Edição 1816 . 20 de agosto de 2003

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Comércio
Eles venceram

Estados Unidos e União Européia
se unem para manter barreiras
a produtos agrícolas


Leandra Peres

Diplomatas dos Estados Unidos e da União Européia se uniram na semana passada para, mais uma vez, reafirmar seu protecionismo na área agrícola. O comunicado conjunto divulgado em Genebra sugere na aparência um abrandamento das restrições aos produtos dos países emergentes e pobres. Ledo engano. O documento fala em reduzir tarifas, mas não explica quando nem como se pretende fazê-lo. Promete cortar subsídios, mas não fala em sua eliminação. Garante que a multibilionária ajuda do governo aos produtores locais também vai cair, mas não fixa um teto nem uma data. Desta vez, americanos e europeus inventaram também nova maneira de barrar o acesso de países com agricultura competitiva a seus mercados. Propuseram criar a categoria das nações com grande superávit na balança comercial, que não teriam acesso aos benefícios da redução tarifária, mesmo que um dia ela venha a se concretizar. Ou seja, só concordam em baixar o protecionismo para países pequenos que, obviamente, não ameaçam seus mercados. Aqueles que são competitivos e podem ganhar mercado dos produtores locais – caso de Brasil, China, Índia, Argentina – ficariam de fora.

A proposta foi classificada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como "insuficiente e insatisfatória". O embaixador brasileiro na Organização Mundial do Comércio, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, reconhece que as negociações ficam mais difíceis depois do acordo. "É necessário resolver não só os problemas deles, mas levar em conta as preocupações de outros países", diz o embaixador. As barreiras comerciais impostas pelos países ricos custam ao Brasil 10 bilhões de dólares por ano. A sobretaxa ao suco de laranja, por exemplo, chega a 56% sobre o valor de venda para os Estados Unidos. Na União Européia, além da tarifa de 33,6%, há cota de importação. O frango americano só chega ao mercado internacional por 700 dólares a tonelada porque o governo paga 300 dólares de subsídio. A União Européia gastou 236 milhões de euros ajudando os produtores de ovos, aves e suínos em 2000. Na lista dos produtos brasileiros afetados pelo protecionismo ainda estão soja, carne, frutas e vegetais, açúcar, fumo e aço.

O resultado das negociações entre Estados Unidos e União Européia era aguardado com ansiedade. Esperava-se que a proposta conjunta pudesse destravar as negociações da rodada de liberalização do comércio mundial, que tem novo round em setembro, no balneário mexicano de Cancún. O documento da semana passada não encerra as discussões, mas aumenta significativamente os riscos de fracasso no México.

 
 
 
 
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