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Os donos da maior
empresa do mundo
Ilustres
desconhecidos, os Walton
transformaram o Wal-Mart na
corporação mais rica do planeta

Amauri Segalla
AP/Spencer Tirev
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| Jim,
John, Robson e Helen Walton: juntos, os herdeiros do Wal-Mart possuem
100 bilhões de dólares, o dobro de Bill Gates |

Veja também |
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A lista das
maiores empresas do mundo divulgada anualmente pela revista americana
Fortune apresentará uma novidade. Durante vinte anos, o
ranking tem sido dominado por fábricas de automóveis e grupos
petrolíferos. Na próxima edição, que sai em
abril, o primeiro lugar será ocupado por uma rede de supermercados:
o Wal-Mart. Com faturamento anual de 220 bilhões de dólares,
o Wal-Mart superou gigantes como Exxon Mobil e General Motors, que se
revezaram na liderança nos últimos cinco anos. O Wal-Mart
ocupa um lugar de destaque na lista há muitos anos e, na última
edição da Fortune, já estava em segundo lugar,
atrás da Exxon, com um faturamento de 193 bilhões de dólares.
Registrando um fabuloso crescimento de 14%, observe que o Wal-Mart faturou
27 bilhões de dólares a mais de um ano para o outro. Só
essa diferença equivale ao faturamento somado das cinco maiores
empresas brasileiras. Por ironia, o sucesso retumbante ocorreu num ano
em que a economia americana registrou crescimento inexpressivo. Isso foi
possível porque, para evitar gastos, os americanos concentraram
suas despesas em lojas que vendem produtos mais baratos, como é
o caso do Wal-Mart. E, como a rede realiza 60% das vendas de varejo nos
Estados Unidos, deu-se o grande salto.
Rogério Voltan
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| Loja
do Wal-Mart no Brasil: faturamento no país cresceu 20% em 2001
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Com números
colossais, o Wal-Mart é o maior exemplo de companhias que têm
porte de nações. Seu faturamento é superior ao produto
interno bruto de 169 dos 192 países do mundo. Cerca de 100 milhões
de pessoas pouco menos que um Japão inteiro passam
todos os dias por seus 4.414 pontos-de-venda,
contabilizadas as lojas americanas e aquelas instaladas no exterior. Apesar
de todo esse gigantismo, a família fundadora da organização,
os Walton, consegue manter uma vida discreta, avessa a badalações.
O fundador do grupo, Sam Walton, já falecido, tinha um lema a respeito
de dinheiro e publicidade: o ideal é ganhar o máximo de
dinheiro possível e não deixar que o mundo saiba disso.
Funcionou durante algum tempo, enquanto os dados a respeito das companhias,
e de seus donos, não eram acompanhados por investidores e fiscais.
Os milionários ainda conseguem defender-se da exposição.
O mesmo não se pode dizer dos bilionários, ainda mais quando
a família tem não 1 bilhão ou 10 bilhões de
dólares, mas 100 bilhões, como os Walton. Segundo a revista
Forbes, entre as dez pessoas mais ricas do planeta, os herdeiros
do Wal-Mart ocupam cinco posições. Juntos, a matriarca,
Helen Walton, e seus filhos Jim, John, Robson e Alice possuem 100 bilhões
de dólares, o dobro do patrimônio financeiro de Bill Gates.
Em outra lista dos mais ricos do planeta, preparada pelo jornal inglês
The Sunday Times, a família também aparece como a
mais rica do mundo.
A
saga da família começou em 1962, quando Sam Walton transformou
um bazar de miudezas na mais bem-sucedida loja de descontos dos Estados
Unidos. Seu segredo: vender muito a preço baixo. Para conseguir
cobrar menos que os concorrentes, "Tio Sam", como era chamado pelos funcionários,
tinha fixação por reduzir custos. Ele proibia despesas com
material de escritório, e até seus principais executivos
eram orientados a usar canetas recebidas de brinde. Essa preocupação
em economizar o máximo possível também se estendia
à vida pessoal. Apesar de ser um dos homens mais ricos do mundo,
andava numa picape velha, com os pára-choques amassados. Até
o fim da vida, cortava o cabelo em um barbeiro por 5 dólares e
se recusava a pagar mais de 10 por uma gravata. Morto em 1992, Sam Walton
deixou 25 bilhões de dólares em ações para
a mulher e os quatro filhos.
Pouco antes
de morrer, Sam Walton elegeu o filho mais velho, Robson, para suceder
a ele no comando dos negócios da família. Apesar de dirigir
a maior corporação do planeta, Robson Walton não
desfruta no meio empresarial a mesma popularidade de Bill Gates, da Microsoft,
ou de Jack Welch, que dedicou quatro décadas de sua vida à
General Electric. Assim como seu pai, ele é tido como um caipira
sortudo. Essa diferença de tratamento pode ser verificada em diversas
situações. No fim do ano passado, a General Electric e o
Wal-Mart fizeram anúncios importantes ao mercado. A novidade da
GE era bombástica. Referia-se à aposentadoria do principal
executivo da empresa, Jack Welch, e se tornou o assunto mais comentado
no mundo dos negócios. Já o informe do supermercado, relativo
ao espantoso aumento no faturamento anual, não chamou muita atenção.
AP/Richard Vogel
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Divulgação
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| Propaganda
da GE no Vietnã e o executivo Jack Welch, que em vinte anos
transformou a empresa numa gigante mundial: hoje, as maiores companhias
do planeta têm números tão colossais que podem
ser comparados aos de nações |
Robson Walton
tem um estilo parecido com o do pai. Recentemente, baixou uma norma que
obriga seus executivos a dividir o quarto de hotel em viagens de negócios.
Como o pai, usa ternos baratos e raramente dá gorjetas. Para ele,
mais que uma empresa, o Wal-Mart é uma religião. De fato,
os funcionários aprendem desde cedo a reverenciar Sam Walton como
um deus. Os diretores da companhia vivem criando gritos de guerra e estimulam
os empregados a repeti-los algumas vezes por dia. Essa visão quase
religiosa dos fundadores faz parte do treinamento dos funcionários
nos dez países onde o Wal-Mart atua. No Brasil, os principais diretores
da companhia receberam um exemplar do livro autobiográfico de Sam
Walton. O grupo está no país há sete anos e vem crescendo
a boas taxas. No último ano, seu faturamento aumentou 20%, chegando
a 1,5 bilhão de reais. Isso ainda é pouco se comparado ao
das duas maiores redes: Pão de Açúcar e Carrefour,
que vendem, somadas, quase 20 bilhões de reais.
O varejo
é um dos setores mais cruéis da economia, em que é
preciso negociar um volume elevado de produtos para compensar a margem
de lucro, que precisa ser baixa caso a empresa pretenda ser competitiva.
Quem não consegue guiar-se por essa lei quebra. Recentemente, o
Wal-Mart entrou numa guerra de preços com um concorrente importante
nos Estados Unidos, a rede Kmart. A Kmart é um grupo expressivo,
com mais de 2.000 lojas e faturamento de 37
bilhões de dólares. Conhecida por oferecer uma gama de produtos
mais sofisticados (e mais caros, obviamente), a Kmart acreditava que podia
concorrer com sua maior rival tentando atrair o consumidor pela qualidade.
Como os clientes queriam preço baixo, a estratégia não
funcionou, e a Kmart reduziu o preço de 40.000
artigos. Com uma rede de distribuição mais eficiente, o
Wal-Mart contra-atacou e ofereceu descontos ainda maiores. Foi o golpe
de misericórdia que acabou levando a concorrente a pedir concordata.
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