Carta ao Leitor
Continuamos no mesmo lugar
Fotos
Roberto Vinicius/Ag. Freelancer e Emilio Pedroso/Ag. RBS/Folha
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| Rebuliço entre
os gaúchos A
governadora Yeda Crusius e a passeata que pediu o seu
impeachment: entre tucanos e petistas, o único
compromisso da revista é com a verdade |
Na edição
passada, uma reportagem de VEJA revelou o conteúdo
de gravações que indicam que a campanha eleitoral
da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, do PSDB,
foi abastecida com dinheiro de caixa dois. A fim de rebater
as evidências ali contidas, a governadora seguiu um
ritual conhecido. Convocou uma entrevista coletiva
para a qual o correspondente de VEJA, Igor Paulin, autor da
reportagem, não foi convidado e tentou desqualificar
as pessoas ouvidas pela revista. Yeda também tentou
atingir a própria VEJA, ao dizer que as gravações
citadas pela revista haviam "encontrado bom valor de
mercado" uma bobagem risível, pois VEJA
jamais pagou por qualquer informação publicada
em suas páginas editoriais. Ato contínuo, de
assessores abrigados no Palácio Piratini, sede do governo
gaúcho, começaram a partir acusações
de que a revista manipula a realidade, é antiética,
golpista e... petista! Blogs locais encarregaram-se de disseminar
tais inverdades não se sabe se a bom valor de
mercado. Na contramão, a história relatada na
reportagem, que ganha neste número uma continuação,
resultou na organização de uma passeata em Porto
Alegre, para pedir o impeachment da governadora. Boa parte
dos manifestantes era simpatizante ou integrante do PT
partido que, flagrado pela revista em diversos malfeitos,
acusa VEJA de ser... tucana!
Há exatos
dez anos, uma campanha publicitária baseou-se justamente
nas acusações de caráter partidário
e ideológico feitas à revista. Seus criadores
encadearam as seguintes frases: "A esquerda acha que
a VEJA é de direita"; "A direita, que VEJA
é esquerdista"; "Os moderados dizem que VEJA
é radical"; "Os radicais reclamam que VEJA
é moderada";
"Incrível que seja a maior revista do país,
mesmo desagradando a tanta gente". Foi uma forma bem-humorada
e exata de reafirmar o único compromisso
da revista: com a verdade, doa a quem doer, para o bem do
Brasil. Os anos passam, os governos também, os partidos
idem, mas nós continuamos no mesmo lugar. A seu lado,
caro leitor.