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Edição 1 743 - 20 de março de 2002
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CINEMA

 
Fotos divulgação
A Era do Gelo: o visual arrasa

A Era do Gelo (Ice Age, Estados Unidos, 2002. Estréia nesta sexta-feira em circuito nacional) – Na primeira cena desse desenho animado, um esquilo neurótico (e com o que se poderia chamar de dentes-de-sabre) tenta, em vão, enterrar sua preciosa noz no gelo duro que, 20.000 anos atrás, recobria boa parte da Terra. Bate daqui, bate dali, ele acaba fazendo uma trinca no chão – que se espalha até provocar uma avalanche, daí um desmoronamento e, por fim, um cataclismo de proporções épicas, bem ao estilo dos desastres que se viam nos desenhos de Chuck Jones, o criador do Pernalonga. O trabalho de Jones é, sem dúvida, a inspiração para essa animação digital dirigida pelo americano Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha. No enredo, um mamute (Ray Romano) se une a uma preguiça (John Leguizamo) e a um tigre (Denis Leary) para devolver um bebê humano à sua tribo. Ou pelo menos isso é o que o mamute e a preguiça pensam, já que desconhecem os planos do seu amigo felino. A história bem que poderia ter mais consistência, mas está longe de ser ruim. O visual e a animação dos personagens, por outro lado, são um arraso. Há muito com que divertir as crianças e também seus acompanhantes adultos. É um resultado importante para o estúdio Fox, que, depois do fracasso de Titan, abandonou suas incursões pela animação tradicional para se concentrar no departamento de desenhos 3D. Veja trailer do filme.

 

LIVROS

Terra e Cinzas, de Atiq Rahimi (tradução de Flávia Nascimento; Estação Liberdade; 80 páginas; 18 reais) – A história narrada nessa pungente novela dá a dimensão exata da terra arrasada em que se tornou o Afeganistão – e mostra que isso não é de hoje. O cenário é a guerra civil que opôs, no início dos anos 80, tropas apoiadas pela então União Soviética e guerrilheiros muçulmanos. Em meio a bombardeios, um idoso perambula pelo país inóspito, levando consigo seu neto pequeno, em busca da mina onde se encontra seu filho. Quer lhe dar uma notícia: a família toda morreu na guerra. Só eles sobreviveram. Escrito em dialeto persa – e de uma forma difícil, na segunda pessoa –, Terra e Cinzas carrega uma dose de emoção extra: seu autor, o jornalista e escritor Atiq Rahimi, fala do assunto com conhecimento de causa. Ex-crítico de cinema de um jornal de Cabul, ele fugiu do país em 1985, percorrendo o deserto a pé, em pleno inverno, para se exilar na França. Leia trecho do livro.

Morte no Seminário, de P.D. James (tradução de Helena Londres e Angela Maria Ramalho Vianna; Companhia das Letras; 512 páginas; 35 reais) – A octogenária escritora Phyllis Dorothy James – ou P.D. James – é especialista naqueles romances de detetives tipicamente ingleses. Ou seja: todas as suas histórias têm ao menos um assassinato misterioso, cuja investigação requer pouca ação, mas elucubrações engenhosas de sobra. Não se deve confundi-la, contudo, com a compatriota Agatha Christie, a mais notória expoente do gênero. P.D. tem um estilo mais lapidado. Ela criou um personagem divertido: Adam Dalgliesh, detetive moralista, metido a poeta e que circula num potente Jaguar. Nesse novo romance, ele tenta elucidar a morte do filho de um ricaço que estudava num seminário anglicano. Acaba descobrindo que, por trás da fachada respeitável do lugar, há sujeira aos montes.

Uma História do Diabo, de Robert Muchembled (tradução de Maria Helena Kühner; Bom Texto; 387 páginas; 35 reais) – Respeitado historiador francês, Muchembled acompanha as metamorfoses da representação do diabo no Ocidente, do século XII até o XX. "A cultura é um tecido riquíssimo, que precisamos examinar em todos os seus fios", diz o autor. Suas fontes, por isso, são das mais variadas: vão de textos teológicos a canções de rock, de Fausto, do clássico alemão Goethe, ao filme O Bebê de Rosemary, do cineasta Roman Polanski. Na interessante abordagem de Muchembled, o demônio não é apenas um mito religioso. Ele é um símbolo mais poderoso. "O diabo representa a parte noturna de nossa cultura, a antítese das grandes idéias que ela produziu. Ele encarna o espírito de ruptura em confronto com todas as forças – religiosas, políticas e sociais – que tentaram incessantemente produzir a unidade no velho continente." Leia trecho do livro.

 

DISCO

I Am Sam, vários intérpretes (Sum) – Estrelado pelo ator Sean Penn, o filme (que no Brasil se chamará Uma Lição de Amor) conta a história de um homem com idade mental de 7 anos – e apaixonado pela música dos Beatles. Como é praticamente impossível para um cineasta conseguir a liberação das canções originais do quarteto de Liverpool, os produtores da trilha chamaram vários astros do pop atual para criar novas versões das músicas. Algumas delas soam acima da média: Eddie Vedder, cantor do Pearl Jam, está mais contido que de costume em You've Got to Hide Your Love Away, a cantora Sarah McLachlan injeta a dose certa de doçura na balada Blackbird e Nick Cave faz de Let It Be uma música cavernosa. Outras canções, embora não cheguem a entusiasmar, foram recriadas de maneira correta – como Two of Us, por Aimee Mann e Michael Penn (irmão de Sean), e Golden Slumbers, pelo pianista Ben Folds.

 

DVDs
United Artists

Allen: inspirado


Coleção Woody Allen
(Fox) – Depois de um primeiro pacote com filmes do diretor americano, a distribuidora Fox Vídeo lança mais quatro de seus melhores trabalhos: Hannah e Suas Irmãs, Crimes e Pecados, A Rosa Púrpura do Cairo e O Dorminhoco. Este último é o destaque da coleção, já que não estava disponível em vídeo no Brasil e é uma das comédias mais inspiradas de Allen. Gagues de cinema mudo, jazz, pastelão e os habituais diálogos afiados do diretor se combinam na história de um sujeito que é congelado em 1973 e acorda 200 anos depois – época em que, segundo o roteiro, a ciência já pôde comprovar que gordura, açúcar e cigarros são o que há de melhor para a saúde. Disfarçado de robô e com a ajuda de uma socialite cabeça-oca interpretada por Diane Keaton, o protagonista tenta derrubar o governo totalitário que tomou conta do mundo. O problema do pacote é que não há nem um mísero extra nos quatro discos.

Coleção Classic Albums (ST2) – A coleção mostra, com imagens raras e depoimentos, como foram gravados alguns dos principais discos da história do rock. Estão incluídos nessa primeira leva o álbum de estréia de Elvis Presley; Transformer, de Lou Reed; e Goodbye Yellow Brick Road, de Elton John. O guitarrista Scotty Moore e o baterista D.J. Fontana revelam como tinham de fazer viagens extensas para encontrar Elvis (na época um humilde caminhoneiro) e ensaiar as músicas que acabariam entrando em seu primeiro disco. Goodbye Yellow Brick Road é cheio de entrevistas de época com Elton John e seu letrista, Bernie Taupin. No DVD dedicado a Transformer, Lou Reed entrega vários truques de gravação que empregou e se encontra com os travestis que inspiraram a canção Walk on the Wild Side, numa conversa impagável.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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