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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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Hummmmm....

Rompido com o sócio, Pelé monta
outra empresa e persegue
negócios milionários

Marcelo Carneiro

Pisco del Gaiso

O craque em nova fase: escritório mudou do Rio para São Paulo

Todo torcedor conhece um velho lugar-comum do futebol: não se mexe em time que está ganhando. Quando as coisas vão mal, porém, ninguém está seguro no emprego, do goleiro ao ponta-esquerda. Essa faxina, tão comum nos gramados, agora atinge também as empresas do craque Pelé. Há menos de um mês, o ex-jogador afastou da Pelé Sports & Marketing seu sócio, Hélio Viana. Juntos há duas décadas, os dois romperam de maneira estrondosa. Pelé acusa Viana de ter provocado um rombo de 10 milhões de reais na empresa ao mesmo tempo que carreava vultosas quantias para as próprias contas bancárias. A briga, certamente, continuará na Justiça, mas Pelé tratou de arrumar rapidamente um novo time. Os sinais da mudança estão até no nome. A Pelé Sports foi fechada e seus negócios foram transferidos para uma nova empresa, a Pelé Pro. Também se trocou o belo escritório no Rio de Janeiro por outras instalações, em São Paulo. A primeira tarefa da Pelé Pro será arrecadar cerca de 30 milhões de reais nos mercados europeu e americano para investir em projetos de marketing esportivo.


Régis Filho

Renato Duprat, executivo da nova Pelé Pro: citação na CPI do Futebol e rolos com a Justiça


Assim como a Pelé Sports, a nova firma tem o ex-jogador como acionista majoritário. Mas a direção dos negócios foi entregue a três pessoas. No comando estão Edson Nascimento, o Edinho – filho de Pelé –, Celso Grellet e Renato Duprat Filho. Edinho, de 31 anos, terá sua primeira experiência como homem de negócios. Em 1999 deixou o futebol, em que se projetou como goleiro, e começou a dedicar-se a outra paixão, o motocross. Já Celso Grellet é um velho conhecido do craque e seu único sócio na nova empresa. Apesar de ter sido diretor da Pelé Sports & Marketing, nunca exerceu de fato o comando da companhia. Fluente em várias línguas, sua principal tarefa sempre foi acompanhar Pelé nas inúmeras viagens que o craque faz ao redor do mundo, como uma espécie de relações-públicas do jogador. O executivo com maior prática na Pelé Pro será Renato Duprat, de 49 anos, que terá a responsabilidade de dirigir alguns dos principais projetos da empresa. Herdeiro do grupo Unicór, Duprat é dono de uma biografia apimentada. O empresário, que chegou a ser um dos maiores do país na área de assistência médica, sofreu um duro golpe em janeiro deste ano. Com cerca de trinta anos no mercado, a Unicór teve sua liquidação decretada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, que regula o setor. A justificativa: "anormalidades econômico-financeiras graves que colocam em risco a continuidade do atendimento à saúde".

O próprio Renato Duprat, que briga na Justiça para invalidar a liquidação, reconhece que existem cerca de 1.500 processos contra a Unicór nas diversas varas do fórum de São Paulo. Há desde pedidos de falência até cobranças por não recolhimento do fundo de garantia. O surpreendente é que, durante a década de 90, Renato Duprat consolidou a imagem de um bem-sucedido homem de negócios. No tempo das vacas gordas, a Unicór chegou a ter três jatos e dois helicópteros à disposição de seus associados, além de três hospitais. O patrimônio do empresário, agora indisponível por causa da liquidação, também era considerável. Duprat tinha empresas nos ramos de medicina, hotelaria e táxi aéreo, além de um haras com 300 cavalos da raça manga-larga marchador. A maré começou a virar em 1996, quando o empresário assinou um milionário contrato de aluguel de um prédio em São Paulo com a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A intenção era construir no prédio, avaliado em 29 milhões de reais, o mais bem equipado hospital especializado em emergências. "Dei um passo maior que as pernas. O contrato era em dólar e eu não consegui segurar as prestações", conta Duprat.

O problema é que esse não é o único rolo em que o novo parceiro de Pelé está envolvido. O nome de Renato Duprat também aparece no relatório da CPI do Futebol, no capítulo sobre as falcatruas cometidas na gestão do Santos Futebol Clube, entre 1996 e 1999. Nesse período, a Unicór era sua principal patrocinadora. Duprat, que conhece Pelé desde 1994, estreitou os laços com o craque após a parceria com o Santos. Os senadores da CPI descobriram que a Unicór deixou uma dívida de 1,2 milhão de reais pendurada no clube, referente a prestações do patrocínio que nunca foram pagas. O estranho é que esse débito jamais foi escriturado na contabilidade do Santos. "Nunca houve lançamento porque não existe dívida. Eu atrasei algumas mensalidades, mas também investi muito no clube", defende-se Duprat, que já arrumou encrenca até com a Receita Federal. No ano passado, fiscais descobriram que, em 1997, Duprat depositou 179.000 reais em uma conta bancária do técnico Wanderley Luxemburgo. Na época, Luxemburgo treinava o Santos, que era patrocinado pela Unicór. O dinheiro, porém, não foi declarado no imposto de renda do treinador, que por sua vez acusou Duprat de também ter omitido a transação do Fisco. Duprat pode ser um excelente administrador na nova firma de Pelé, mas um olhar em sua ficha recomendaria alguma cautela por parte do rei. Ao que tudo indica, pelo menos há uma pessoa de olhos bem abertos: Edinho, o filho do craque. "Confio totalmente no Duprat, mas vamos estar atentos. Agora tem alguém da família tomando conta", promete Edinho.

 
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