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Internacional Depois da vitória em oito
primárias seguidas,
Obama empolga a disputa democrata com o tema mudança, reconciliação e esperança. Nesse sentido, sua imagem é radicalmente oposta à de Hillary, associada ao continuísmo e ao sectarismo: seu marido, Bill Clinton, foi presidente antes de George W. Bush, cujo pai, por sua vez, também já ocupou o cargo. Se Hillary for eleita, completará um ciclo de 24 anos das dinastias Clinton e Bush no poder. É difícil ver frescor político nessa possibilidade. Se os americanos estão ansiosos por novidades, Obama é o candidato certo. Ainda que a exata dimensão da prometida mudança não fique muito clara. Talvez agora, que ele lidera a disputa interna democrata, venha a ser cobrado para explicar, em maiores detalhes, o que faria como presidente. A magia de seu carisma resistirá a tal teste?
Hillary insiste em demonstrar que Obama é inexperiente para o cargo de presidente. Senador em primeiro mandato, ele está em Washington desde 2005. A vida está difícil para a senadora. Os eleitores democratas parecem preferir a pouca bagagem do adversário ao passado atribulado de Hillary. "Em geral, os presidentes americanos são muito bem assessorados, e o carisma, fundamental para ganhar uma eleição, também se revela útil como instrumento presidencial", disse a VEJA o cientista político americano Brian Lai, da Universidade de Iowa. "O apelo pela união política feito por Obama pode servir para ele lidar com a divisão partidária do Congresso." Hillary ainda tem boas chances de reverter o favoritismo do senador. Ela espera se sair bem nas próximas primárias, como no Texas e em Ohio. Uma peculiaridade da corrida democrata também a favorece. Mesmo se Obama ganhasse todas as dezesseis primárias que ainda faltam com uma margem de 55% dos votos, não seria capaz de reunir os 2.025 delegados necessários para a nomeação automática como candidato oficial. A decisão dependeria dos 796 superdelegados, que representam cerca de 20% do total da convenção democrata. Eles têm liberdade para escolher seu candidato de maneira independente. Hillary recebe maior apoio entre os superdelegados. O voto de Minerva desses caciques democratas pode acabar se guiando por uma questão prática: segundo as pesquisas, Obama tem maiores chances do que Hillary de vencer John McCain, o quase certo candidato dos republicanos à Presidência.
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