|
Ginástica O nome está por
toda parte e todo mundo quer
Primeiro veio Madonna, com sua incrível flexibilidade corporal, dizer que, além de ioga, praticava pilates, e o que era um método de exercícios só para iniciados começou a ficar conhecido. Outros famosos se seguiram, de Sting até Danielle Winits, passando pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Transposta a surpresa inicial, os homens pararam de fazer cara de ignorância quando mulheres ou namoradas diziam que estavam indo para a "aula de pilates". Mais surpreendentemente ainda, eles também começaram a aparecer, meio sem jeito, nas sessões de alongamento muito puxado e realinhamento corporal. Todos, claro, munidos de recomendação médica para os onipresentes problemas de coluna. Hoje é difícil encontrar academia ou clube que não tenha algum tipo de pilates no cardápio; tanto o de grife, ou seja, chancelado por professores formados em linha direta pelo criador do método, quanto o, digamos, genérico. Para quem foge à simples menção da palavra ginástica, um resumo: pilates é composto de uma série de exercícios, na maioria praticados sobre aparelhos próprios, numa espécie de coreografia de ângulos exatos que, sustentada na respiração e na contração da região do abdômen, tem o objetivo de flexibilizar e rearranjar os músculos que sustentam a coluna e definem a postura. Complicado de descrever, e de fazer, mas potencialmente salvador. "É altamente recomendado a pacientes que têm problemas nas costas por má postura ou falta de alongamento ou seja, a maioria", diz o reumatologista Daniel Feldman, professor da Universidade Federal de São Paulo. Muitos dos "pilates"
de hoje seriam quase irreconhecíveis para o alemão
Joseph Pilates, que primeiro desenvolveu o método em
proveito próprio (foi uma criança raquítica
e asmática) e mais tarde, como enfermeiro na I Guerra
Mundial, o aplicou na reabilitação de soldados
com problemas de mobilidade por causa de ferimentos. A partir
das camas hospitalares, Pilates inventou equipamentos como o
reformer, um carrinho preso por molas e cordas, e o "cadillac",
uma espécie de maca equipada com alças e barras.
Em 1926, ele se mudou para Nova York e abriu o primeiro estúdio,
que tocou pessoalmente até morrer, aos 87 anos. No Brasil,
sua cartilha de mais de 1.000 exercícios
é fiel e devotamente reeditada pela chilena Inelia Garcia,
dona da franquia nacional do The Pilates Studio, com quarenta
unidades e cerca de 6.000 alunos.
Inelia foi treinada nos Estados Unidos por Romana Kryzanowska,
americana que aprendeu a técnica com Papa Joe (como era
chamado) e se considera sua única sucessora legítima.
"As academias compram os equipamentos e põem as
pessoas para fazer ginástica localizada, que não
tem nada a ver com o método", indigna-se Inelia.
"Na verdade, cada aluno que virou instrutor teve sua própria
vivência e visão, apesar de todos fazerem aula
no mesmo espaço. Cada um criou sua linha de trabalho,
que teve seus filhotes", contemporiza a baiana Alice Becker,
pioneira da prática no país e fundadora do Physio
Pilates, que tem parceria com vinte centros no Brasil e um na
Argentina. Na opinião de Alice, "é tudo pilates,
sim". Quer dizer, quase tudo. Jumpilates (intercalar três
minutos de pulos com um minuto de pilates ou coisa parecida),
iogilates (pilates aliado a meditação) e swim
pilates (na piscina) têm muito pouco a ver com a receita
do fundador alemão. A distância fica maior ainda
quando, à coreografia do pilates, toda pensada para esticar
e alongar, se misturam os pesos e a força da musculação,
que caminha na direção exatamente oposta. O gosto
pelo modismo costuma ser maior do que a preocupação
com a pureza. Na academia Bio Ritmo, que oferece uma adaptação
da modalidade há cinco anos, 60% dos alunos de ginástica
aderiram e a oferta pulou de duas aulas semanais para cinco
por dia. Afinal, se Madonna faz, deve ser bom.
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|