36.000 dólares por pessoa.

Os passageiros, em média vinte por viagem, partem da costa canadense, no navio oceanográfico russo Akademik Keldysh. A embarcação carrega dois minissubmarinos a bordo: Mir 1 e Mir 2. São aparelhos de apenas 7 metros de comprimento por 3 de largura. O passeio leva onze horas, das quais três são dedicadas a esquadrinhar os destroços de ponta a ponta. A escuridão é total àquela profundidade e o fundo só é visível com a ajuda dos potentes holofotes dos submarinos. O navio partiu-se em dois ao afundar, depois de se chocar com um iceberg em sua viagem inaugural. Os destroços espalharam-se por uma área com aproximadamente 1 quilômetro de comprimento. "O cenário é impressionante. Eu sempre li tudo sobre o Titanic, mas fiquei chocado quando vi as reais proporções do navio", diz o americano Bob Williams, um empresário de 60 anos que visitou o Titanic no ano passado. "É uma experiência inesquecível, e não consigo imaginar nada que se compare a isso."

 
 
 
 
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