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Edição 2113

20 de maio de 2009
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Marrom de raiva

Brown usa base, corretivo e pó bronzeador, mas
não dá para disfarçar: está cada vez mais derrubado


Vilma Gryzinski

John Giles/AP


Bem que um dos mais ilustres antecessores de Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, já havia avisado: "Aquilo que antecipamos raramente se realiza; o que menos esperamos geralmente acontece". Mas nem Benjamin Disraeli, o plebeu vitoriano dos aforismos, teria estoicismo suficiente para a saraivada enfrentada por Brown. As desgraças vão do macro – a crise que está tirando o adjetivo grã do substantivo Bretanha – ao micro. A última, nessa esfera miúda, foi a de um assessor de assessor que esqueceu num táxi a lista com dicas de maquiagem a ser seguida por Brown. Primeiro, ninguém entende por que gente do governo britânico vive esquecendo coisas sigilosas em táxis (deve ser alguma coisa na água; ou, pensando melhor, na cerveja). Segundo, causa estranheza a ideia de que Brown se preocupe com base, corretivo e pó bronzeador (num tom de marrom-terracota, da Guerlain, especifica a lista). Não que este escocês de olheiras abissais, que parece sempre saído de um encontro inamistoso com Lorde Voldemort, não precise. Mas, depois do excessivamente bem-falante e insinuante Tony Blair, um dos poucos charmes de Brown era a falta de charme. Com o prestígio de seu partido, o Trabalhista, derrubado como bêbado depois do fechamento do pub, e uma crise de descrédito causada pelo reembolso de despesas eticamente discutíveis dos parlamentares, Brown pediu desculpas ao país na semana passada. Mas o líder da oposição, David Cameron, foi mais rápido em perceber que não pega bem se lixar para a opinião pública nem chamar de hipocrisia a crítica a gastos exóticos, e mandou toda a sua bancada devolver o dinheiro. Brown ficou bege de inveja.



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