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Haja memória
Como lembrar
senhas para sacar
dinheiro,
usar celular e acessar
a internet sem fazer confusão
Adriana Negreiros
Claudio Rossi

Hora
da verdade: como lembrar qual código deve ser usado em cada ocasião |
Uma pessoa
que tenha conta corrente em banco, celular, cartão de crédito,
provedor de internet, e-mail, acesso a um site de compras bem,
só aí essa pessoa já tem pelo menos seis senhas para
decorar. Essa é uma conta que não pára de aumentar.
Já há senha para entrar na academia de ginástica,
pegar um filme na locadora e ler publicações no computador.
As instituições financeiras, por segurança, tornam
mais difícil a cada dia o acesso dos intrusos e dos clientes,
por conseqüência. A mais recente novidade são as letras
incorporadas às senhas bancárias, para usar em conjunto
com os números. É natural que alguns códigos acabem
sendo esquecidos, por desuso ou confusão. Mas especialistas em
memória garantem que o cérebro pode dar conta dessa variedade
independentemente da idade.
O principal
segredo é fazer associações de idéias. O método
não é novidade. No século XVI, o jesuíta italiano
Mateo Ricci conseguia arquivar na memória todos os seus compromissos.
Ligava uma reunião com o abade um comilão
às refeições, por exemplo. Diante da mesa do café
da manhã já se lembrava do encontro. Por um princípio
semelhante, há quem atribua à senha do celular a data de
aniversário da pessoa para quem mais telefona. Com 100 bilhões
de neurônios, o cérebro faz essas conexões sem maiores
problemas. Quanto mais relevante a informação, maior o número
de neurônios envolvidos. Se é maior o total de conexões,
também será maior a possibilidade de recordação.
Por isso se diz que o cérebro também pode ser exercitado
com uma espécie de musculação intelectual para mantê-lo
ágil.
O neurofisiologista
Gilberto Fernando Xavier, professor do Instituto de Biociências
da Universidade de São Paulo, garante que qualquer informação
utilizada cotidianamente por mais de três anos se torna definitiva.
"Basta um pequeno esforço e alguma concentração para
trazê-la à tona", diz Xavier. Por isso muita gente se surpreende
ao lembrar um número antigo de telefone e ao mesmo tempo não
conseguir recordar o nome de alguém postado à sua frente.
Disso decorre ainda o fato de que uma pessoa de 70 anos está, pelo
menos fisiologicamente, mais aparelhada para lembrar todas as suas senhas
que um jovem de 20. Como exercitou por mais tempo suas conexões
cerebrais, o idoso tem facilidade para criar as associações,
mesmo que demore para absorver as informações. Isso vale
mais, é claro, para quem tenha mantido atividade intelectual ao
longo da vida. Não precisa ser a leitura de tratados de filosofia.
Fazer lista de compras e organizar o carrinho do supermercado também
é um exercício válido.
No mundo
das senhas, não há outra saída senão seguir
esses conselhos. Bancos que não permitem que o cliente escolha
sua senha informam considerar esse método o mais seguro para os
próprios correntistas. Sistemas de computador que vivem pedindo
mudança de senha, muito comum em escritórios, também
foram adotados por quem acredita estar protegendo os usuários.
O melhor, como aconselha a psicóloga Cândida Camargo, do
serviço de neuropsicologia do Hospital das Clínicas de São
Paulo, é usar senhas em que se possam escolher as mesmas combinações,
se possível coincidindo também com as atribuídas
por instituições. "Eu ficaria louca se não fizesse
isso", diz Cândida, que tem um único código para os
sites de publicações médicas que costuma freqüentar.
Como está quase aprovada a legislação que permitirá
controlar a programação de televisão, o momento é
adequado para preparar a memória esse controle também
será feito por senha.
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