Imagem da Semana
Marrom de raiva
Brown usa base, corretivo
e pó bronzeador, mas
não dá para disfarçar: está cada
vez mais derrubado

Vilma Gryzinski
John Giles/AP
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Bem que um dos mais ilustres antecessores de Gordon Brown,
o primeiro-ministro britânico, já havia avisado:
"Aquilo que antecipamos raramente se realiza; o que menos
esperamos geralmente acontece". Mas nem Benjamin Disraeli,
o plebeu vitoriano dos aforismos, teria estoicismo suficiente
para a saraivada enfrentada por Brown. As desgraças
vão do macro a crise que está tirando
o adjetivo grã do substantivo Bretanha ao micro.
A última, nessa esfera miúda, foi a de um assessor
de assessor que esqueceu num táxi a lista com dicas
de maquiagem a ser seguida por Brown. Primeiro, ninguém
entende por que gente do governo britânico vive esquecendo
coisas sigilosas em táxis (deve ser alguma coisa na
água; ou, pensando melhor, na cerveja). Segundo, causa
estranheza a ideia de que Brown se preocupe com base, corretivo
e pó bronzeador (num tom de marrom-terracota, da Guerlain,
especifica a lista). Não que este escocês de
olheiras abissais, que parece sempre saído de um encontro
inamistoso com Lorde Voldemort, não precise. Mas, depois
do excessivamente bem-falante e insinuante Tony Blair, um
dos poucos charmes de Brown era a falta de charme. Com o prestígio
de seu partido, o Trabalhista, derrubado como bêbado
depois do fechamento do pub, e uma crise de descrédito
causada pelo reembolso de despesas eticamente discutíveis
dos parlamentares, Brown pediu desculpas ao país na
semana passada. Mas o líder da oposição,
David Cameron, foi mais rápido em perceber que não
pega bem se lixar para a opinião pública nem
chamar de hipocrisia a crítica a gastos exóticos,
e mandou toda a sua bancada devolver o dinheiro. Brown ficou
bege de inveja.