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Bin Laden confessa
AP

SEM
SUBTERFÚGIOS
Laden com o xeque saudita: admissão de culpa e deboche das
vítimas |
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"Calculamos
previamente o número de mortes entre os inimigos com base
na posição da torre. Três ou quatro andares
seriam atingidos. Eu era o mais otimista de todos. Em razão
de minha experiência nessa área, achava que o fogo
da gasolina do avião iria derreter a estrutura de ferro do
edifício, fazendo com que apenas a parte onde o avião
bateu e os andares acima caíssem"
|
"Os
irmãos que conduziram a operação sabiam apenas
que tinham uma missão de martírio. Nós pedimos
a cada um deles para ir aos Estados Unidos, mas eles não
sabiam nada sobre o plano, nem mesmo uma pista. Mas foram treinados
e nós só revelamos a operação para eles
quando estavam lá, pouco antes de embarcarem nos aviões"
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O
mundo conheceu a violência do fanatismo islâmico com a transmissão
ao vivo dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. Na semana
passada, graças a um vídeo amador, conheceu também
o escárnio, a ironia e a perversidade do líder mais feroz
entre os terroristas. O que se vê é Osama bin Laden relaxado,
numa conversa franca com um visitante saudita. O terrorista se apresenta
tão à vontade que, mesmo sabendo que o encontro está
sendo gravado, assume sem subterfúgios sua responsabilidade nos
atentados. Cercado de amigos barbudos, Laden debocha dos civis americanos
e até de seus amigos extremistas mortos no ataque. Animado com
a lembrança da matança, ainda recita versos. Também
se mostra iludido quanto à verdadeira conseqüência da
violência para o mundo dos fanáticos. "Nossos irmãos
ficaram eufóricos", diz na fita. Seu
discurso ajuda a compreender o que pretendia com o ataque ao World Trade
Center e ao Pentágono. A intenção era humilhar os
Estados Unidos e mobilizar os muçulmanos numa guerra santa contra
o Ocidente. Em nenhum momento o terrorista saudita dá indícios
de temor diante da represália americana.
No vídeo,
Laden ignora a câmara o tempo todo. De casaco militar e turbante
branco, permanece de lado, sentado sobre almofadas e de frente para o
anfitrião, um clérigo saudita identificado depois como xeque
Al-Ghamdi. O xeque conta em primeira mão a reação
entusiasmada dos fiéis nas mesquitas sauditas causada pelos atentados
de 11 de setembro. Alterna elogios ao "grande trabalho" de Laden com louvações
a Alá. Há cinqüenta delas em 39 minutos de conversa
gravada. A cada louvação do anfitrião, Laden abaixa
a cabeça e sorri modestamente. Por fim, anima-se. Estimulado pelo
xeque, desanda a revelar, rindo, que calculara com antecedência
o número de vítimas no World Trade Center. Com uma das mãos,
simula um prédio. Com a outra, o avião indo de encontro
à primeira. E admite: não esperava que as torres fossem
desabar. Acreditava, com base em sua formação de engenheiro,
que apenas três ou quatro andares seriam destruídos com a
explosão do combustível após o impacto. "Eu era o
mais otimista de todos", gaba-se, em tom de confidência, orgulhoso
com a dimensão da tragédia.
Reuters
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CAÇADA
NAS MONTANHAS
Milícia anti-Talibã vasculha Tora Bora: de olho na recompensa
milionária por Laden |
O terrorista
dificilmente faria confissão melhor num interrogatório diante
de agentes americanos. Laden revela que sabia a data dos ataques com cinco
dias de antecedência. Por isso, conforme conta, naquele 11 de setembro
ligou o rádio e ficou esperando pacientemente as notícias.
Depois da informação sobre o primeiro choque em Nova York,
manteve-se vidrado no noticiário, junto com um grupo de colegas
fanáticos. "Disse a eles para que fossem pacientes", recorda, irônico,
dando a entender que sabia o que iria acontecer em seguida. Em outro trecho,
revela que os seqüestradores só souberam detalhes do que deveriam
fazer pouco antes de embarcar nos aviões. "Os que foram treinados
para pilotar não conheciam os demais seqüestradores", explica.
"E cada grupo não sabia da existência de outro", complementa.
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Reuters

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PERTO
DO FIM
Marines nos arredores de Kandahar, que já foi a capital do
Talibã: cerco aos fugitivos da Al Qaeda
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As revelações
de Laden, por ter sido feitas numa gravação amadora de vídeo,
não valem como prova num tribunal. Nem precisariam. As imagens
confirmaram aquilo que apenas os muçulmanos fundamentalistas insistiam
em negar: Osama bin Laden foi o cérebro da maior matança
da história recente americana. Não se sabe se ele sobreviverá
aos bombardeios no Afeganistão para ser julgado, como querem os
Estados Unidos. Mas sua confissão já está escrita
ou melhor, gravada. A fita de vídeo foi divulgada pelo Pentágono
depois de dois dias de suspense. O governo americano cercou-se de cuidados
para evitar qualquer falha no que previa ser sua maior arma na guerra
de propaganda contra os fundamentalistas islâmicos. Contratou quatro
tradutores para que a versão para o inglês dos diálogos
em árabe não desse margem a interpretações
dúbias nem a reclamações de países islâmicos.
A preocupação
fazia sentido. A fita é de péssima qualidade. Vários
trechos são inaudíveis e a confusa seqüência
de imagens testemunha a cada minuto o amadorismo do cinegrafista. O registro
do encontro de Laden com o xeque saudita começa no meio da gravação.
Como a fita termina quando a conversa estava na parte mais animada, o
operador a rebobinou até o início para prosseguir com a
gravação. O tempo restaerif" size="2"> A preocupação
fazia sentido. A fita é de péssima qualidade. Vários
trechos são inaudíveis e a confusa seqüência
de imagens testemunha a cada minuto o amadorismo do cinegrafista. O registro
do encontro de Laden com o xeque saudita começa no meio da gravação.
Como a fita termina quando a conversa estava na parte mais animada, o
operador a rebobinou até o início para prosseguir com a
gravação. O tempo restante exibe um registro feito anteriormente,
em outubro, de restos de um helicóptero americano abatido no deserto
afegão.
As autoridades
americanas também tinham dúvida quanto à oportunidade
da divulgação. O vídeo foi feito quando o Talibã
ainda governava o país embora, coincidentemente, naquela
noite a milícia fundamentalista acabasse perdendo o controle da
primeira grande cidade afegã, Mazar-e-Sharif. Por isso, houve hesitação
quanto a mostrar em rede nas TVs dos EUA um Laden com expressão
vitoriosa justamente na semana em que ele estava encurralado nas montanhas
do sudeste afegão. Havia, ainda, o cuidado com os sentimentos dos
familiares das vítimas dos atentados. Quem perdeu um parente se
sente ofendido em ver Laden zombar da tragédia.
Acabou prevalecendo
a idéia de que seria muito maior o impacto das confissões
do terrorista. E a reação no mundo islâmico foi tão
polêmica quanto a fita. O líder de um partido fundamentalista
na Indonésia, Mohamed Rizieq, disse que o vídeo poderia
ter sido forjado e não tinha sido examinado por pessoas isentas
ao conflito. Muitos afirmaram o mesmo em outros países. Um porta-voz
do Pentágono reagiu, com ironia, lembrando que também há
quem não acredite que o homem já tenha pisado na Lua. Os
fundamentalistas ignoraram a confissão de Laden simplesmente porque
apoiaram e até comemoraram os atentados como o primeiro passo para
a restauração de um grande califado, como Laden sempre apregoou.
Outros se
apegaram à recusa do governo americano em informar como a fita
foi obtida para diminuir sua importância. O Pentágono disse
apenas que ela foi encontrada numa casa na cidade de Jalalabad, perto
da região montanhosa onde Laden está entrincheirado. Em
algumas passagens do vídeo, fica claro que ele e seus amigos se
iludiram com o próprio fanatismo religioso. O terrorista saudita
fala com empolgação de notícias segundo as quais,
na Holanda, o número de pessoas convertidas ao islamismo após
os atentados teria sido maior que "nos últimos onze anos somados".
Nos Estados Unidos, afirma o terrorista ao visitante, o interesse pelo
islamismo também cresceu. "Esse evento fez com que as pessoas pensassem
sobre o verdadeiro Islã", diz.
A derrocada
rápida do Talibã e o cerco de milícias afegãs
às montanhas onde Laden e seus seguidores da Al Qaeda se refugiaram
mostraram que esse apoio ao "verdadeiro Islã" é uma quimera.
Durante toda a semana, os bombardeios americanos castigaram Tora Bora.
Até mesmo as corta-margaridas as bombas convencionais mais
devastadoras do arsenal dos Estados Unidos, capazes de arrasar tudo num
raio de 500 metros foram utilizadas. Enquanto isso, duas milícias
da etnia patane decidiram encarar os quase 5.000
metros de altitude onde Tora Bora está situada para caçar
o terrorista saudita e botar a mão nos 25 milhões de dólares
de recompensa. Por duas vezes, os milicianos tentaram negociar a rendição
dos guerrilheiros da Al Qaeda. Primeiro, ofereceram anistia exceto
a Laden e aos demais dirigentes da rede terrorista. Como não havia
garantia americana de que a proposta seria honrada, os guerrilheiros permaneceram
entrincheirados. Os bombardeios prosseguiram e, na quarta-feira, houve
nova proposta: anistia, mas com a entrega de Osama bin Laden. Nova recusa.
Ao terrorista saudita só restavam duas alternativas: a morte ou
a rendição.
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