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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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Chegando perto

Cada partido governista fala
em lançar seu próprio candidato,
mas só Roseana cresce

Maurício Lima

 
Joedson Alves/AE
Ana Araujo
Lula, do PT, e Roseana, do PFL, os líderes das pesquisas: a diferença diminuiu

Como os casais que vivem a chamada crise dos sete anos, a aliança governista deu na semana passada mais um sinal de que o casamento anda estremecido. Os presidentes da tróica partidária, PSDB, PFL e PMDB, fizeram questão de vir a público afirmar que terão, cada um deles, um candidato próprio na eleição presidencial do ano que vem. O PSDB nem pensa em abrir mão da cabeça de chapa. O PFL anda tão assanhado com o bom desempenho da governadora Roseana Sarney nas pesquisas que já fala grosso quando cogita disputar a eleição com uma chapa puro-sangue – com candidato a presidente e vice da mesma legenda. E até os próceres mais governistas do PMDB, como o deputado Michel Temer, já começam a simpatizar com a idéia do candidato próprio – desde que não seja, é claro, o governador Itamar Franco. Nesse cenário, cada partido teria seu nome e a unidade só se daria num eventual segundo turno para enfrentar um adversário comum. Faz parte do pôquer político que os partidos simulem cacife alto para seduzir aliados – mas a bola, de novo, está caindo no pefelê.

Na semana passada, uma pesquisa do instituto Sensus fez simulações para um segundo turno em 2002. Pela primeira vez, um concorrente ultrapassou Luís Inácio Lula da Silva, do PT. A façanha coube a Roseana Sarney. No levantamento, a governadora obteve 42,7% das intenções de voto, contra 38,4% de Lula. Foi a única. Todas as simulações com os outros candidatos foram favoráveis ao petista, particularmente quando seu adversário é o ministro da Saúde, José Serra (veja quadro). Na pesquisa sobre o primeiro turno, o panorama também é positivo para Roseana. Lula continua na liderança, mas agora abaixo dos 30 pontos porcentuais. Roseana, ao contrário, subiu de 19% para 24%. É um salto razoável, embora ainda seja impossível dizer se seu desempenho é um foguete duradouro ou um cometa passageiro. O certo é que o PFL está adorando o jogo e vai mantê-lo, com a mesma disciplina e o mesmo profissionalismo vistos até aqui.

O próximo lance, além de colocar Roseana como estrela única da propaganda partidária que vai ao ar em janeiro, será levar a governadora para um tour europeu em fevereiro. A idéia dos pefelistas é construir a imagem de que Roseana, a exemplo do presidente Fernando Henrique Cardoso, também pode fazer bonito no exterior. A outra tática é manter Roseana longe de qualquer polêmica. Na semana passada, ela até pediu a seu consultor econômico, Michal Gartenkraut, que evite dar entrevistas, porque não gostou de ouvi-lo elogiando o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e não quer que as opiniões dele sejam confundidas com as suas. A amigos, só a amigos, tem dito que o único intocável em seu governo seria o presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

 

 
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Leia reportagens de capa de VEJA sobre as candidaturas de Lula e Roseana
Lula: a quarta tentativa
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