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Escravos dos lobbies
Contrariando
o que pregam, os
congressistas americanos se rendem
a interesses protecionistas
Uma
medida que o Brasil espera há anos que seja aprovada nos Estados
Unidos para facilitar a queda das barreiras impostas às exportações
finalmente começou a sair do papel. Mas o projeto que os deputados
americanos aprovaram há alguns dias foi concebido de maneira tão
torta que poderá mais atrapalhar que ajudar as relações
comerciais entre os dois países.
O projeto
da Autorização de Promoção Comercial (TPA),
ou fast track (literalmente, via rápida), como é mais conhecido,
permite que o presidente George W. Bush negocie a compra de produtos estrangeiros
sem a interferência do Congresso e, conseqüentemente, sem a
pressão dos lobistas que defendem os interesses das empresas americanas.
O Congresso pode vetar, mas não mudar o que for acertado. Pois
foram justamente os lobistas que conseguiram condicionar a negociação
de cerca de 200 produtos, altamente competitivos e considerados "sensíveis",
à consulta dos parlamentares. Entre eles estão os principais
itens que o Brasil queria ver livres do protecionismo.
Além
disso, os políticos americanos também querem que as importações
de países com taxa de câmbio competitiva sejam mais bem "analisadas".
Isso afetaria o Brasil, já que a desvalorização de
22% do real neste ano tornou nossos produtos mais baratos no exterior.
"É um acordo que já nasce sem acordo, pois mantém
as barreiras ao nosso suco de laranja, ao açúcar, aos calçados
e aos artigos têxteis", diz o diretor da Associação
de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.
Os Estados Unidos são o destino de um quarto das exportações
brasileiras. Estudos mostram que 60% dos produtos vendidos para os americanos
enfrentam algum tipo de barreira para entrar no país. O secretário
da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca,
por sua vez, quer que o empresariado brasileiro parta para o contra-ataque
e vá fazer lobby no Senado americano para modificar o projeto.
Do jeito que está, o fast track é um banho de água
fria para aqueles que comemoraram a vitória contra o protecionismo
agrícola e de patentes de remédios conquistada há
apenas um mês na rodada da Organização Mundial do
Comércio.
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