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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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Escravos dos lobbies

Contrariando o que pregam, os
congressistas americanos se rendem
a interesses protecionistas


Uma medida que o Brasil espera há anos que seja aprovada nos Estados Unidos para facilitar a queda das barreiras impostas às exportações finalmente começou a sair do papel. Mas o projeto que os deputados americanos aprovaram há alguns dias foi concebido de maneira tão torta que poderá mais atrapalhar que ajudar as relações comerciais entre os dois países.

O projeto da Autorização de Promoção Comercial (TPA), ou fast track (literalmente, via rápida), como é mais conhecido, permite que o presidente George W. Bush negocie a compra de produtos estrangeiros sem a interferência do Congresso e, conseqüentemente, sem a pressão dos lobistas que defendem os interesses das empresas americanas. O Congresso pode vetar, mas não mudar o que for acertado. Pois foram justamente os lobistas que conseguiram condicionar a negociação de cerca de 200 produtos, altamente competitivos e considerados "sensíveis", à consulta dos parlamentares. Entre eles estão os principais itens que o Brasil queria ver livres do protecionismo.

Além disso, os políticos americanos também querem que as importações de países com taxa de câmbio competitiva sejam mais bem "analisadas". Isso afetaria o Brasil, já que a desvalorização de 22% do real neste ano tornou nossos produtos mais baratos no exterior. "É um acordo que já nasce sem acordo, pois mantém as barreiras ao nosso suco de laranja, ao açúcar, aos calçados e aos artigos têxteis", diz o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro. Os Estados Unidos são o destino de um quarto das exportações brasileiras. Estudos mostram que 60% dos produtos vendidos para os americanos enfrentam algum tipo de barreira para entrar no país. O secretário da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca, por sua vez, quer que o empresariado brasileiro parta para o contra-ataque e vá fazer lobby no Senado americano para modificar o projeto. Do jeito que está, o fast track é um banho de água fria para aqueles que comemoraram a vitória contra o protecionismo agrícola e de patentes de remédios conquistada há apenas um mês na rodada da Organização Mundial do Comércio.

 
 
   
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