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Leitor
Meninos de ouro do futebol Fiquei impressionado
com os relatos feitos na reportagem "Chuteiras que valem
ouro" (13 de maio), pois eu não sabia de todo
esse "esquema" de empresários, clubes, famílias
e jogadores que existe hoje. Vejo, também, que os atletas
são brasileiros, mas os melhores times são europeus. Excelente reportagem.
Cumprimento também alguns clubes pelo trabalho que
fazem, desenvolvendo o caráter dos atletas e dando
educação a eles, preparando-os para serem cidadãos
melhores. Mas sabemos que ainda é raro esse trabalho
de excelência em formação do atleta, assim
como são raros os empresários de caráter
com compromissos sérios. Eu alerto aqueles jovens jogadores
para que, na ânsia de se tornarem astros da bola, não
comprem falsas promessas para não acabar como vítimas
de aproveitadores. O futebol brasileiro
está cada vez mais prejudicado, empobrecido. Os times
do Brasil estão perdendo o prestígio. De todos
os jogadores que vemos na seleção brasileira
atual, no máximo dois ou três ainda jogam nos
campeonatos nacionais. Será que nós ainda podemos
chamar a seleção do nosso país de "brasileira"?
As autoridades do futebol deveriam pôr um limite na
venda de jogadores ao exterior. VEJA tocou, enfim,
em um assunto que me afligia bastante: a questão da
"realidade paralela" em que vivem os jogadores de
futebol. Como estudante e filho de professores universitários,
saber que um garoto de 18 anos pode, de uma hora para outra,
ganhar milhares de dólares não me preocupava
tanto até ler a reportagem. O que me deixa estarrecido
é o fato de que a nova leva de jovens jogadores, além
de não ter definido seus interesses (ganhar dinheiro
ou viver bem, sendo reconhecidos como bons jogadores), simplesmente
não se interessa em imergir na cultura do país
onde joga e, muitas vezes, leva consigo uma falsa imagem do
Brasil para a Europa e para outros continentes. Enquanto isso,
outros jovens lutam consistentemente nas universidades na
busca incansável por conhecimento, sem o apoio de instituições
privadas e públicas. Cumprimento VEJA
e o "recém-chegado" Kalleo Coura pela fidelidade
nas palavras que usou na reportagem, imparcial e fiel ao que
foi relatado por mim.
Congresso Constata-se que
a declaração do deputado Sérgio Moraes,
relator do caso Edmar "Castelo" Moreira ("Estou
me lixando para a opinião pública"), é,
infelizmente, um retrato do que pensa a maioria dos políticos.
Em relação ao caso Edmar, a "opinião
pública", tão desprezada por Sérgio
Moraes, continua clamando por justiça e espera a punição,
mas, assim como em outros casos, somente uma mobilização
popular pode fazer essa "opinião pública"
crescer e influenciar nas decisões. Do contrário,
eles vão continuar se "lixando" para nós
("Verdades que envergonham", 13 de maio). Nem tudo é
desprezível na frase arrogante. Se ele está
"se lixando", cabe à opinião pública
usar o mesmo verbo nas próximas eleições,
lixando pelo menos 70% dos "picaretas" com mandato.
Um pouco mais do que dizia o então candidato Lula.
O slogan será: Lixa neles! É necessário
que os cidadãos brasileiros aprendam a votar. Escolham
de forma consciente, optando por alguém que de fato
trabalhe pela melhoria das condições de vida
da população. Analisem o histórico do
candidato, para não se arrepender depois. A única forma
de coibir a volta desses políticos ao poder é
acabando com a obrigatoriedade do voto. Assim, creio que só
votarão aqueles que acompanham os acontecimentos, que
realmente se interessam e têm discernimento. O nobre deputado
Sérgio Moraes tem razão ao dizer que não
importam os desmandos e as canalhices praticados por ele e
seus pares. Nós, eleitores omissos, covardes e cúmplices,
continuaremos a votar nos mesmos corruptos de sempre. Um bom
exemplo foram as eleições de 2006, em que saíram
reeleitos mensaleiros, corruptos, estelionatários e
mais uma infinidade de facínoras. Deveríamos
escolher melhor, chances não faltam, a cada dois anos
somos convocados para uma nova eleição. Cabe
a nós fazer a depuração dos que vão
dirigir este país. Tanta safadeza praticada
por tantos deputados e senadores nos faz acreditar que o documento
principal para o registro da candidatura desses parlamentares
tenha sido a certidão negativa de honestidade.
Elie Wiesel Que entrevista emocionante
(Amarelas, 13 de maio)! Tive a oportunidade de visitar um
museu em Praga em memória aos mortos no holocausto.
Nunca mais me esquecerei de uma sala com as cartinhas escritas
e desenhadas pelas crianças nos campos de concentração
e, logo abaixo, a data de sua morte: todas morreram logo em
seguida, pouco tempo após a data das cartas. Coisa
mais horrível não presenciei.
Educação Li com orgulho a
reportagem sobre a criação de uma escola de
formação de professores. O governo está
avançando e realmente se importa com o futuro da educação
brasileira. Só quem teve
o privilégio de frequentar o curso normal ou o curso
de formação de professores sabe que não
será um "reforço" de quatro meses
que dará ao formando em pedagogia os requisitos para
que ele exerça a função de professor
com uma eficaz e suficiente metodologia e prática de
ensino. A falta de professores bem formados está diretamente
ligada à extinção dos referidos cursos,
que ensinavam a ensinar.
J.R. Guzzo O sensato artigo
"É proibido proibir" (13 de maio), do eminente
J.R. Guzzo, é uma prova inconteste de que, se o presidente
Lula quisesse mudar o Brasil para melhor, o teria feito do
alto dos seus milhões de votos, quando da primeira
eleição. Lula especializou-se
nesses tipos de comentário que relativizam todas as
práticas funestas que, se não foram introduzidas
por ele e seus aliados neste país, foram por eles acentuadas.
Diogo Mainardi As obras italianas
ficam para a eternidade; já as brasileiras, além
da farofada, são banquete de formigas e vermes. Tem
gente que enche os bolsos fácil, fácil. Temos
ótimos artistas brasileiros e com dificuldade de projeção
por falta de padrinhos. Não entendo de arte, somente
gosto ou não gosto. Vik Muniz é apenas um lúdico
e irreverente, só isso. Uma heresia primitiva contra
os grandes artistas ("Mister Maker", 13 de maio). Eu gostaria de agradecer
a Diogo Mainardi pelo interesse e tradicional eloquência
com que criticou (ou elogiou, até agora não
sei) o meu trabalho ("Mister Maker", 13 de maio).
Agradeço, pois, ao Diogo, que, apesar de pessoalmente
ser uma pessoa formidável, intelectualmente é
um gabiru recalcado cuja única contribuição
para a cultura local tem sido uma constante e enfadonha reinvenção
da demagogia como forma de entretenimento. Muito obrigado
por me comparar com Mister Maker. Adoro e recomendo o programa,
especialmente para o Diogo, que, como crítico de arte,
demonstrou ser confuso e não enxergar um palmo além
de parcos estereótipos. A propósito
do artigo "Mais e menos inteiros" (6 de maio), do
jornalista Diogo Mainardi, informamos que no Hospital de Clínicas
de Porto Alegre (HCPA), após exaustiva discussão
científica, e mesmo considerando as limitações
financeiras e a insuficiência de repasses pelo sistema
público, desde abril de 2008 o Rituximab foi incluído
na seleção de medicamentos do hospital, vindo
a ser usado como parte do protocolo de tratamento quimioterápico
em todos os casos atendidos pelo SUS que preenchem critérios
clínicos (linfoma difuso de grandes células
B). Reconhecemos que, infelizmente, essa é uma realidade
de poucos hospitais públicos, sendo, no caso em questão,
viabilizado no HCPA por particularidades orçamentárias
e gerenciais da instituição, que envolvem o
aporte de outras fontes de recursos, além daqueles
repassados pelo SUS (10% de atendimento de convênios
e particulares).
Pete Earley Sempre que um órgão
de imprensa sério traz reportagem sobre doenças
mentais, está contribuindo sobremaneira para desvendar
a aura negativa que paira sobre os portadores de tais patologias.
Ao publicar a reportagem "Quando o amor de pai já
não basta" (13 de maio), VEJA nos traz a vivência
do pai de um rapaz psicótico. Pete Earley, escritor
americano, especialista no sistema judiciário de seu
país, nos deu uma verdadeira aula a respeito do drama
vivido pela família de portadores dessas doenças.
Certamente fomos todos brindados por uma visão mais
íntima do problema, desta vez dada por alguém
que sofre muito com ele. Parabéns pela publicação. Obrigado por escreverem
sobre meu livro e contarem minha história como pai.
A revista foi publicada no dia em que parti deste maravilhoso
país, e me emocionei ao lê-la. A reportagem registrou
bem o impacto emocional e as dificuldades que eu enfrentei.
Já recebi dúzias de e-mails de pessoas no Brasil
que têm uma doença mental ou de parentes com
o problema. Todos leram a entrevista. Eu não imaginava,
até chegar ao Brasil, que o ministro da Saúde
estivesse sob a influência de pessoas do movimento antipsiquiatria,
que não acreditam que as doenças mentais sejam,
de fato, doenças. Isso me deixa muito triste. Eu me
envolvi num debate com algumas delas em Brasília. É
uma tristeza, um engano mortal que meu país cometeu
nos anos 60.
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