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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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Vips de aluguel

Quem vê pensa que as celebridades
só vivem para festas. Na verdade,
ganham (e bem) para aparecer

Silvia Rogar

 
Cida Souza
Heudes Régis
Roberto Valverde
Primeiro time: Adriane Galisteu, Carolina Ferraz e Rodrigo Santoro ganham de 15 000 a 25 000 reais para sorrir por duas horas


Todo mundo conhece o pendor de Vera Fischer para a agitação da vida noturna, visto que não passa semana sem que ela apareça em toda a imprensa se esbaldando numa pista de dança. Mas nem sempre é só o genuíno espírito festivo que a faz aceitar convites – dependendo do evento, a atriz pode cobrar cachê de até 50.000 reais para dar o ar da graça. Vera ocupa o topo do requisitado time de artistas que costumam reforçar o orçamento com rápidas e muito bem pagas aparições em inaugurações, lançamentos de produtos e entregas de prêmios. O preço da presença ilustre varia conforme a fama (veja quadro ao lado). Tirar de casa gente do calibre de Adriane Galisteu, Carolina Ferraz ou Rodrigo Santoro custa em média 20.000 reais. Já o elenco de Malhação, de jovens em começo de carreira, topa aparecer por 2.000 reais – quando não vão de graça mesmo. Lançado ao estrelato pelo papel de Said em O Clone, o ex-professor de inglês Dalton Vigh já está alguns degraus acima desse, digamos, salário mínimo. Seja qual for a posição na tabela, chovem convites a famosos. "A gente tem de selecionar, porque aparece de tudo. Já fui chamada até para cantar pedra em inauguração de bingo e puxar cavalo em leilão de animais", diz a atriz iniciante Susana Werner, uma das campeãs em aparições.

Pagamento bom é em espécie, mas a atividade admite escambos variados. Susana, que tem um empresário para analisar as propostas, ganhou um cachê em jóias na semana passada, só para se extasiar, num coquetel, com a coleção nova da rede Amsterdam Sauer, ao lado de outros vips, como Thiago Lacerda e a namorada, Vanessa Lóes. Ela conta que também já embolsou 7.000 reais para suar o top num camarote de micareta no Nordeste. Os compromissos interestaduais costumam sair mais caro para os patrocinadores, que também bancam as mordomias dos convidados de aluguel. Há duas semanas, a promoter Alicinha Cavalcanti arrebanhou a apresentadora Sabrina Parlatore, as atrizes Vanessa Machado, Taís Araújo e Alexia Deschamps e a neofamosa Nana Gouvêa para uma viagem a Salvador, onde assistiram à premiação do circuito Banco do Brasil de vôlei de praia emendada (pensa que é moleza?) com um show de Carlinhos Brown. O heterogêneo quinteto de beldades teve direito a cachê (não divulgado, porque faz parte da função fingir que é tudo puro prazer), hotel cinco-estrelas, transporte, refeições e acompanhante.

Cota de 3% – De poderosos grupos estrangeiros a butiques do interior, ninguém quer mostrar um novo produto, abrir uma filial, promover um desfile ou simplesmente badalar uma marca sem fazer disso uma ocasião memorável. Quem pode realiza megafestas de mais de 1 milhão de reais; com orçamentos mais modestos, organiza-se no mínimo um coquetel. Em ambos os casos, mais importante do que a fartura de acepipes ou a procedência do inevitável espumante é a quantidade de vips por metro quadrado – e, atrás deles, de um batalhão de fotógrafos que garantirão o objetivo final disso tudo: espaço na mídia. O pioneiro da união entre convidados famosos e patrocinador interessado em exposição máxima, há onze anos, foi o camarote da cervejaria Brahma, que virou tradição no sambódromo carioca durante o Carnaval. Hoje, qualquer acontecimento requer uma elaborada estratégia de marketing. Para virar assunto, os profissionais da badalação estimam que a cota de nomes famosos precisa ser de, pelo menos, 3% dos presentes. Para 300 convidados, por exemplo, o ideal é ter um mínimo de nove "fotografáveis".


Fábio Cordeiro

A número 1: Vera Fischer em festa de lançamento de produto


Se a empresa é sofisticada ou moderninha e a festa acontece no eixo Rio–São Paulo, é certo que uma parte dos vips aparecerá de graça – por ser bom para a própria imagem, porque efetivamente quer se divertir ou por amizade ao inestimável promoter, figura tão essencial para uma festa digna desse nome quanto os convidados-celebridades. Um promoter de peso ganha, em média, entre 5.000 e 10.000 reais por evento, e cada um tem sua turma. A carioca Liége Monteiro, amicíssima de Vera Fischer, onde vai leva a diva junto. A ex-modelo Fernanda Barbosa costuma reunir gente como Rodrigo Santoro, o empresário João Paulo Diniz e, é claro, coleguinhas da antiga profissão. Presença de famosos em festa só é certa mesmo com cachê, por mais que sejam íntimos dos organizadores. Quem paga não costuma se arrepender. "O cliente e o artista saem felizes com o resultado", diz Ana Carvalho Pinto, organizadora de eventos em São Paulo. Alguns rostos famosos têm função específica, como apresentar produto ou vestir uma roupa da grife, mas a maioria ganha mesmo é para circular e fazer pose para as câmaras por um período máximo de duas horas. A procura é tanta que as agências de modelos têm um departamento só para cuidar da agenda social dos famosos. Criada há cinco anos, a Ford Celebrities conta com setenta nomes, entre eles Cristiana Oliveira, Patrícia de Sabrit e Luciano Szafir. "Como os convites são muitos e as agendas estão sempre muito cheias, virou trabalho mesmo", confirma a diretora, Ina Sinisgalli, que recebe, pelo menos, cinqüenta convites por dia para seu elenco. Seleção, aliás, é um requisito nem sempre cumprido nesse negócio. "Se você fizer de tudo, vira arroz-de-festa", diz a atriz iniciante Patrícia de Sabrit, com conhecimento de causa.


Fernando Martinho

Experiência: Susana Werner recebeu convites para sortear pedra em bingo e puxar cavalo em leilão
Leonardo Lemos

O novato: ex-professor de inglês, Dalton Vigh, o Said de O Clone, aproveita seu momento

Quem está no ar, vivendo seu auge, aproveita. Quando estrelava Terra Nostra, Thiago Lacerda apareceu em tudo, de anúncio milionário a festa de debutante. Por inexperiência, cometeu gafes: ao ser sondado para participar de uma festa da Louis Vuitton, cogitou receber em troca dois jogos de malas da grife francesa – coisa de mais de 25 000 reais. Perdeu a boquinha. Já Bárbara Paz, na qualidade de finalista de Casa dos Artistas, multiplicou seu passe por cinco e, quando sair, não deve se dignar a aparecer em canto algum por menos de 10.000 reais. É bom que seja rápida. Elaine Melo, a vencedora da primeira versão de No Limite, não emplaca mais cachê para nada. "Só vou como convidada mesmo", diz. Pelo menos ainda é convidada. "Tem gente que oferece até dinheiro para ser chamada", conta Fernanda Barbosa.

Cachê em roupas – Michelly Machri, na esteira da fama de garota Sukita, já prestigiou até inauguração de boate em Manaus. Na semana passada, embelezou o coquetel de uma grife paulista em troca de 1.000 reais em roupas. "Vou por cachê porque sou muito caseira", justifica. No grupo muito restrito de quem só vai aonde está a fim e não negocia aparição em festa estão as atrizes Andréa Beltrão e Cláudia Abreu. Fazem parte de um grupo em extinção. Desfilar a fama a dinheiro é um procedimento consagrado internacionalmente. Gisele Bündchen cobra um cachê estimado em no mínimo 200.000 reais – coisa para peixe grande, como a joalheria Bulgari, que contou com a modelo, com quem tem um contrato de publicidade, no lançamento de sua coleção em Milão. Como manda o figurino, Gisele chegou, abriu o sorriso esplendoroso, posou, cronometrou uma hora no reloginho da grife e tchau, tchau.

   

 
   
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