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CINEMA
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Era do Gelo: o visual arrasa
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A
Era do Gelo (Ice Age, Estados Unidos, 2002. Estréia
nesta sexta-feira em circuito nacional) Na primeira cena desse
desenho animado, um esquilo neurótico (e com o que se poderia chamar
de dentes-de-sabre) tenta, em vão, enterrar sua preciosa noz no
gelo duro que, 20.000 anos atrás, recobria boa parte da Terra.
Bate daqui, bate dali, ele acaba fazendo uma trinca no chão
que se espalha até provocar uma avalanche, daí um desmoronamento
e, por fim, um cataclismo de proporções épicas, bem
ao estilo dos desastres que se viam nos desenhos de Chuck Jones, o criador
do Pernalonga. O trabalho de Jones é, sem dúvida, a inspiração
para essa animação digital dirigida pelo americano Chris
Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha. No enredo, um mamute (Ray Romano)
se une a uma preguiça (John Leguizamo) e a um tigre (Denis Leary)
para devolver um bebê humano à sua tribo. Ou pelo menos isso
é o que o mamute e a preguiça pensam, já que desconhecem
os planos do seu amigo felino. A história bem que poderia ter mais
consistência, mas está longe de ser ruim. O visual e a animação
dos personagens, por outro lado, são um arraso. Há muito
com que divertir as crianças e também seus acompanhantes
adultos. É um resultado importante para o estúdio Fox, que,
depois do fracasso de Titan, abandonou suas incursões pela
animação tradicional para se concentrar no departamento
de desenhos 3D. Veja
trailer do filme.
LIVROS
Terra
e Cinzas, de Atiq Rahimi (tradução de Flávia
Nascimento; Estação Liberdade; 80 páginas; 18 reais)
A história narrada nessa pungente novela dá a dimensão
exata da terra arrasada em que se tornou o Afeganistão e
mostra que isso não é de hoje. O cenário é
a guerra civil que opôs, no início dos anos 80, tropas apoiadas
pela então União Soviética e guerrilheiros muçulmanos.
Em meio a bombardeios, um idoso perambula pelo país inóspito,
levando consigo seu neto pequeno, em busca da mina onde se encontra seu
filho. Quer lhe dar uma notícia: a família toda morreu na
guerra. Só eles sobreviveram. Escrito em dialeto persa e
de uma forma difícil, na segunda pessoa , Terra e Cinzas
carrega uma dose de emoção extra: seu autor, o jornalista
e escritor Atiq Rahimi, fala do assunto com conhecimento de causa. Ex-crítico
de cinema de um jornal de Cabul, ele fugiu do país em 1985, percorrendo
o deserto a pé, em pleno inverno, para se exilar na França.
Leia
trecho do livro.
Morte
no Seminário, de P.D. James (tradução de
Helena Londres e Angela Maria Ramalho Vianna; Companhia das Letras; 512
páginas; 35 reais) A octogenária escritora Phyllis
Dorothy James ou P.D. James é especialista naqueles
romances de detetives tipicamente ingleses. Ou seja: todas as suas histórias
têm ao menos um assassinato misterioso, cuja investigação
requer pouca ação, mas elucubrações engenhosas
de sobra. Não se deve confundi-la, contudo, com a compatriota Agatha
Christie, a mais notória expoente do gênero. P.D. tem um
estilo mais lapidado. Ela criou um personagem divertido: Adam Dalgliesh,
detetive moralista, metido a poeta e que circula num potente Jaguar. Nesse
novo romance, ele tenta elucidar a morte do filho de um ricaço
que estudava num seminário anglicano. Acaba descobrindo que, por
trás da fachada respeitável do lugar, há sujeira
aos montes.
Uma
História do Diabo, de Robert Muchembled (tradução
de Maria Helena Kühner; Bom Texto; 387 páginas; 35 reais)
Respeitado historiador francês, Muchembled acompanha as metamorfoses
da representação do diabo no Ocidente, do século
XII até o XX. "A cultura é um tecido riquíssimo,
que precisamos examinar em todos os seus fios", diz o autor. Suas fontes,
por isso, são das mais variadas: vão de textos teológicos
a canções de rock, de Fausto, do clássico
alemão Goethe, ao filme O Bebê de Rosemary, do cineasta
Roman Polanski. Na interessante abordagem de Muchembled, o demônio
não é apenas um mito religioso. Ele é um símbolo
mais poderoso. "O diabo representa a parte noturna de nossa cultura, a
antítese das grandes idéias que ela produziu. Ele encarna
o espírito de ruptura em confronto com todas as forças
religiosas, políticas e sociais que tentaram incessantemente
produzir a unidade no velho continente."
Leia trecho do livro.
DISCO
I
Am Sam, vários intérpretes (Sum) Estrelado
pelo ator Sean Penn, o filme (que no Brasil se chamará Uma Lição
de Amor) conta a história de um homem com idade mental de 7
anos e apaixonado pela música dos Beatles. Como é
praticamente impossível para um cineasta conseguir a liberação
das canções originais do quarteto de Liverpool, os produtores
da trilha chamaram vários astros do pop atual para criar novas
versões das músicas. Algumas delas soam acima da média:
Eddie Vedder, cantor do Pearl Jam, está mais contido que de costume
em You've
Got to Hide Your Love Away, a cantora Sarah McLachlan
injeta a dose certa de doçura na balada Blackbird e Nick
Cave faz de Let It Be uma música cavernosa. Outras canções,
embora não cheguem a entusiasmar, foram recriadas de maneira correta
como Two
of Us, por Aimee Mann e Michael Penn (irmão de Sean),
e Golden Slumbers, pelo pianista Ben Folds.
DVDs
United Artists
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Allen:
inspirado
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Coleção Woody Allen (Fox) Depois de um primeiro
pacote com filmes do diretor americano, a distribuidora Fox Vídeo
lança mais quatro de seus melhores trabalhos: Hannah e Suas
Irmãs, Crimes e Pecados, A Rosa Púrpura do Cairo e O
Dorminhoco. Este último é o destaque da coleção,
já que não estava disponível em vídeo no Brasil
e é uma das comédias mais inspiradas de Allen. Gagues de
cinema mudo, jazz, pastelão e os habituais diálogos afiados
do diretor se combinam na história de um sujeito que é congelado
em 1973 e acorda 200 anos depois época em que, segundo o
roteiro, a ciência já pôde comprovar que gordura, açúcar
e cigarros são o que há de melhor para a saúde. Disfarçado
de robô e com a ajuda de uma socialite cabeça-oca interpretada
por Diane Keaton, o protagonista tenta derrubar o governo totalitário
que tomou conta do mundo. O problema do pacote é que não
há nem um mísero extra nos quatro discos.
Coleção
Classic Albums (ST2) A coleção mostra, com
imagens raras e depoimentos, como foram gravados alguns dos principais
discos da história do rock. Estão incluídos nessa
primeira leva o álbum de estréia de Elvis Presley; Transformer,
de Lou Reed; e Goodbye Yellow Brick Road, de Elton John. O guitarrista
Scotty Moore e o baterista D.J. Fontana revelam como tinham de fazer viagens
extensas para encontrar Elvis (na época um humilde caminhoneiro)
e ensaiar as músicas que acabariam entrando em seu primeiro disco.
Goodbye Yellow Brick Road é cheio de entrevistas de época
com Elton John e seu letrista, Bernie Taupin. No DVD dedicado a Transformer,
Lou Reed entrega vários truques de gravação que empregou
e se encontra com os travestis que inspiraram a canção Walk
on the Wild Side, numa conversa impagável.
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