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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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A volta por baixo

João Kleber, o humorista da era
Collor, faz sucesso novamente.
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A volta por baixo

João Kleber, o humorista da era
Collor, faz sucesso novamente.
Não é uma boa notícia

Ricardo Valladares

Antonio Milena

O apresentador, entre convidados de seu programa: "O povo quer circo"

Em janeiro de 2002, o ranking de salários da Rede TV! trará em primeiro lugar o nome de João Kleber. Ele vai embolsar 135.000 reais por mês, graças à boa audiência de seus dois programas, o Eu Vi na TV e o Canal Aberto. "Consegui dar a volta por cima", diz o humorista e apresentador, que adora circular por São Paulo a bordo de um Mercedes último tipo. De fato, há muito tempo ele não desfruta de tanto prestígio. Quando assinou contrato com a emissora paulista, em meados de 1999, Kleber vinha de um período de ostracismo que já durava seis anos. Pode-se dizer que ele havia sofrido impeachment juntamente com Fernando Collor de Mello. Durante a campanha de Collor à Presidência, e nos primeiros tempos de seu mandato, João Kleber fez o papel de bobo da corte. Vivia sendo convidado para animar as festas da quadrilha de Alagoas. "Foi uma fase de desbunde, eu assumo", diz ele. Quando os escândalos da Presidência collorida estouraram, as coisas começaram a dar errado para ele também. Perdeu o emprego que tinha na Rede Globo e, de vinte shows por mês, sua agenda passou a não registrar mais do que um ou dois. "Um monte de gente me virou a cara", choraminga ele. "A Hebe Camargo, que também freqüentava a Casa da Dinda, foi uma dessas pessoas. Só o Fausto Silva e o Chico Anysio continuaram me apoiando. Fausto me emprestou dinheiro." Na opinião de Kleber, a única coisa boa que lhe restou desse período turbulento foi o casamento com Wanya de Barros Engydio, em 1995. Três anos antes ela havia sido capa da revista Playboy, com o nome artístico de Wanya Guerreiro. Seu maior atrativo na época: ter sido amante do morcegão PC Farias e do irmão do ex-presidente, Pedro Collor.

Egberto Nogueira

Wanya, a mulher de João Kleber, em 1992: ex de PC e Pedro Collor

Na Rede TV!, João Kleber tem se destacado pelo mau gosto. Ele estreou com o programa Eu Vi na TV, que vai ao ar às segundas-feiras no final da noite. Seu primeiro quadro a ter repercussão foi o de Charlotte Pink, em que o apresentador se travestia para fazer reportagens e entrevistas desbocadas sobre sexo. Durante uma gravação numa casa de massagens, João Kleber exagerou na baixaria e levou um puxão de orelhas da direção da emissora. "A Charlotte está de férias, mas ela ainda vai voltar", promete ele. Depois da interdição de Charlotte Pink, o caminho foi investir nos "testes de fidelidade", em que atores se insinuam para homens ou mulheres comprometidos, enquanto os respectivos parceiros observam tudo. Com essa bobagem, em que invariavelmente ele derrama lágrimas de crocodilo, Kleber começou a roubar pontos das emissoras concorrentes. "Meus adversários copiaram a idéia. Até o programa da Adriane Galisteu, que é cheio de pose, fez coisa parecida", reclama. Com a audiência do Eu Vi na TV girando em torno dos 7 pontos, o apresentador ganhou no mês passado o comando de Canal Aberto, exibido de segunda a sexta-feira no final da tarde. Testes de paternidade, brigas entre parentes armadas no auditório e coisas desse gênero são a matéria-prima do show. Ele resume a filosofia da atração numa frase: "O povo quer circo". Só faltou completar que o circo, na sua visão sofisticada, deve ser sempre de horrores. Kleber saiu da República de Alagoas, mas a República de Alagoas não saiu de dentro dele.

   
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