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Hummmmm....
Rompido
com o sócio, Pelé monta
outra empresa e persegue
negócios milionários

Marcelo Carneiro
Pisco del Gaiso

O craque
em nova fase: escritório mudou do Rio para São Paulo
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Todo torcedor
conhece um velho lugar-comum do futebol: não se mexe em time que
está ganhando. Quando as coisas vão mal, porém, ninguém
está seguro no emprego, do goleiro ao ponta-esquerda. Essa faxina,
tão comum nos gramados, agora atinge também as empresas
do craque Pelé. Há menos de um mês, o ex-jogador afastou
da Pelé Sports & Marketing seu sócio, Hélio Viana.
Juntos há duas décadas, os dois romperam de maneira estrondosa.
Pelé acusa Viana de ter provocado um rombo de 10 milhões
de reais na empresa ao mesmo tempo que carreava vultosas quantias para
as próprias contas bancárias. A briga, certamente, continuará
na Justiça, mas Pelé tratou de arrumar rapidamente um novo
time. Os sinais da mudança estão até no nome. A Pelé
Sports foi fechada e seus negócios foram transferidos para uma
nova empresa, a Pelé Pro. Também se trocou o belo escritório
no Rio de Janeiro por outras instalações, em São
Paulo. A primeira tarefa da Pelé Pro será arrecadar cerca
de 30 milhões de reais nos mercados europeu e americano para investir
em projetos de marketing esportivo.
Régis Filho

Renato Duprat, executivo da nova Pelé Pro:
citação na CPI do Futebol e rolos com a Justiça
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Assim como a Pelé Sports, a nova firma tem o ex-jogador como acionista
majoritário. Mas a direção dos negócios foi
entregue a três pessoas. No comando estão Edson Nascimento,
o Edinho filho de Pelé , Celso Grellet e Renato Duprat
Filho. Edinho, de 31 anos, terá sua primeira experiência
como homem de negócios. Em 1999 deixou o futebol, em que se projetou
como goleiro, e começou a dedicar-se a outra paixão, o motocross.
Já Celso Grellet é um velho conhecido do craque e seu único
sócio na nova empresa. Apesar de ter sido diretor da Pelé
Sports & Marketing, nunca exerceu de fato o comando da companhia.
Fluente em várias línguas, sua principal tarefa sempre foi
acompanhar Pelé nas inúmeras viagens que o craque faz ao
redor do mundo, como uma espécie de relações-públicas
do jogador. O executivo com maior prática na Pelé Pro será
Renato Duprat, de 49 anos, que terá a responsabilidade de dirigir
alguns dos principais projetos da empresa. Herdeiro do grupo Unicór,
Duprat é dono de uma biografia apimentada. O empresário,
que chegou a ser um dos maiores do país na área de assistência
médica, sofreu um duro golpe em janeiro deste ano. Com cerca de
trinta anos no mercado, a Unicór teve sua liquidação
decretada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, que
regula o setor. A justificativa: "anormalidades econômico-financeiras
graves que colocam em risco a continuidade do atendimento à saúde".
O próprio
Renato Duprat, que briga na Justiça para invalidar a liquidação,
reconhece que existem cerca de 1.500 processos
contra a Unicór nas diversas varas do fórum de São
Paulo. Há desde pedidos de falência até cobranças
por não recolhimento do fundo de garantia. O surpreendente é
que, durante a década de 90, Renato Duprat consolidou a imagem
de um bem-sucedido homem de negócios. No tempo das vacas gordas,
a Unicór chegou a ter três jatos e dois helicópteros
à disposição de seus associados, além de três
hospitais. O patrimônio do empresário, agora indisponível
por causa da liquidação, também era considerável.
Duprat tinha empresas nos ramos de medicina, hotelaria e táxi aéreo,
além de um haras com 300 cavalos da raça manga-larga marchador.
A maré começou a virar em 1996, quando o empresário
assinou um milionário contrato de aluguel de um prédio em
São Paulo com a Previ, fundo de pensão dos funcionários
do Banco do Brasil. A intenção era construir no prédio,
avaliado em 29 milhões de reais, o mais bem equipado hospital especializado
em emergências. "Dei um passo maior que as pernas. O contrato era
em dólar e eu não consegui segurar as prestações",
conta Duprat.
O problema
é que esse não é o único rolo em que o novo
parceiro de Pelé está envolvido. O nome de Renato Duprat
também aparece no relatório da CPI do Futebol, no capítulo
sobre as falcatruas cometidas na gestão do Santos Futebol Clube,
entre 1996 e 1999. Nesse período, a Unicór era sua principal
patrocinadora. Duprat, que conhece Pelé desde 1994, estreitou os
laços com o craque após a parceria com o Santos. Os senadores
da CPI descobriram que a Unicór deixou uma dívida de 1,2
milhão de reais pendurada no clube, referente a prestações
do patrocínio que nunca foram pagas. O estranho é que esse
débito jamais foi escriturado na contabilidade do Santos. "Nunca
houve lançamento porque não existe dívida. Eu atrasei
algumas mensalidades, mas também investi muito no clube", defende-se
Duprat, que já arrumou encrenca até com a Receita Federal.
No ano passado, fiscais descobriram que, em 1997, Duprat depositou 179.000
reais em uma conta bancária do técnico Wanderley Luxemburgo.
Na época, Luxemburgo treinava o Santos, que era patrocinado pela
Unicór. O dinheiro, porém, não foi declarado no imposto
de renda do treinador, que por sua vez acusou Duprat de também
ter omitido a transação do Fisco. Duprat pode ser um excelente
administrador na nova firma de Pelé, mas um olhar em sua ficha
recomendaria alguma cautela por parte do rei. Ao que tudo indica, pelo
menos há uma pessoa de olhos bem abertos: Edinho, o filho do craque.
"Confio totalmente no Duprat, mas vamos estar atentos. Agora tem alguém
da família tomando conta", promete Edinho.

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