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Sorriso novo
ONG
americana opera lábio leporino de graça no Ceará
Durante anos, a
lavradora Ilza Maria Silva perambulou pelos hospitais
públicos do Ceará na tentativa de operar seus dois
filhos menores, que sofriam por ter a face deformada e
dificuldade de fala provocadas por defeitos de nascença:
lábio leporino e fenda palatina. Na quarta-feira dia 12,
Francisco Cleucivan, 14 anos, e Manoel Cleydivan, 15
anos, foram finalmente operados no Hospital Albert Sabin
de Fortaleza. A primeira coisa que pediram depois da
cirurgia foi olhar-se no espelho. Os rostos ainda estavam
inchados e os lábios suturados, mas os irmãos ficaram
felizes. A mãe, aliviada, desabafava: "Agora não
vou mais ter vergonha nem pena de sair na rua com
eles". Os agradecimentos da família, entretanto,
não foram para os médicos do sistema público de saúde
brasileiro, mas para os integrantes de uma ONG
internacional que, na semana passada, fizeram 160
operações semelhantes, de graça, na capital cearense.
Criada há
dezesseis anos pelo casal americano William e Kathleen
Magee, a Operation Smile International (Operação
Sorriso) já atendeu mais de 40.000 crianças e
adolescentes com deformidades faciais de dezoito países
onde a saúde pública não funciona a contento. "As
cirurgias são muito simples e transformam completamente
a vida dessas crianças", diz a enfermeira Kathleen.
Atualmente a ONG conta com 29.000 voluntários e se
mantém com doações em dinheiro e em material
cirúrgico. Nesta segunda visita ao Brasil, eles operaram
cerca de trinta pacientes por dia. A média do Albert
Sabin, o único hospital público da capital cearense que
realiza cirurgias de lábio leporino e fenda palatina, é
de 24 operações por mês. A incidência dessas
malformações é de um caso em cada 1.200 nascimentos
nos Estados do Sul do Brasil e o dobro nas regiões mais
pobres, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Além da
deformação física, problemas psicológicos e atraso na
escola por vergonha de freqüentá-la, elas causam
dificuldade de fala e dentição imperfeita.

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