Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
Geral Religião
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Brasil
Geral
 

Sexo dá o tom dos anúncios franceses
Celebridades ganham para aparecer em festas
Mulheres no canteiro de obras de Tucuruí
O tombamento de tradições populares
A pulseira das patricinhas
Os piratas atacam nos mares do Sul
Hotéis usam a cheia para atrair turistas ao Pantanal
Novas drogas para a esquizofrenia
Volkswagen inaugura fábrica de carros de luxo
Educação: A avaliação melhora o ensino
Fofocas e politicagens na vida de Virgílio Távora
O governador planta o filho na oposição
A fé que move o brasileiro

Economia e Negócios
Internacional
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
VEJA on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Um povo que acredita

Acesso rápido
Capas de VEJA
2000 | 2001

Pesquisa mostra que os
brasileiros são religiosos,
crêem em Deus e esperam
passar a eternidade
no paraíso

Jaime Klintowitz


Ana Araujo

Reza de Presépio em Pirenópolis, Goiás: orações no Natal


Veja também
A ciência da fé

No início do século XX, acreditava-se que quanto mais o mundo absorvesse ciência e erudição menor seria o papel da religião. De lá para cá, a tecnologia moderna se tornou parte essencial do cotidiano da maioria dos habitantes do planeta e permitiu que até os mais pobres tenham um grau de informação inimaginável 100 anos atrás. Apesar de todas essas mudanças, no início do século XXI o mundo continua inesperadamente místico. O fenômeno é global e no Brasil atinge patamares impressionantes. Em resposta à pergunta "Você acredita em Deus?", feita em pesquisa encomendada por VEJA ao instituto Vox Populi, 99% dos entrevistados responderam "sim". Trata-se de uma maioria acachapante, de desarmar qualquer ceticismo em relação à religiosidade dos brasileiros. Aqueles que têm por verdadeira a existência do paraíso, onde depois da morte as pessoas desfrutariam a vida eterna ao lado de Deus, são igualmente numerosos: 83%. Ou seja, os brasileiros não apenas crêem em Deus como a maioria conta compartilhar com Ele a eternidade.


José Luís da Conceição/AE

Dia da padroeira na Basílica de Aparecida, em 12 de outubro: missas para 170 000 fiéis

O Brasil sempre foi um laboratório fantástico para estudos sobre religião. Maior país católico do mundo, ele ainda concentra dezenas de outras crenças, de origens tão diversas como cultos de raízes africanas e o espiritismo do francês Alan Kardec. Até os anos 50, a fé romana era monolítica e quem admitia não ser católico de certo modo se excluía da sociedade e até da intelectualidade, já que muito da educação estava nas mãos de religiosos. O cenário atual é inteiramente diferente. O rebanho católico ainda desfruta confortável maioria, estimada em 80%, mas vem sendo ceifado pelo crescimento acelerado das igrejas protestantes. Calcula-se que os evangélicos no Brasil, entre protestantes tradicionais e pentecostais, cheguem a 22 milhões, o que representa 13% da população. Quase o dobro dos 13 milhões registrados no censo de 1991.

Há ainda um novo fenômeno que começa a ser captado pelas pesquisas e está chamando a atenção dos estudiosos do assunto no Brasil e no exterior. Boa parte dos fiéis está olhando para a religião como se estivesse diante de uma prateleira de supermercado. Empurrando seu carrinho, a pessoa escolhe os itens que mais lhe agradam entre os oferecidos. Assim, é comum ver alguém que se diz católico fazer três desejos ao colocar uma fitinha do Senhor do Bonfim e ainda freqüentar um centro espírita. Ou um judeu reavaliar sua espiritualidade percorrendo o caminho de Santiago de Compostela, de tradição católica, como fez em 1999 o executivo Herbert Steinberg, vice-presidente de RH do banco Santander. Muitas pessoas dizem ser católicas porque se sentem assim, embora não freqüentem a igreja. Os praticantes do candomblé quase que invariavelmente têm fé nos santos do catolicismo. Nos casos mais extremos desse fenômeno, as pessoas criam a própria religião, através da qual mantêm um contato sem intermediários com o divino. Nas pesquisas, esse grupo dos sem religião definida é um dos que mais crescem no Brasil, ao lado daquele dos pentecostais e do movimento de Renovação Carismática da Igreja Católica.

Segundo o levantamento do Vox Populi, 96% dos evangélicos acreditam que serão recompensados com a vida eterna no paraíso. Entre os católicos, 84% das pessoas têm a mesma expectativa. As proporções são elevadas para um mundo que parece viver só para valores mundanos. Mais surpreendente, no entanto, é que também acreditem na vida eterna ao lado de Deus sete de cada dez dos entrevistados pelo Vox Populi que se declaram sem religião – aqueles que crêem em forças transcendentais, mas não praticam nenhum dos credos formalmente estabelecidos. De modo geral, as religiões cristãs restringem o ingresso no céu àqueles que se mostraram fiéis a seus mandamentos. Apesar de não contar com o aval de uma confissão estabelecida, 18% dos brasileiros sem religião estão confiantes em que ao morrer irão diretamente para o céu. A enquete foi realizada com base em 1.017 entrevistas efetuadas por telefone entre a população adulta de 184 municípios em todas as regiões do país. Além da diversidade regional, a pesquisa reflete a variedade de rendimentos, escolaridade e filiação religiosa dos brasileiros. Essa abrangência permite um mergulho inédito, e um tanto intrigante, num universo que vem sendo estudado com crescente rigor científico.

A religiosidade do brasileiro é cheia de surpresa. A diferença de classe social, por exemplo, tem escasso reflexo sobre algumas crenças. A certeza de que há recompensa ou castigo após a morte é compartilhada na mesma proporção (em torno de 70%) de alto a baixo da pirâmide social. Não há sobressaltos também quando a religiosidade é analisada sob o filtro da idade ou escolaridade. A história muda de figura no que se refere à vida eterna. Seria natural que os mais pobres e menos letrados depositassem maior esperança na outra vida, na qual as diferenças sociais e econômicas perdessem importância. Pois ocorre o inverso. Para 70% dos brasileiros de classe média e escolaridade superior existe, sim, vida após a morte. Entre aqueles com renda até cinco salários mínimos e pouca instrução, o número cai abaixo de 60%.

 
José Luís da Conceição/AE

Romeiros em Aparecida: a cidade recebe 7 milhões de visitantes por ano

Os brasileiros estão divididos no que diz respeito ao diabo. Apenas metade da população acredita na existência do demônio e, aqui, os pobres, especialmente os evangélicos, estão mais convencidos de que existe mesmo o Satanás. A explicação está no fato de que no culto evangélico o demônio é tratado como uma realidade concreta, que precisa ser exorcizado pelo pastor. Feitas as contas, a quase totalidade dos brasileiros crê em Deus, enquanto somente a metade da população acredita no diabo. É uma mudança significativa. Apenas meio século atrás, as pessoas acreditavam com a mesma intensidade no Bem e no Mal. Hoje, as pessoas crêem sem vacilar no Bem. Já o Mal por assim dizer perdeu grande parte de sua credibilidade. É interessante que isso ocorra naturalmente entre a população, já que a mesma coisa acontece de maneira muito mais refletida na alta hierarquia católica. Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica retirou discretamente de seus ensinamentos as terríveis histórias de punição após a morte. Há dois anos, o papa João Paulo II decidiu que o inferno não é um lugar físico, onde as pessoas seriam cozidas em fogo eterno, como se apregoou durante séculos, mas um "estado da alma", em que o sofrimento do pecador seria causado não mais pelas chamas, e sim pela ausência de Deus. A edição em português do Catecismo da Igreja Católica, que é o código de conduta e de princípios da Santa Sé, tem 734 páginas. De seus 2.865 parágrafos, só seis são dedicados ao inferno, três ao purgatório e onze ao paraíso.

 



   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS