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Resende
e sua Vênus: o corpo como pretexto para tratar da instabilidade e do peso |
| Foto: Paulo Jares |
Reclinada no chão do Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, a mais nova Vênus do escultor José Resende parece uma daquelas moças que só dizem sim. Mas um olhar mais detido logo revela a impostura da Vênus e a astúcia do artista. Ainda que nua e curvilínea, a peça em exibição não passa de uma chapa de aço enferrujado cujo contorno apenas insinua um corpo de mulher. A anatomia humana serve como pretexto para que o escultor lide com noções como peso, espessura, tensão e instabilidade do aço. Pois essa Vênus que apenas na aparência se entrega ao olhar é uma típica representante da obra de Resende, um nome do primeiríssimo time da arte brasileira. Ele expõe, a partir desta terça-feira no Centro Hélio Oiticica, uma seleção de vinte peças criadas dos anos 70 para cá. E, a partir do dia 24, mostra outras seis esculturas na Galeria Paulo Fernandes, também no Rio. Quando usa tubos de vidro cheios de líquidos que não se misturam, rodelas de vinil ou rolos de feltro embebidos em cera, Resende está refletindo sobre questões centrais da arte contemporânea, como a impossibilidade de alcançar uma forma pura ou estável, a menos que incorresse na obviedade rasteira pós-moderninha.
Com um belo currículo que inclui uma bolsa da Fundação Guggenheim e passagens pelas maiores mostras de arte internacional, como a Documenta de Kassel, na Alemanha, ou a Bienal de Veneza, na Itália, Resende, arquiteto de formação, realiza uma obra que guarda um parentesco próximo com a arquitetura. "Meu desafio é produzir peças que, mesmo sem ser figurativas, acabem figurando alguma coisa, como uma dança não orquestrada." A próxima empreitada do escultor será na Bienal de Sidney, na Austrália, em setembro. Durante dez dias, em frente do célebre prédio da ópera da cidade, ele instalará sete contêineres, articulados e movidos por guindastes. Uma quase figura com 60 metros de extensão.
Angela Pimenta
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S.A. |