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Pacote
econômico
A competição
feroz entre as empresas
de entrega rápida chega ao Brasil e
pode turbinar as exportações
Raul Junior

Funcionário
usa caneta ótica para registrar as informações
do pacote |
Um
dos poucos gurus empresariais cujo prestígio só aumenta
com a passagem do tempo, o americano Peter Drucker costuma dizer que a
força da economia moderna não está apenas nos computadores,
mas também nas empresas de entrega de encomendas, como FedEx, UPS
e DHL. "Elas são o azeite das engrenagens da economia. Estão
na base dos ganhos de produtividade", complementa Drucker. A logística
dessas empresas realmente é extraordinária. Um computador
comprado na Califórnia, via internet ou por telefone, por um cliente
em Nova York, às 11 da noite, é entregue na porta de sua
casa na manhã seguinte. O efeito positivo nas compras industriais
de matérias-primas ou na reposiç& entrega de encomendas, como FedEx, UPS
e DHL. "Elas são o azeite das engrenagens da economia. Estão
na base dos ganhos de produtividade", complementa Drucker. A logística
dessas empresas realmente é extraordinária. Um computador
comprado na Califórnia, via internet ou por telefone, por um cliente
em Nova York, às 11 da noite, é entregue na porta de sua
casa na manhã seguinte. O efeito positivo nas compras industriais
de matérias-primas ou na reposição de peças
defeituosas é ainda mais notável que a boa impressão
do cliente que recebe seu computador comprado do outro lado do país
em menos de doze horas. Pouco a pouco, o Brasil também começa
a entrar no ritmo do capitalismo turbinado das companhias de entrega.
Depois de uma tentativa fracassada de manutenção do monopólio
nas mãos estatais dos Correios, o cenário agora é
de competição acirrada entre as empresas para ver quem entrega
encomendas em menos tempo e a custo menor.
Aqui, o maior impacto está sendo sentido no esforço de exportação
que as companhias brasileiras estão fazendo. Esse é o mercado
mais cobiçado pelas empresas de entrega rápida. "Dois em
cada dez produtos manufaturados consumidos no mundo atravessam alguma
fronteira internacional antes de chegar a seu destinatário. Estima-se
que em vinte anos esse número chegue a oito em dez", disse a VEJA
Michael Ducker, vice-presidente mundial da FedEx Express. Um exportador
pode agendar as entregas de suas mercadorias com muito mais agilidade
e rapidez que no passado. Empresas estrangeiras e nacionais, como os Correios,
competem para trazer ao mercado ferramentas que permitam ao exportador
realizar seus negócios via internet.
Rogério Montenegro

A DHL
é líder no mercado de encomendas do Brasil para o exterior |
Com
o programa Exporte Fácil Web, dos Correios, os exportadores podem
consultar do próprio computador preços e prazos de entrega
e fazer a parte burocrática do despacho da mercadoria. Os Correios
ainda dominam o mercado, fazendo 70% das remessas em território
nacional. Nas encomendas vindas do exterior ou mandadas do Brasil para
compradores fora do país, a FedEx é uma das líderes,
com 32%. O custo dos fretes ainda é alto. Por enquanto, ele é
compensador apenas para quem vende produtos que no jargão dos economistas
são definidos como de alto valor agregado -- ou seja, são
caros mas seu custo é relativamente baixo e, portanto, a margem
de lucro do fabricante é alta. Computadores e peças eletrônicas
se encaixam na definição acima.
A Volkswagen/Audi, em Curitiba, é um exemplo de uso racional do
serviço de encomendas rápidas. A empresa exporta carros,
como o Golf, para os Estados Unidos e o Canadá. Os automóveis
vão de navio, mas, quando chegam lá, freqüentemente
precisam de peças de reposição por causa das avarias
que sofrem durante o transporte. Para expedir essas peças, havia
antes uma demora de quinze dias. Mas desde que a empresa fechou parceria
com a FedEx, há seis meses, esse prazo foi reduzido para cinqüenta
horas. A inovação adotada pela subsidiária brasileira
agora está sendo copiada no resto do mundo, inclusive pela matriz,
na Alemanha. "A rapidez na reposição das peças da
Volks de Curitiba rendeu à montadora o primeiro lugar em tempo
de trânsito entre todas as subsidiárias do grupo que enviam
carros aos Estados Unidos", diz o analista de logística da Volks,
Rodrigo Freitas de Souza. Marco Aurélio Franco, diretor da área
de comércio exterior da Volvo, também de Curitiba, conseguiu
reduzir o tempo de remessa de peças para suas subsidiárias
de 120 para 48 horas. "Em alguns casos, as exportações via
encomenda expressa representam redução de custos de até
90% para o cliente. Isso porque, pelas vias normais, as empresas gastam
muito dinheiro com despachante e transporte", diz Fabio Peroni, chefe
do departamento de operações e negócios dos Correios.
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