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Os
agentes Mulder e Scully: amor na ficção e briga pelo cachê na vida real |
| Foto: Montagem sobre fotos de Merrick Morton |
Os fãs da série Arquivo X têm parentesco com aquelas pessoas que compram livros do tipo "Elvis Presley não morreu". Megassucesso nos Estados Unidos, o seriado agrada em cheio aos milhões de americanos que se divertem imaginando que há uma grande conspiração por trás de tudo. Para eles, organizações como a CIA, o governo americano, o FBI e outras escondem "fatos essenciais" para a compreensão do mundo atual, como a existência de vida em outros planetas ou a sobrevivência do rei do rock. O filme Arquivo X Resista ao Futuro (The X-Files Fight the Future, Estados Unidos, 1998), que estréia no Brasil nesta semana, leva para os cinemas a teoria da conspiração na qual a cultuada série se apóia. No filme, os agentes Fox Mulder e Dana Scully são enviados para uma missão que tem por objetivo desacreditá-los perante o próprio FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, para o qual trabalham, deixando o caminho livre para uma negociata entre líderes mundiais e extraterrestres. É um enredo maluco, como aliás o de todos os episódios da série. Mas fornece combustível suficiente para discussões e jogos de trívia, principais passatempos de seus fãs.
Os fanáticos pelo Arquivo X constituem uma confraria semelhante aos trekkers, os loucos por Jornada nas Estrelas. Eles também têm um apelido: são os X-ers. Em todo o mundo, existem cerca de 300 fãs-clubes dedicados à série. O Arquivo X Brasil, por exemplo, tem 8.000 sócios cadastrados. Arquivo X, o filme, traz à tona algumas das revelações que os seguidores do seriado aguardam ansiosamente há cinco anos. Uma delas diz respeito ao eventual romance entre Mulder e Scully. Trabalhando juntos sem jamais ter um caso, a dupla de personagens já fez com que entre os X-ers surgisse uma divisão. De um lado estão os "shippers", que torcem por um namoro. Do outro, os "anti-shippers", que preferem que as coisas continuem como estão. O termo shipper vem da palavra inglesa "relationship", no caso "relacionamento".
Na vida real, os atores David Duchovny (Mulder) e Gillian Anderson (Scully) já andaram brigando, e por algo bastante concreto: o valor do cachê. Um quer ganhar mais que o outro. Para quem não segue os episódios, não se interessa por conspirações e não dá a mínima para o flerte de Mulder e Scully, o filme também tem seu charme. Há bons efeitos especiais e a história, apesar de um tanto cifrada, é bem urdida e pode ser compreendida. Não totalmente, claro, já que deixar enigmas no ar é outro dos segredos do sucesso de Arquivo X.
Celso Masson
Copyright © 1998, Abril
S.A. |