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| Fotos: Alexandre Battibugli/Pisco Del Gaiso |
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| Edmundo
e Teixeira: acusação, desmentido e processo
contra jornalistas |
Desde que a França venceu o Brasil por 3 a 0 na final da Copa do Mundo e adiou por quatro anos o sonho do pentacampeonato, surgiram as mais disparatadas teorias para explicar o apático desempenho da seleção na partida fatídica. Boa parte delas envolve a Nike, patrocinadora da CBF, e o atacante Ronaldinho, um dos maiores garotos-propaganda da marca no mundo. Na semana passada, a teoria da conspiração, que atribui à Nike superpoderes sobre a seleção e a palavra final na escalação de um debilitado Ronaldinho no jogo contra a França, ganhou um combustível daqueles: a voz do "Animal". A rádio Jovem Pan, de São Paulo, veiculou na terça-feira uma fita com declarações atribuídas ao jogador Edmundo dando nova dimensão ao complô. "O negócio da Nike é uma coisa verdadeira. Tem um contrato dizendo que o Ronaldinho tem que jogar todos os jogos os noventa minutos", dizia o jogador na gravação, em tom de conversa de botequim. "A Nike negociou direto com o presidente e ele levou uma porcentagem na negociação", acrescenta, certamente numa referência ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Diante da ameaça de ser processado por calúnia, difamação e danos morais, Edmundo mandou uma carta a Teixeira negando ter dado qualquer entrevista com o conteúdo divulgado. O jornalista Claudio Tognolli, que fez as reportagens para a rádio Jovem Pan e o jornal Notícias Populares, reconheceu que de fato a gravação não havia sido feita numa entrevista formal. "Edmundo deu as declarações numa conversa com cinco pessoas num bar da Zona Sul carioca há três semanas", disse. Uma amiga que estava na roda, acrescenta o repórter, gravou o bate-papo e lhe enviou a fita. "A gravação tem onze minutos e fizemos cortes para proteger a fonte, mas o conteúdo não foi alterado", alega Tognolli. O advogado de Edmundo, Michel Assef, vai requerer uma perícia da fita e pretende processar a rádio, o jornal e o repórter por danos à imagem de seu cliente. "O Edmundo me garantiu que nunca falou nada disso. Pode ser uma montagem", contra-atacou Assef.
Esta não é a primeira vez que Edmundo compra briga com a Nike. Logo depois da Copa, o jogador disse que a empresa mantinha um funcionário na concentração brasileira 24 horas por dia. O diretor de marketing esportivo da Nike, Cees van Nieuwenhuizen, retrucou dizendo que a empresa não tinha o menor interesse em patrocinar Edmundo. Desta vez, a Nike preferiu não se pronunciar. Como Edmundo nega ter dado as declarações, Teixeira resolveu voltar suas baterias contra a rádio que levou a fita ao ar. Já Ronaldinho preferiu botar panos quentes. "Pode ter havido um mal-entendido", acredita o craque. Embora seja razoável imaginar que uma empresa que investe 400 milhões de dólares no patrocínio de uma seleção faça algumas exigências, a existência de uma cláusula contratual determinando que Ronaldinho jogue todas as partidas soa inverossímil. Afinal, qualquer atleta pode contundir-se, e é difícil vislumbrar alguma vantagem para a Nike em ver sua marca associada a um jogador que se arrasta em campo. Teorias como essa surgem com facilidade porque a CBF se notabilizou por assinar contratos e não mostrar a ninguém. Um pouco de transparência poderia colocar um ponto final nessa história.
Virginie Leite
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