
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Eu sou terrível
As idas
e vindas da produção do novo
disco de Roberto Carlos, Acústico MTV,
que ficou pronto em cima da hora
Sérgio
Martins
Divulgação

Roberto
durante o show que virou disco: sete meses de modificações em estúdio |
Depois de
sucessivos adiamentos, está pronto para ir às lojas o novo
disco de Roberto Carlos, Acústico MTV. Ele foi gravado em
duas sessões ao vivo, nos dias 9 e 10 de maio, e passou os sete
meses seguintes sofrendo mudanças no estúdio. Roberto é
famoso pelo jeito obsessivo com que pilota as gravações
de um álbum. Mas desta vez ele se superou. Todos os passos normais
envolvidos no lançamento de um CD foram dados aos tropeços.
Em outubro, a faixa Parei na Contramão estava prestes a
ser liberada para as rádios como primeiro single. O cantor encasquetou
que a palavra "contramão" poderia dar azar e ordenou que a música
fosse substituída pela canção de protesto Todos
Estão Surdos. Oficialmente, valeu a versão de que a
mensagem pacifista dessa última teria mais a ver com o clima político
depois dos atentados terroristas aos Estados Unidos. Todo o material de
divulgação do single repudiado, que já estava pronto
havia tempo, foi jogado no lixo.
Outro exemplo
das dificuldades enfrentadas pelos produtores: o cantor passou oito dias
tentando consertar os vocais de uma única faixa, na qual a palavra
"displicente" teimava em soar "dispricente" aos seus ouvidos. "Sou meio
maluco mesmo", disse o cantor, em tom de brincadeira, numa entrevista
na semana passada. Os contratempos foram tantos que as matrizes do disco
só foram enviadas às fábricas que confeccionaram
as cópias oito dias antes do lançamento oficial do trabalho.
O CD sai com 2 milhões de exemplares o dobro da tiragem usual
dos discos de Roberto.
As esquisitices
do cantor mais popular do país compõem um capítulo
considerável no anedotário da MPB. Certa vez, em meados
dos anos 90, de partida para o aeroporto de Cumbica, em São Paulo,
ele deparou no chão com um louva-a-deus ferido. Impressionado com
esse fato, ele carregou o inseto para o avião que o levaria a Los
Angeles e ainda deu um jeito para que um médico observasse o seu
inusitado companheiro de viagem durante todo o vôo. Por que fez
isso, só Deus sabe. Na raiz das suas manias está a religião.
Roberto é militante do Movimento de Renovação Carismática
da Igreja Católica.
A carolice
do cantor tem se refletido de modo cada vez mais forte em suas atividades
profissionais. Por exemplo, o hit Quero que Vá Tudo Pro Inferno
(ao qual ele agora só se refere como "aquela música")
teve sua execução proibida pelo cantor. No Acústico
MTV, Roberto trocou a letra de É Preciso Saber Viver.
O verso "Se o bem e o mal existem" virou "Se o bem e o bem existem". "Quando
fiz essa música tinha uma outra visão do mundo. Agora quero
reafirmar a importância do bem", justifica. Desde a morte de Maria
Rita, sua mulher, Roberto Carlos, além de rezar muito, procura
manter o equilíbrio com sessões de reiki (uma técnica
de energização cósmica ou algo que o valha), meditação
e uma dieta balanceada. Está com uma aparência mais tranqüila
do que há um ano e meio. Tanto que surgiu o boato de que ele teria
feito uma plástica no rosto. Não fez. Plástica, mesmo,
só em seu disco.
| MUITO
ZELO, POUCA EMOÇÃO |
|
Acústico
MTV é um bom disco. Mas poderia ser melhor. Roberto Carlos
foi sábio ao privilegiar suas criações das
décadas de 60 e 70, deixando de lado homenagens a taxistas
e caminhoneiros que pontuaram seus CDs mais recentes. A banda formada
principalmente por músicos tarimbados, e não por roqueiros
famosos, como a princípio se havia cogitado, também
foi uma escolha acertada. O problema é que os muitos meses
passados em estúdio para finalizar o disco nem sempre tiveram
um efeito positivo. Por exemplo, o vocal, colocado à frente
de todos os instrumentos na mixagem, abafa os ritmos de um disco
que deveria soar jovem e dançante. O excesso de zelo também
podou parte da emoção das interpretações
ao vivo. Finalmente, o desejo de homenagear sua mulher, Maria Rita,
que morreu há dois anos, substituiu no CD grandes momentos
da gravação original, como Debaixo dos Caracóis
de Seus Cabelos. Resta esperar pela edição do
acústico em DVD, prometida para abril de 2002.
|
|
|
 |
|
 |

|
 |