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Comércio
Eles
venceram
Estados
Unidos e União Européia
se unem para manter barreiras
a produtos agrícolas

Leandra
Peres
Diplomatas
dos Estados Unidos e da União Européia se uniram na
semana passada para, mais uma vez, reafirmar seu protecionismo na
área agrícola. O comunicado conjunto divulgado em
Genebra sugere na aparência um abrandamento das restrições
aos produtos dos países emergentes e pobres. Ledo engano.
O documento fala em reduzir tarifas, mas não explica quando
nem como se pretende fazê-lo. Promete cortar subsídios,
mas não fala em sua eliminação. Garante que
a multibilionária ajuda do governo aos produtores locais
também vai cair, mas não fixa um teto nem uma data.
Desta vez, americanos e europeus inventaram também nova maneira
de barrar o acesso de países com agricultura competitiva
a seus mercados. Propuseram criar a categoria das nações
com grande superávit na balança comercial, que não
teriam acesso aos benefícios da redução tarifária,
mesmo que um dia ela venha a se concretizar. Ou seja, só
concordam em baixar o protecionismo para países pequenos
que, obviamente, não ameaçam seus mercados. Aqueles
que são competitivos e podem ganhar mercado dos produtores
locais caso de Brasil, China, Índia, Argentina
ficariam de fora.
A
proposta foi classificada pelo ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, como "insuficiente e insatisfatória".
O embaixador brasileiro na Organização Mundial do
Comércio, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, reconhece que
as negociações ficam mais difíceis depois do
acordo. "É necessário resolver não só
os problemas deles, mas levar em conta as preocupações
de outros países", diz o embaixador. As barreiras comerciais
impostas pelos países ricos custam ao Brasil 10 bilhões
de dólares por ano. A sobretaxa ao suco de laranja, por exemplo,
chega a 56% sobre o valor de venda para os Estados Unidos. Na União
Européia, além da tarifa de 33,6%, há cota
de importação. O frango americano só chega
ao mercado internacional por 700 dólares a tonelada porque
o governo paga 300 dólares de subsídio. A União
Européia gastou 236 milhões de euros ajudando os produtores
de ovos, aves e suínos em 2000. Na lista dos produtos brasileiros
afetados pelo protecionismo ainda estão soja, carne, frutas
e vegetais, açúcar, fumo e aço.
O
resultado das negociações entre Estados Unidos e União
Européia era aguardado com ansiedade. Esperava-se que a proposta
conjunta pudesse destravar as negociações da rodada
de liberalização do comércio mundial, que tem
novo round em setembro, no balneário mexicano de Cancún.
O documento da semana passada não encerra as discussões,
mas aumenta significativamente os riscos de fracasso no México.
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