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Cartas
Cartão corporativo A esclarecedora e
impressionante reportagem "A república dos cartões"
(13 de fevereiro), sobre o escandaloso uso dos cartões
corporativos, indica, sem sombra de dúvida, que o Brasil
entrou no time dos países de governo mais irresponsável
e corrupto do planeta. Não elegemos
um governo para roubar pouco ou menos do que os outros. Elegemos
um governo para não roubar. Queríamos um governo
ético que trabalhasse para os brasileiros, e não
para o PT e os companheiros petistas, que estão se aproveitando
da falta de controle intencional sobre o uso desses cartões
corporativos. Estamos sangrando
muito. O povo brasileiro está anêmico de vergonha
diante de tanta improbidade. A cada novo escândalo, esquece-se
o da semana anterior. Os "companheiros"
do presidente Lula mais uma vez demonstram o mais absoluto desrespeito
no trato com o dinheiro público. É lamentável
que os órgãos fiscalizadores e a sociedade continuem
deitados em berço esplêndido, assistindo passivamente
a todos os desmandos deste governo. Vergonha na cara e
coragem poderiam ser vendidas em lata nos supermercados. O presidente
Lula iria até o supermercado mais próximo da residência
oficial e compraria com cartão corporativo uma de cada
(despesa emergencial e esporádica). Consumiria as iguarias,
esperaria o efeito e mandaria recolher e bloquear todos os cartões
corporativos, submetendo os gastos realizados a uma rígida
averiguação pela CGU. Nota 10 para o jornalista
Fábio Portela pela pesquisa e pelo texto, no qual expôs
mais uma vez a falta de transparência no trato do Erário
na república do PT. Até quando a sociedade civil,
que se diz organizada, vai ser complacente com mais esse escândalo? E pensar que há
milhões de brasileiros que não conseguem sequer
ter uma mísera tapioca à mesa no dia-a-dia. Cumprimento VEJA pela
comparação entre os gastos dos cartões
corporativos do governo com os dos executivos do setor privado.
Essa é uma excelente prova da ineficiência do setor
público, que gasta sem se preocupar com explicações.
Se a administração pública fosse focada
em resultados, como toda instituição privada,
nenhuma dessas barbaridades que vemos todas as semanas publicadas
faria parte de nosso cotidiano. Além disso, teríamos
melhores serviços e menos impostos. Começou com
o mensalão, seguiu com os sanguessugas e, agora, chegou
aos cartões corporativos. Para sustentar toda essa farra,
nós temos de pagar os mais altos impostos do mundo. Estou abismado com
a eficácia dos ministros de estado de Lula. Primeiro
a ministra da Igualdade Racial promoveu a desigualdade social
com seu cartão. Depois o ministro da Pesca contou uma
história de pescador para justificar o peixão
que gastou. Então o ministro dos Esportes fez ginástica
para justificar seus gastos com o cartão. Aí veio
Dilma e decretou um apagão no Portal da Transparência. É desolador.
Parece que estamos todos anestesiados e perdendo a capacidade
de nos indignar perante essa sucessão diária de
escândalos do poder público. Para que essa vergonha
nunca mais se repita, é fundamental que o governo cumpra
seu papel, limitando drasticamente e fiscalizando de maneira
exemplar, e extremamente transparente, o uso dos cartões
de crédito corporativos.
Maria Helena Guimarães de Castro A entrevista com a
secretária de Educação do estado de São
Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro (Amarelas, 13
de fevereiro), é digna de muitos elogios. Em primeiro
lugar ao governador José Serra, por escolher uma profissional
extremamente capacitada e experiente para o cargo. A VEJA, por
destacar em suas páginas mais importantes o tema educação.
E, finalmente, à entrevistada, pela lucidez e coragem
em tocar em pontos críticos e tabus do sistema educacional
e dos métodos de ensino. O cerne do problema educacional
brasileiro neste momento não está no corpo docente,
e sim na organização e gestão do sistema
de educação, que massacra de uma só vez
os professores e os alunos. Cumprimento Maria
Helena Guimarães de Castro, que, em sua entrevista corajosa,
se propõe a desenvolver um projeto ambicioso para as
escolas estaduais de São Paulo: romper com antigos mitos
e introduzir um modelo de incentivo concreto para o progresso
das escolas. É chegado o momento de premiar as boas escolas
e os bons professores e excluir da lista os que não apresentam
bons resultados. Didática e
pedagógica, Maria Helena Guimarães de Castro não
se furtou a enfrentar temas que são tabus na área
da educação. Defender a isonomia salarial para
professores e, por que não dizer, para todos os funcionários
públicos é ignorar o mérito e a competência,
predicados indispensáveis para a prestação
de um serviço eficiente. As conclusões
de Maria Helena Guimarães de Castro são inteligentes,
corretas e sinceras, demonstrando grande experiência
no assunto educação. Concordo com sua opinião
sobre as faculdades de pedagogia do país, que devem ser
fechadas em razão de cursos voltados para assuntos exclusivamente
teóricos. A presença na escola de um diretor
competente, com atributos de liderança, é fundamental
para que os professores trabalhem estimulados. Ela está
correta quando afirma que, "se tais diretores fossem a
maioria, o ensino público não estaria tão
mal das pernas". Maria Helena dá
o primeiro passo para uma educação pública
de qualidade no Brasil. A gestão da educação
deve, como em qualquer negócio que se pretenda de sucesso,
estabelecer metas claras, implementar as ações necessárias
para a satisfação das metas acordadas e
premiar os funcionários comprometidos. A recompensa salarial para
professores talentosos é conseqüência natural
de uma gestão séria e eficiente. Finalmente uma autoridade
nessa área tem a coragem necessária para apontar
o maior de todos os males da educação brasileira:
cursos superiores de educação absolutamente
ineficientes, ineficazes, obsoletos, dispensáveis e até
mesmo ridículos.
Claudio de Moura Castro Reflexivo e muito
oportuno o artigo "Salário de professor" (Ponto
de vista, 13 de fevereiro). É muito difícil ser
professor na atualidade mais complexo do que no passado.
Essa complexidade se dá pelo fato de a própria
sociedade ter, por vezes, dificuldade em saber para que ela
quer a escola. Por outro lado, é importante que os professores
aprendam a lidar com os números e percebam que não
existe nenhuma associação entre salário
alto e educação boa. Os estados, por meio dos
seus gestores, devem ter maior responsabilidade no que diz respeito
à educação. Acabei o ensino médio,
sempre estudei em escola pública e ficava indignado quando
um professor tinha a audácia de interromper a matéria
para discursar sobre suas lamentações salariais.
Para que ocorra uma melhora na educação brasileira,
é extremamente necessária uma ação
conjunta que envolva tanto alunos quanto governo e, principalmente,
professores. Assim como tive aulas com mestres da ignorância,
também fui aluno de profissionais que fizeram jus à
responsabilidade que tinham e realmente realizaram seu trabalho.
Infelizmente, o que prevalece é a falta de educação,
e cada vez mais me pergunto: onde vai parar um país com
jovens que terminam a educação básica sem
um embasamento que lhes possibilite ao menos passar no vestibular?
Sou professora e concordo
com esta afirmativa: a má qualidade do nosso ensino não
pode ser explicada pelo salário dos professores. Uma
política séria para a escolha de diretores competentes,
com atributos de liderança, minimizaria os danos ao ensino
público. Realmente, os professores estão mais
contentes nas escolas públicas bem lideradas. Para tentar consertar nossa
educação escolar, precisamos ainda: 1) equipar
as escolas com materiais necessários, funcionários,
professores preparados e dedicados; 2) de reciclagem obrigatória
para todos os professores através de cursos de curta
duração no decorrer do ano letivo e só
admitir profissionais formados nas matérias que forem
lecionar ; 3) de melhor entrosamento entre escola, professores,
alunos e pais (família); 4) de projetos com metas a ser
atingidas no fim de cada ano; e, depois disso, 5) brigar por
melhoria de salários.
Gustavo Ioschpe O artigo "Pelo direito
à ruindade" (13 de fevereiro), de Gustavo Ioschpe,
trata de forma decisiva a questão da massificação
da educação. Se existe alguma raiz do mal-afamado
subdesenvolvimento brasileiro, essa com certeza é a falta
de investimento em educação, seja em qual nível
for. Não adianta promover cursos universitários
caros e restritos, cujos resultados vêm para poucos. Somente
com a difusão maciça da educação
é que poderemos alçar uma posição
no Primeiro Mundo. Excelente o artigo de Gustavo
Ioschpe em VEJA desta semana. Seria incrivelmente bom e importante
para o Brasil se tivéssemos balconistas, atendentes,
lojistas, açougueiros, padeiros, donas-de-casa, cabeleireiras
e todas as pessoas formadas em curso superior, seja ele presencial
ou a distância. Por pior que possa ser o nível
da faculdade, é mil vezes melhor que o analfabetismo
e a ignorância.
Carta ao leitor A edição 2.047
de VEJA presenteou todos os leitores com uma abordagem espetacular
sobre a educação no país. Na condição
de estudante da Universidade Federal do Espírito Santo,
sinto todas as dificuldades de estudar em uma instituição
com um nível de precariedade e deficiência significativo.
No entanto, é reconfortante saber que há bons especialistas
em educação, com idéias fantásticas e
simples, que estão dispostos a dar um rumo à educação.
A revista superou-se porque, fugindo de todos os clichês,
abordou o tema de forma tão real e prática que
foi capaz de dar um sopro de esperança ao sistema educacional
brasileiro ("O pior inimigo do país", Carta
ao leitor, 13 de fevereiro). Cabe única e exclusivamente
à incompetência do governo a falência educacional
pela qual o Brasil passa. Os recursos são poucos e mal
investidos, professores não são reciclados e há
uma mentalidade segundo a qual quanto mais a criança
faz durante o dia, mais bem preparada ela vai estar. Na Alemanha,
na França, na Escandinávia e na Suíça
o professor faz uma residência de dois anos antes de escrever
seu trabalho de mestrado e, então, poder lecionar. VEJA faz um grande trabalho
quando o assunto é a educação. Ela conta
com colunistas sensatos e visionários e traz reportagens
e entrevistas acertadas com o intuito de mostrar ao leitor a
realidade da educação brasileira, com idéias
e soluções para que essa educação
alcance um patamar digno de nossa nação. Como estudante
de escola pública, quando eu vejo uma imprensa preocupada
em trazer ao seu leitor diferentes formas de enfrentar a
realidade, ainda tenho esperança de melhorarmos segmentos
que movem a nossa nação.
José Roberto Guzzo Parabéns, VEJA, pela
coluna do jornalista J.R. Guzzo ("À espera de uma
data", 13 de fevereiro). Em dias "nebulosos"
em que o petismo tenta varrer da face da Terra o bom senso,
ver Guzzo entre os colunistas da revista é auspicioso.
O artigo de J.R. Guzzo é
primoroso. Li, reli em voz alta e fiz muita propaganda dele
para todos os meus conhecidos. Há muito tempo ouço
os mesmos imbecis de sempre (além de novos imbecis, que
nascem como coelhos) anunciar o fim da palavra impressa, e até
mesmo o fim da palavra, e não me canso de lembrar uma
velha piada, segundo a qual um filósofo alemão,
depois de muito pensar, chegou à conclusão de
que a palavra, como veículo de comunicação
de idéias, estava ultrapassada. Então escreveu
uma Introdução Crítica à Morte
da Palavra como Veículo de Comunicação
de Idéias em dezoito volumes! A lembrança
de Luís Soares, dos Contos Fluminenses, foi um
benefício adicional. Muito interessante o texto
de J.R. Guzzo sobre a implicância com a imprensa por parte
dos petistas ao se julgarem perseguidos. Deve ser difícil
para quem sempre foi pedra se acostumar a ser vidraça. Obrigada, VEJA, por nos
dar de presente, em 2008, a volta de J.R. Guzzo, com seus textos
deliciosos e importantes.
Cartórios Excelente a constatação
de VEJA acerca da efetivação sem concurso público
de interinos nos cartórios extrajudiciais (Radar, 13
de fevereiro). A população deve ser informada
sobre projetos de emendas constitucionais nefastos e absurdos
como esse (ironicamente elaborados pelos representantes do povo),
que ignora o fato de muitos outros brasileiros desejarem concorrer
a uma vaga nos cartórios. Gostaria de elogiar o responsável
pela coluna Radar pela publicação de nota recriminando
o "trem da alegria nos cartórios". Infelizmente,
os "cartórios" extrajudiciais carregam no Brasil
uma imagem ruim, associada à ineficiência e ao
privilégio. Isso está mudando com grande rapidez
devido à aplicação das normas da Constituição
Federal, que exige concurso público para delegação
de atividades notariais e de registro. O que se está tentando
regularizar é apenas a situação de alguns
servidores de cartórios que foram designados como titulares
há aproximadamente catorze anos, enquanto esperavam que
os tribunais estaduais realizassem concurso. Devido à
omissão de alguns tribunais, essa situação
perdura até hoje. É bom que fique claro que esses
cartórios não foram a concurso, não havendo,
portanto, nenhum candidato aprovado aguardando para assumir.
Bolsa-geladeira A nota "Vem aí
o bolsa-geladeira" (Radar, 13 de fevereiro) informa que
o presidente Lula pretende fazer um programa para que a classe
mais necessitada troque a sua geladeira velha que iria
como sucata para as siderúrgicas por uma nova,
mais econômica. Não resta dúvida de que
é uma boa idéia. Aproveitando a oportunidade,
sugiro ao senhor presidente que crie também uma "bolsa-caráter",
que seria de uso exclusivo dos políticos e governantes,
com o objetivo único de dar-lhes créditos de vergonha
e retidão, evitando essa indecente farra perdulária,
como a de comprar lixeiras de 1.000 reais, saca-rolhas de 800
e outros gastos supérfluos com o dinheiro do povo. Com o perdão do trocadilho,
a idéia de implantar o bolsa-geladeira é uma tremenda
fria. É a prova do paternalismo ignorante com que o governo
está acostumando os brasileiros. E nada melhor do que
ações como essa em ano de eleições,
não é?
PET versus Lata No debate sobre a melhor
opção de embalagem para os óleos comestíveis
("Por que as latas de óleo sumiram", 16 de
janeiro) é importante lembrar que a busca por produtos
que aliem baixo custo e qualidade é uma tendência
verificada em todos os setores da economia. No caso das embalagens,
soma-se a essa tendência uma demanda do próprio
mercado, conforme pesquisa realizada pela Associação
Brasileira de Embalagem (Abre). Cada vez mais os consumidores
buscam embalagens resistentes, seguras, transparentes, práticas
e higiênicas, características essas oferecidas
pela resina PET. Por fim, vale destacar que o PET é 100%
reciclável e que mais de 51% do volume de embalagens
feitas do material é efetivamente reciclado no país.
Por meio de ações de conscientização
e informação que temos realizado com os consumidores,
os catadores e os recicladores, esse é um porcentual
crescente, que contribui para a preservação do
meio ambiente.
Iraque A respeito da reportagem "Dupla
atrocidade" (13 de fevereiro), venho manifestar repúdio
por todas as ações terroristas da Al Qaeda,
especialmente no caso relatado em que foram "recrutadas"
mulheres com síndrome de Down para servir de mulheres-bomba
em mais um atentado. A vulnerabilidade das pessoas com deficiência
intelectual não pode ser posta a serviço de grupos
que desafiam a autoridade dos estados, fato que se constitui
em mais uma perversa modalidade de discriminação
dessas pessoas, pelas quais o mundo inteiro tem se unido para
assegurar a inclusão social e o reconhecimento como pessoas
de direito. A violação dos direitos das pessoas
com deficiência importa em atentado aos direitos humanos,
o que ressalta a relevância da revista ao abrir espaço
para denunciar tal barbaridade, que, de fato, afronta duplamente
a humanidade.
Luiz Paulo Kowalski Parabéns pela entrevista
com o doutor Luiz Paulo Kowalski (Auto-retrato, 6 de fevereiro).
A postura dos médicos é um assunto importante.
Sou autora do livro O Pequeno Médico (Clio Editora),
que conta a história do meu caçula, Alexandre,
que, aos 12 anos de idade, enfrentou um câncer-neuroblastoma
que o levou para o outro mundo, depois de vinte meses de "tratamento".
Por meio do livro, tenho tentado mostrar que a sinceridade,
a franqueza e o respeito com o paciente são elementos
que fazem a diferença entre um médico e um bom
médico.
Ciência O Brasil também apresenta
diversos centros que dispõem da tecnologia de células-tronco
adultas na terapia celular. Por exemplo, a Faculdade de Medicina
Veterinária da Unesp, em Botucatu, oferece esse
serviço para tratamento de lesões ósseas
em pequenos animais e obtém resultados animadores. Como
temos interesse experimental, o custo é diferente dos
2.000 dólares citados na reportagem "Em bichos já
funciona" (13 de fevereiro). É importante salientar
que a comunidade científica, na medicina humana, como
também na veterinária, ainda busca elucidar o
mecanismo de reparação dessas células.
Televisão Se não há
renovação de autores de novelas é porque
não há oportunidade para os novos talentos. Na
realidade, não há crise de idéias novas,
mas falta de empolgação dos veteranos. Será
que eles querem mesmo novos autores? Trata-se de uma área
fechadíssima, a da teledramaturgia, que raramente abre
espaço para a renovação. Sugiro à
Globo que faça uma seleção nacional de
sinopses, pois existe vida fora do eixo RioSão
Paulo ("Corrida contra o tempo", 13 de fevereiro).
Millôr Millôr, também
prefiro Rabelo (vem de rabo, burro, asno, anta). Lugar de aprender
a língua é na escola, não no tribunal,
tungando os outros ("Língua, pra que vos quero?",
13 de fevereiro). Lembrando que "sua
excelência" Aldo Rebelo é alagoano e a palavra
que provavelmente mais pronunciou na juventude foi forró,
derivativo de "for all".
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