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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]
Vôo cego O governo jogou a toalha no caso da TransBrasil. Não moverá mais uma palha pela salvação da companhia. À prova de calote A Infraero acaba de fechar um acordo para que as dívidas da Vasp com a estatal sejam, enfim, quitadas. Dará uma carência de seis meses para que a companhia de Wagner Canhedo ganhe algum fôlego e, em seguida, o débito de 91 milhões de reais comece a ser pago. O contrato tem uma poderosa blindagem contra calote: as parcelas mensais de pagamento serão transferidas automaticamente para a conta da Infraero pelo próprio banco no qual a Vasp tem conta.
Casa dos executivos A Vale do Rio Doce botou câmaras filmando as salas de executivos da empresa 24 horas do dia. Tudo o que fazem ou dizem é registrado. Não se sabe se tanta vigilância em cima de seus executivos é necessária ou se a Vale está pensando em produzir uma versão particular de Casa dos Artistas para competir com o SBT. De volta ao mercado Sérgio Werlang, ex-diretor do BC na equipe de Armínio Fraga e pai do sistema de "metas de inflação", assume em janeiro uma importante diretoria do Banco Itaú. Divergências com o dono Luiz Antonio Viana, que atualmente comanda a Globo Cabo e foi um dos artífices mais importantes da virada do Pão de Açúcar nos anos 90 rumo ao azul, renunciou à sua cadeira no conselho de administração da rede de supermercados. Na empresa, a voz corrente é que as posições dele e as de Abilio Diniz não batiam havia tempo.
O campeão de audiências Talvez porque vá ficar apenas cinco meses como ministro, Ney Suassuna anda com uma agenda de audiências botando gente pelo ladrão. Nos três dias em que despacha em seu gabinete em Brasília durante a semana, tem recebido uma média diária de sessenta políticos. Isso mesmo, sessenta, entre senadores, deputados, prefeitos, vereadores e quem mais chegar. Na boca do caixa No calendário eleitoral, o ano passa mais rápido para sorte de muitos brasileiros. O governo Fernando Henrique quer implantar, até maio, um programa de correspondentes bancários, que cria pequenos postos de atendimento em cidades onde até hoje não há bancos. A CEF promete levar a novidade a todos os municípios do país utilizando até mesmo a ligação por satélite. O primeiro será aberto, nesta semana, em Solidão, cidadezinha do sertão pernambucano. A pressa se justifica. Através desses caixas será paga a ajuda de custo do Bolsa Escola. Um programa como esse é uma mão na roda para o governo em ano eleitoral.
Bye-bye, Vasco Depois de um ano de brigas homéricas com Eurico Miranda, o Bank of America vendeu a investidores internacionais sua participação na Vasco da Gama Licenciamentos, criada para comercializar a imagem do clube carioca. O banco promete nunca mais se meter com o complicado futebol brasileiro. Talvez nem como espectador.
A hora de abandonar o barco Jorge Bornhausen tem dito a alguns empresários que, assim que José Serra for consagrado como candidato tucano a presidente, os ministros do PFL devem deixar o governo. A ameaça só vale, claro, se o balão de Roseana continuar subindo. A mãe de Supla A fama instantânea de Supla está facilitando a vida de Marta Suplicy. Numa visita a uma região pobre de São Paulo na semana passada, a prefeita não recebeu nenhum pedido por escrito de emprego nem de mais saneamento para a favela. Foi a primeira vez que isso aconteceu em quase um ano como prefeita. As quinze cartinhas e bilhetes que lhe foram entregues eram para Supla. Marta deve estar torcendo para que os quinze segundos de fama do filho se estendam pela eternidade...
A solução a 15 reais? Na terça-feira, a FGV-RJ lança um alentado estudo destinado à polêmica. O trabalho discute a transferência de riqueza aos pobres. Nele, há a afirmação de que, se cada brasileiro bem de vida contribuísse com 15 reais mensais, o país conseguiria tirar a fome de seus 50 milhões de miseráveis.
A máfia chinesa aterroriza Mais dois chineses foram mortos numa emboscada em Foz do Iguaçu na semana passada. Trata-se de mais um capítulo da guerra entre contrabandistas de quinquilharias e cigarros que infesta a Ponte da Amizade. A Receita Federal está de orelha em pé com o fortalecimento da máfia chinesa na região.
Colaboraram: Alexandre Oltramari e Silvia Rogar
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