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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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Atrações fora de
época no Pantanal

Hotéis tiram proveito da cheia
pantaneira para seduzir
turistas na baixa estação

Rosana Zakabi

Fotos Araquém Alcântara
Alcântara
Passeio a cavalo na vazante: diversão em hotéis como a Fazenda Barra Mansa (à dir.)

O verão costuma ser o tempo de vacas magras para o turismo no Pantanal Mato-Grossense. Nessa estação, chove muito e toda a planície fica inundada pela cheia dos rios. O acesso é difícil e só se chega de barco ou avião. Até pouco tempo atrás, os turistas evitavam a região nesta época do ano. Achavam que o Pantanal só valia a pena no período da seca. Esse é um mito que começa a ser desfeito. Os brasileiros estão descobrindo que é no verão que a planície fica mais verde e colorida do que nunca, com diversos tipos de flores, pássaros e riachos que só são vistos agora. As fazendas também tiram proveito da estação para realizar atividades pouco comuns, como mergulhos para observação de peixes nos rios temporários. É um cenário diferente que já atrai muitos estrangeiros. "Os brasileiros simplesmente se esqueciam do Pantanal durante o verão", diz Beatriz Rondon, presidente da Associação do Vale do Rio Negro, região sul do Pantanal. Os hotéis também começam a tirar partido do clima para valorizar suas atrações. Neste ano, o número de turistas aumentou até 50% em relação ao ano passado e a maioria das pousadas já está lotada até janeiro.

Com as cheias, o nível da água aumenta tanto que, em algumas regiões, se formam grandes rios temporários. São as chamadas vazantes, por onde a água da cheia escoa a velocidade baixíssima. Com profundidade que varia de 1,5 a 3 metros, dezenas de metros de largura e até 90 quilômetros de extensão, alguns deles se transformam em refúgios de água transparente para dezenas de espécies de peixe. São aquários gigantes onde o turista pode mergulhar munido de máscara e snorkel para observar dourados, pacus e pintados, peixes que estão protegidos da pesca entre os meses de novembro e fevereiro. Na Fazenda Barra Mansa, que tem em sua área uma dessas vazantes, é possível praticar mergulho, canoagem e cavalgadas na borda desses rios temporários e ainda observar os animais isolados em meio a ilhotas cercadas pela água. Na Pousada Mangabal, outra fazenda da região, essas formações viram refúgio para uma multidão de jacarés-caimãs. São tantos que os turistas precisam tomar cuidado para não pisar nos animais quando caminham pela beira da vazante.

 
Safáris fotográficos e contato com animais: natureza se mantém exuberante no verão

Na seca, estação que vai de junho a outubro, as aves costumam ser atraídas aos milhares pelos peixes presos nas lagoas que secam com o calor. No verão, é a piracema que as traz. Os peixes se deslocam em grandes cardumes e tornam-se presas fáceis de predadores. O Pantanal vira abrigo de pássaros migratórios, como colhereiros, biguás e frangos-d'água, que se juntam aos que sempre estão por lá, como tuiuiús e araras-azuis. Na região norte do Pantanal, em Poconé, há pousadas como a Araras Eco Lodge, em que as principais atrações são um imenso ninhal de araras-azuis e uma grande concentração de ariranhas. Outras, como a Aguapé, em Aquidauana, na parte sul da região, transformam-se em um enorme viveiro para 370 espécies de pássaros, entre eles a garça-real, o surucuá e a noivinha. As aves são atraídas por goiabeiras, mangueiras, jabuticabeiras e cajueiros plantados no hotel. Essas árvores ficam carregadas de frutas nesta época do ano. Alguns hotéis oferecem passeios mais sofisticados. A Fazenda Rio Negro, propriedade da organização Conservation International, pertenceu à família do marechal Rondon e tem uma sede centenária. Além de se hospedarem numa casa histórica, os visitantes podem sair a campo junto com pesquisadores que realizam estudos sobre a fauna e a flora da região. Assim, é possível também aprender um pouco mais sobre esse santuário da natureza que os brasileiros ainda conhecem tão pouco.

   
 
   
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