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As lições
da nota
100
O Provão
deste ano mostra que os professores estão mais qualificados e as
faculdades melhoraram. Um aluno até conseguiu acertar todas as
questões

Luís
Henrique Amaral
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Markus
Rebmann: única nota máxima entre os 271.000
alunos avaliados
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O Exame Nacional
de Cursos, aquela rodada de testes a que se submetem os universitários
formandos, mais conhecido como Provão, foi criado em 1996 sob uma
chuva de esperneios. Sindicatos de professores e grupos de reitores, quase
todos ligados às universidades estatais, alegavam que o Provão
não se sustentava do ponto de vista pedagógico. E por quê?
Pelo seguinte, diziam: em vez de submeter as universidades brasileiras
ao tal exame (sim!), o ministro da Educação deveria combater
a "mercantilização do ensino" representada pelo avanço
das faculdades privadas (claro!!), além de aumentar o salário
dos professores (óbvio!!!). Apoiando a reação descaradamente
corporativa e tentando boicotar o teste, a União Nacional dos Estudantes
e outras associações do alunato promoveram arruaças.
Num primeiro momento, turmas inteiras de estudantes entregaram a prova
em branco. Com o passar dos anos, o protesto perdeu o viço e as
escolas se adaptaram à nova realidade. As faculdades bem avaliadas
começaram a propagandear o feito. Quanto às mal avaliadas,
a esmagadora maioria investiu em modernização. Ficou demonstrado
que o Provão se tornou uma das mais expressivas ações
pedagógicas no campo do ensino superior. "A simples aferição
de desempenho produz melhoria no sistema", afirma o ministro Paulo Renato
Souza, que na semana passada anunciou os resultados da sexta edição
do Provão.
O teste
avaliou neste ano 271.421 alunos espalhados
por 3.701 cursos em vinte áreas. Cada
estudante recebeu uma prova específica para o curso no qual se
estava formando. Com base nos resultados, o ministério consegue
medir o desempenho de cada faculdade, que recebeu notas de E, a mais baixa,
a A, a mais alta. A divulgação do sexto exame confirma o
raciocínio de que a avaliação produz melhorias. O
Provão aponta um aumento no número de faculdades com notas
mais altas, e as médias obtidas pelos alunos nas provas subiram.
Pela primeira vez, um universitário acertou todas as questões
do Provão. O feito coube a Markus Samuel Rebmann, de 23 anos, estudante
de engenharia civil da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um
alemão filho de missionários batistas que está no
Brasil desde os 6 anos. No ano passado, quando esse levantamento sobre
o desempenho individual dos alunos passou a ser feito, ninguém
atingiu esse índice de acertos. "Quanto mais positivo é
o resultado, maior é a auto-estima dos alunos e isso facilita a
entrada no mercado de trabalho", diz o reitor da Universidade de Mogi
das Cruzes (SP), Isaac Roitman, que vê o Provão como peça
fundamental no marketing das faculdades pagas.
Os diretores
dos cursos avaliados pelo Provão também tiveram de responder
a um questionário formulado pelo MEC. Um dos resultados obtidos
informa que o nível dos professores vem melhorando nos últimos
anos. Em 1997, apenas 48% dos professores dos cursos de odontologia tinham
título de mestres ou doutores. Em 2001, esse número subiu
para 63%. O mesmo índice cresceu nas treze carreiras que participaram
de três ou mais edições do exame. A Universidade Paulista,
de propriedade de João Carlos Di Genio, é um exemplo de
que o Provão está ajudando as escolas a melhorar seus cursos.
Depois de dois conceitos negativos em engenharia química, em 1997
e 1998, Di Genio decidiu suspender o curso, que, com a troca do corpo
docente e da direção, será reaberto no ano que vem.
E quem não se adaptou foi punido. Pela primeira vez na história
do país, doze cursos perderam seu reconhecimento e não poderão
promover vestibular até provar que melhoraram. Se a situação
não mudar em um ano, fecham. "O Provão está fazendo
todo mundo se mexer", afirma o presidente da Associação
Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, Édson Franco.
O Provão
tem a indiscutível virtude de dar respostas exatas a denúncias
vagas a respeito da gestão do ensino superior. Uma acusação
freqüente dizia que o ministério estaria produzindo uma queda
na qualidade acadêmica nacional ao autorizar o funcionamento indiscriminado
de cursos. Não é o que mostram os dados. Na carreira de
direito, em que essa crítica é mais comum, os alunos das
faculdades criadas após o surgimento do Provão estão
obtendo resultados melhores que aqueles que estudaram em instituições
mais antigas. O porcentual de estudantes com notas A ou B formados nas
escolas pós-Provão é de 37,2%, contra 32,8% dos diplomados
nas mais antigas. No caso de administração, a situação
é de empate. "Os cursos criados recentemente já nascem no
espírito da avaliação", diz Tancredo Maia Filho,
diretor de Avaliação e Acesso ao Ensino Superior do MEC.
Encerrada
a polêmica em torno da utilidade do Provão, o ministro Paulo
Renato mostrou durante o anúncio dos resultados que pretende envolver-se
numa nova discussão. Ele quer obrigar as faculdades a colocar o
resultado do Provão no currículo escolar dos alunos. Essa
proposta havia sido apresentada em 1995, quando o Congresso votou a lei
que criou o exame, mas foi derrubada por pressão das entidades
estudantis. Se o projeto vingar, o desempenho do estudante no teste não
irá apenas ser utilizado como um dado para calcular a nota da faculdade
que ele freqüenta. Caso a idéia do governo seja aceita, os
alunos terão de zelar por sua nota individual no Provão.

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