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O
ocaso das oligarquias
Ed Ferreira/AE
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| Roseana
Sarney se defendeu em rede estadual de televisão no Maranhão: poder
local |
Na apresentação de sua plataforma de governo na campanha presidencial
de 1910, Rui Barbosa reservou as palavras mais duras para as oligarquias
que, segundo ele, "sangravam e exauriam as províncias em proveito
de um grupo, de uma família ou de um homem". Como se sabe, Rui Barbosa
nunca chegou à Presidência da República, mas as dinastias
políticas regionais que ele denunciou tiveram vida longa no Brasil.
Fenômeno predominante no Norte e no Nordeste do país, o poder
oligárquico não resiste à modernização
e, por isso, como alertava Rui Barbosa, faz "um trabalho contínuo
de opressão e de corrupção que adormenta as populações
locais mantendo-as na miséria". Uma reportagem da presente edição
de VEJA mostra que, quase um século depois, as grandes famílias
políticas estão vendo seu poder praticamente desaparecer na
esfera nacional. Estão até mesmo sendo desafiadas em seus
redutos geográficos.
Os estudiosos constatam que o poder dos sobrenomes tradicionais se nutre
da economia estatal e abomina a transparência. Por isso, quando
o Estado diminui e a transparência aumenta, as oligarquias entram
em ciclo decadente. É o caso recente das dinastias tiradas de cena
no Ceará por sucessivos governos estaduais modernizadores. Com
base na experiência brasileira, pode-se acrescentar que elas refluem
mais rapidamente ainda à força dos escândalos em que
se enredam. Caso dos Collor de Mello e dos Suruagy em Alagoas. Ou dos
Barbalho no Pará. É ilustrativa do momento de refluxo do
poder nacional das oligarquias a imagem da governadora do Maranhão,
Roseana Sarney, tendo de se valer na semana passada de uma rede de televisão
estadual para tentar explicar o escândalo que dinamitou sua candidatura
nacionalmente. É um sintoma claro de isolamento.

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