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O que fazer com as ações da Telebrás

Quem tem ações da Telebrás e não sabe que destino dar a elas neste momento de mudanças rápidas deve ouvir o conselho dos grandes investidores: acompanhe o que está se passando nas bolsas do mundo, não venda os papéis agora e, se puder, compre mais. "Quem não está acostumado a lidar com ações tende a vendê-las quando os preços estão caindo", diz Marcelo Faria, analista da corretora Síntese, de São Paulo. "Quem é do ramo faz exatamente o contrário." No caso da Telebrás, as ações estão perdendo o valor. Isso contraria as expectativas de quem esperava vê-las disparar depois que a empresa foi dividida e vendida pelo governo no mês passado. A queda não tem nada a ver com a privatização. A principal razão para a desvalorização não deve ser procurada no Brasil. Ela está no mercado internacional. Um mergulho do Dow Jones, o índice de desempenho da Bolsa de Nova York, derruba os preços dos papéis da antiga estatal. A explicação para isso é simples. De todas as ações da Telebrás disponíveis para negócios neste momento, 52% são negociadas em Nova York. Portanto, o efeito da queda do Dow Jones repercute mais depressa sobre esses papéis do que sobre as ações de outras empresas brasileiras.

As avaliações de bancos de investimentos como o Merrill Lynch, o Pactual e o Patrimônio indicam que o preço do lote de 1.000 ações da Telebrás deve subir. Pode chegar a 200 reais em agosto do ano que vem. (Custava 140 reais na época do leilão e menos de 120 reais na semana passada.) Essa estimativa, é claro, considera que o mercado internacional de ações se normalizará nos próximos meses e que o efeito da privatização sobre o preço dos papéis se fará sentir ainda neste ano. "Trabalhamos com a hipótese de valorização", afirma Thomas Atkinson, analista do Patrimônio, um banco associado ao Salomon Brothers, dos Estados Unidos.

As discussões em torno das ações da Telebrás dizem respeito a uma quantidade maior de pessoas do que qualquer outro papel vendido nas bolsas brasileiras. Elas são as mais negociadas do país e respondem por cerca de 50% do movimento da Bolsa de São Paulo. Muita gente pode ter direito a ações da empresa e não saber. Todos os que compraram telefone pelos planos de expansão lançados pelas operadoras estaduais receberam os papéis como parte da transação. Muitas dessas pessoas ainda não foram buscar as ações a que têm direito. Para retirá-las é preciso procurar uma agência do Banco Real, que tem a guarda das ações. O gerente de seu banco normalmente explicará o que fazer para apanhá-las. A pessoa provavelmente receberá no ato uma oferta para vendê-las. Elas podem valer em torno de 1.500 reais. Feche o negócio apenas se estiver precisando do dinheiro. O melhor a fazer, nesse caso, é esperar pela valorização.




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