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Vips de aluguel
Quem vê
pensa que as celebridades
só vivem para festas. Na verdade,
ganham (e bem) para aparecer
Silvia Rogar
Cida Souza
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Heudes Régis
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Roberto Valverde
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| Primeiro
time: Adriane Galisteu, Carolina Ferraz e Rodrigo Santoro ganham de
15 000 a 25 000 reais para sorrir por duas horas |
Todo
mundo conhece o pendor de Vera Fischer para a agitação da
vida noturna, visto que não passa semana sem que ela apareça
em toda a imprensa se esbaldando numa pista de dança. Mas nem sempre
é só o genuíno espírito festivo que a faz
aceitar convites dependendo do evento, a atriz pode cobrar cachê
de até 50.000 reais para dar o ar da
graça. Vera ocupa o topo do requisitado time de artistas que costumam
reforçar o orçamento com rápidas e muito bem pagas
aparições em inaugurações, lançamentos
de produtos e entregas de prêmios. O preço da presença
ilustre varia conforme a fama (veja quadro ao lado). Tirar de casa
gente do calibre de Adriane Galisteu, Carolina Ferraz ou Rodrigo Santoro
custa em média 20.000 reais. Já
o elenco de Malhação, de jovens em começo
de carreira, topa aparecer por 2.000 reais
quando não vão de graça mesmo. Lançado
ao estrelato pelo papel de Said em O Clone, o ex-professor de inglês
Dalton Vigh já está alguns degraus acima desse, digamos,
salário mínimo. Seja qual for a posição na
tabela, chovem convites a famosos. "A gente tem de selecionar, porque
aparece de tudo. Já fui chamada até para cantar pedra em
inauguração de bingo e puxar cavalo em leilão de
animais", diz a atriz iniciante Susana Werner, uma das campeãs
em aparições.
Pagamento
bom é em espécie, mas a atividade admite escambos variados.
Susana, que tem um empresário para analisar as propostas, ganhou
um cachê em jóias na semana passada, só para se extasiar,
num coquetel, com a coleção nova da rede Amsterdam Sauer,
ao lado de outros vips, como Thiago Lacerda e a namorada, Vanessa Lóes.
Ela conta que também já embolsou 7.000
reais para suar o top num camarote de micareta no Nordeste. Os compromissos
interestaduais costumam sair mais caro para os patrocinadores, que também
bancam as mordomias dos convidados de aluguel. Há duas semanas,
a promoter Alicinha Cavalcanti arrebanhou a apresentadora Sabrina Parlatore,
as atrizes Vanessa Machado, Taís Araújo e Alexia Deschamps
e a neofamosa Nana Gouvêa para uma viagem a Salvador, onde assistiram
à premiação do circuito Banco do Brasil de vôlei
de praia emendada (pensa que é moleza?) com um show de Carlinhos
Brown. O heterogêneo quinteto de beldades teve direito a cachê
(não divulgado, porque faz parte da função fingir
que é tudo puro prazer), hotel cinco-estrelas, transporte, refeições
e acompanhante.
Cota de
3% De poderosos grupos estrangeiros a butiques do interior,
ninguém quer mostrar um novo produto, abrir uma filial, promover
um desfile ou simplesmente badalar uma marca sem fazer disso uma ocasião
memorável. Quem pode realiza megafestas de mais de 1 milhão
de reais; com orçamentos mais modestos, organiza-se no mínimo
um coquetel. Em ambos os casos, mais importante do que a fartura de acepipes
ou a procedência do inevitável espumante é a quantidade
de vips por metro quadrado e, atrás deles, de um batalhão
de fotógrafos que garantirão o objetivo final disso tudo:
espaço na mídia. O pioneiro da união entre convidados
famosos e patrocinador interessado em exposição máxima,
há onze anos, foi o camarote da cervejaria Brahma, que virou tradição
no sambódromo carioca durante o Carnaval. Hoje, qualquer acontecimento
requer uma elaborada estratégia de marketing. Para virar assunto,
os profissionais da badalação estimam que a cota de nomes
famosos precisa ser de, pelo menos, 3% dos presentes. Para 300 convidados,
por exemplo, o ideal é ter um mínimo de nove "fotografáveis".
Fábio Cordeiro

A número
1: Vera Fischer em festa de lançamento de produto |
Se a empresa é sofisticada ou moderninha e a festa acontece no
eixo RioSão Paulo, é certo que uma parte dos vips
aparecerá de graça por ser bom para a própria
imagem, porque efetivamente quer se divertir ou por amizade ao inestimável
promoter, figura tão essencial para uma festa digna desse nome
quanto os convidados-celebridades. Um promoter de peso ganha, em média,
entre 5.000 e 10.000
reais por evento, e cada um tem sua turma. A carioca Liége Monteiro,
amicíssima de Vera Fischer, onde vai leva a diva junto. A ex-modelo
Fernanda Barbosa costuma reunir gente como Rodrigo Santoro, o empresário
João Paulo Diniz e, é claro, coleguinhas da antiga profissão.
Presença de famosos em festa só é certa mesmo com
cachê, por mais que sejam íntimos dos organizadores. Quem
paga não costuma se arrepender. "O cliente e o artista saem felizes
com o resultado", diz Ana Carvalho Pinto, organizadora de eventos em São
Paulo. Alguns rostos famosos têm função específica,
como apresentar produto ou vestir uma roupa da grife, mas a maioria ganha
mesmo é para circular e fazer pose para as câmaras por um
período máximo de duas horas. A procura é tanta que
as agências de modelos têm um departamento só para
cuidar da agenda social dos famosos. Criada há cinco anos, a Ford
Celebrities conta com setenta nomes, entre eles Cristiana Oliveira, Patrícia
de Sabrit e Luciano Szafir. "Como os convites são muitos e as agendas
estão sempre muito cheias, virou trabalho mesmo", confirma a diretora,
Ina Sinisgalli, que recebe, pelo menos, cinqüenta convites por dia
para seu elenco. Seleção, aliás, é um requisito
nem sempre cumprido nesse negócio. "Se você fizer de tudo,
vira arroz-de-festa", diz a atriz iniciante Patrícia de Sabrit,
com conhecimento de causa.
Fernando Martinho

Experiência:
Susana Werner recebeu convites para sortear pedra em bingo e puxar
cavalo em leilão |
Leonardo Lemos

O novato:
ex-professor de inglês, Dalton Vigh, o Said de O Clone, aproveita
seu momento |
Quem está
no ar, vivendo seu auge, aproveita. Quando estrelava Terra Nostra,
Thiago Lacerda apareceu em tudo, de anúncio milionário a
festa de debutante. Por inexperiência, cometeu gafes: ao ser sondado
para participar de uma festa da Louis Vuitton, cogitou receber em troca
dois jogos de malas da grife francesa coisa de mais de 25 000 reais.
Perdeu a boquinha. Já Bárbara Paz, na qualidade de finalista
de Casa dos Artistas, multiplicou seu passe por cinco e, quando
sair, não deve se dignar a aparecer em canto algum por menos de
10.000 reais. É bom que seja rápida.
Elaine Melo, a vencedora da primeira versão de No Limite,
não emplaca mais cachê para nada. "Só vou como convidada
mesmo", diz. Pelo menos ainda é convidada. "Tem gente que oferece
até dinheiro para ser chamada", conta Fernanda Barbosa.
Cachê
em roupas Michelly Machri, na esteira da fama de garota Sukita,
já prestigiou até inauguração de boate em
Manaus. Na semana passada, embelezou o coquetel de uma grife paulista
em troca de 1.000 reais em roupas. "Vou por
cachê porque sou muito caseira", justifica. No grupo muito restrito
de quem só vai aonde está a fim e não negocia aparição
em festa estão as atrizes Andréa Beltrão e Cláudia
Abreu. Fazem parte de um grupo em extinção. Desfilar a fama
a dinheiro é um procedimento consagrado internacionalmente. Gisele
Bündchen cobra um cachê estimado em no mínimo 200.000
reais coisa para peixe grande, como a joalheria Bulgari, que contou
com a modelo, com quem tem um contrato de publicidade, no lançamento
de sua coleção em Milão. Como manda o figurino, Gisele
chegou, abriu o sorriso esplendoroso, posou, cronometrou uma hora no reloginho
da grife e tchau, tchau.
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